III - ASPECTOS DO CARÁTER DE JACO.
1- Antes do seu encontro com Deus: até o encontro com Deus em Betel, ele era apenas um “homem natural”, ou carnal (1 Co 2:14). Naquela fase de sua vida, podemos ver alguns aspectos negativos de seu caráter.
a) oportunista e egoísta: quando seu irmão chegou com fome e lhe pediu para comer do seu guisado, ele poderia ter-lhe oferecido de sua comida, compartilhado sua refeição. Mas, numa prova de oportunismo e ambição, disse logo: “Vende-me hoje a tua primogenitura” (Gn 25:31).
b) interesseiro e calculista: Jacó era frio, calculista e de temperamento fleumático. Alem de propor a troca da primogenitura ao irmão, exigiu que Esaú fizesse um juramento que lhe garantisse que a troca seria respeitada por toda a vida: “Então, disse Jacó: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jaco” (Gn 25:33; Hb 12:16). Ele só esquecia uma coisa. O que ele estava plantando em sua juventude haveria de colher mais tarde (Gl 6:7). Em proporção muito maior.
c) mentiroso e enganador: Com seu caráter fraco e leniente, concordou com a sua mãe em enganar o velho pai. Ao chegar à presença de Isaque, mentiu três vezes. Este perguntou: “Quem és tu, meu filho?”. Ele disse que era Esaú (Gn 27:19). A primeira mentira. Indagado porque chegara tão rápido com a caça, mentiu a segunda vez, dizendo: “Porque o Senhor, teu Deus, a mandou ao meu encontro” (Gn 27:20). Ao abraçar Jacó, Isaque repetiu que era Esaú - “Eu sou” (Gn 27:24). Mentiu pela terceira vez.
2- Depois do seu encontro com Deus: observe a transformação no caráter de Jaco:
a) um caráter agradecido: Jacó passou a ver as coisas numa perspectiva espiritual de um novo relacionamento com Deus, e lhe fez um voto, dizendo que se Deus não lhe deixasse faltar nada, levantaria um altar e daria o dizimo “de tudo” (Gn 28:20-22). Neste fato, vemos que Jacó tinha consciência do valor do dizimo, como expressão sincera de gratidão a Deus, a exemplo do que fizera seu avô, Abraão, perante Melquisedeque (Gn 14:18-20). Ele não prometeu dar o dizimo do que lhe sobrasse (da “renda líquida”), mas “de tudo” como seu avô fizera (Hb 7:2).
b) um caráter esforçado e sofredor: ao chegar à casa de Labão, seu tio, revelou-se um homem trabalhador. Ali, começou a colher o que semeara em engano e mentira. Na “lua de mel”, foi enganado pelo sogro. Em lugar de casar com Raquel, teve de casar com Leia. Só depois, casou com sua amada, e para tanto, trabalhou “outros sete anos” (Gn 29:21-30). Não foi apenas esse o preço que Jacó teve que pagar por sua vida de enganos e mentiras. Labão mudou o seu salario dez vezes, durante vinte anos (Gn 31:7). O que o homem semeia, isso e o que colhe (Gl 6:7).
c) um homem na direção de Deus: depois de ser enganado pelo sogro, Jaco reuniu sua família e fugiu de Harã. Mas não o fez apenas por medo do sogro. Sua saída de Harã foi por direção de Deus (Gn 31:3,13). Desse modo, Jacó empreendeu a fuga com a família, e logo foi perseguido pelo sogro. Este não pôde lhe fazer mal, porque Deus entrou em ação e lhe determinou que não falasse com Jacó “nem bem nem mal” Gn 31:24).
3- No seu encontro com Esaú: ao se aproximar de Seir, onde seu irmão vivia, Jacó enviou mensageiros a Esaú, anunciando seu retorno. Os mensageiros voltaram e disseram que Esaú vinha ao seu encontro com quatrocentos homens. Jaco temeu grandemente (Gn 32:7-12). Mas, no vale do Jaboque, teve um encontro que marcou o resto da sua vida. Seu nome foi mudado para Israel, e viu Deus “face a face” (Gn 32:22-30). Ao encontrar Esaú, reconciliou-se com ele e o abraçou com perdão e amor.
Conclusão: Em suas experiencias com Deus, vemos que Jaco teve seu caráter transformado. De oportunista e enganador, passou a ser humilde, sofredor, paciente, longânimo, altruísta. Foi pela sua paciência e graça que Deus escolheu Jacó, em lugar de Esaú. Quando damos lugar ao Espírito Santo, Ele nos transforma radicalmente o caráter. Amém

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