“O verdadeiro missionário não caminha com a intenção de receber, mas de dar”
Para deixar seu país e sair em missão, é preciso ser movido pelo principal impulso: o amor. Segundo o apóstolo Marcelo Brinholi, integrante da Missão Mãos Estendidas (MME), só assim é possível se doar ao propósito de Deus e às pessoas. “Acredito que primeiro a paixão, o amor e a intercessão”, disse Brinholi em entrevista ao Guiame durante viagem no Malawi. “Um bom missionário começa orando pelas nações e contribuindo para as nações. Depois as outras coisas só vem a acontecer na vida dele”. Brinholi acredita que, para ser um missionário, é preciso ter vocação, paixão, intercessão e investimento. “Para ser um missionário, você não pode caminhar com a intenção de receber. O verdadeiro missionário caminha com a intenção de dar”, destacou. Além de estar envolvido em missões, Brinholi é líder do Ministério Apostólico Para as Nações, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Sua paixão pela África surgiu antes mesmo de iniciar o ministério pastoral e nasceu também no coração de sua esposa, Adriana. Embora a MME lide com um contexto de miséria, Brinholi diz que o projeto não se move pela miséria dos africanos, mas “pelo amor”. “Não podemos alimentar o sentimento de miséria em ninguém”, afirmou. “Viemos com essa proposta de mudança interior, para que haja uma mudança exterior. Não alimentamos esse sentimento em nós, muito menos neles. Acreditamos que podemos levá-los a ver a vida com outros olhos”. Tendo o Islã como a religião de maior número de adeptos, a África oferece muitos riscos aos missionários por causa do extremismo religioso e terrorismo. Ainda assim, Brinholi cita a frase do apóstolo Paulo em Atos 20:24: “não tenho minha vida por preciosa”. “Eu acredito que o amor é parte fundamental, não pensamos em nós mesmos. Viemos com a intenção de dar. Estamos aqui e não estamos pensando em nossa casa, estamos vivendo esse momento. O coração fica conectado com o propósito de Deus e com as pessoas. O coração não fica pensando no ar condicionado ou na cama. Nós realmente nos entregamos e viemos com um propósito específico, de todo o coração”, disse o pastor. Quando o líder se apaixona por missões, a Igreja também é despertada pelos não alcançados. “Quando a minha esposa veio [à África] pela primeira vez, a igreja cresceu muito no conceito de missões, teve seu incendiado por uma paixão e passou a investir mais em missões. A igreja também cresceu porque nosso coração fica mais quebrado, mais sensível às necessidades das pessoas e à voz do Espírito Santo”, declarou Brinholi.
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quinta-feira, 25 de abril de 2019
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
BlogIEP Entrevista: MICHELLE BOLSONARO
Márcia Resende conversa com a futura primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, que fala sobre sua vida com Deus, ministério, chamado, família, entre outras curiosidades. Confira:
Fonte: http://redesuper.com.br
quinta-feira, 19 de julho de 2018
BlogIEP Entrevistas: As pessoas não nascem gays, diz autor de livro sobre a homossexualidade.
Ciência revela que as pessoas não nascem gays
Em uma entrevista concedida ao jornal espanhol El Pais sobre seu livro “Compreender e sanar a homossexualidade”, Richard Cohen, quem se define a si mesmo com um “ex-gay”, afirmou que a Associação Norte-americana de Psicologia depois de muitas investigações chegou à conclusão de que as pessoas não nascem homossexuais. O livro do Cohen foi colocado à venda em 2004. Em 2012 a editorial LibrosLibres fez uma nova edição que recebeu a aceitação do público incluindo os leitores homossexuais. Entretanto o movimento de lésbicas, gays, transexuais e bissexuais (conhecido pela sua sigla LGTB) pediu que o livro fosse retirado das livrarias o qual foi considerado como um ataque à liberdade de expressão. Na entrevista ao El Pais e explicando a verdadeira origem da homossexualidade, Cohen afirmou que “em 2008, a Associação Norte-americana de Psicologia disse que embora houvesse muitas investigações sobre as possíveis causa genéticas, biológicas ou hormonais da orientação sexual, não houve descobertas que permitam aos cientistas chegar à conclusão de que a orientação sexual esteja determinada por um ou vários fatores particulares. A ciência diz que as pessoas não nascem gays”.
Ao ser perguntado se a homossexualidade é um fator biológico o autor do livro sustentou que aqueles que experimentam sentimentos homossexuais são homens e mulheres extremamente sensíveis e assinalou que eles “vivem uma relação com seus pais, com seus companheiros e com seu entorno, deferente à dos seus irmãos e às de outras pessoas ao seu redor. Essa sensibilidade pode assentar as bases para os sentimentos homossexuais”. O autor do livro, que nos últimos 21 anos trabalhou como psicoterapeuta, confessa que suas reflexões partem de uma experiência pessoal e manifestou que “eu mesmo vivi como gay, tive um companheiro gay durante três anos”. Entretanto durante muito tempo Cohen sofreu por viver nesse estado e reconheceu que não recebeu ajuda porque “muitos terapeutas me diziam que eu tinha nascido gay, que não havia nada a ser feito. Que eu devia aceitar e viver uma vida gay”. O autor explicou que atrás das pessoas homossexuais quase sempre há uma história de dor que preferem ocultar. “Sob meu desejo pelos homens havia uma ferida. Não recordava que meu tio tinha abusado sexualmente de mim. É algo que reprimi durante 25 anos, até que fiz minha terapia. Então encontrei a um mentor masculino, heterossexual. Quando experimentei o luto por esse abuso minhas tendências homossexuais desapareceram”. Ao referir-se às causas da homossexualidade Cohen sustenta que o abuso sexual é uma das razões e explicou que “nunca é uma coisa só. É uma combinação de vários fatores. 50 por cento de meus clientes sofreu abuso sexual por parte de alguém do mesmo sexo”. Logo depois de assinalar que os homossexuais são uma porcentagem pequena da população e muitos deles seguem sentindo-se mal consigo próprios apesar de seu bom estado físico já que “não importa quantos músculos desenvolvam, mesmo assim eles se sentem inferiores interiormente”. Richard Cohen explicou logo que é um mito afirmar que se nasce gay porque cientificamente isso não é válido. “Mas tampouco se pode dizer que ser gay seja uma opção. A pessoa não acorda um dia e decide ser gay. Há uma série de fatores combinados que fazem que alguém se comporte como gay. Tratando centenas de homossexuais venho descobrindo que há uma série de contextos comuns em todos eles”, acrescentou.
Finalmente Cohen disse que “nas biografias dos famosos fica claro também: tiveram experiências similares. Rosie O’Donnell, Greg Luganis, Elton John, Ricky Martin, Ellen DeGeneres… todos têm histórias semelhantes.
Fonte: ACI Digital
Em uma entrevista concedida ao jornal espanhol El Pais sobre seu livro “Compreender e sanar a homossexualidade”, Richard Cohen, quem se define a si mesmo com um “ex-gay”, afirmou que a Associação Norte-americana de Psicologia depois de muitas investigações chegou à conclusão de que as pessoas não nascem homossexuais. O livro do Cohen foi colocado à venda em 2004. Em 2012 a editorial LibrosLibres fez uma nova edição que recebeu a aceitação do público incluindo os leitores homossexuais. Entretanto o movimento de lésbicas, gays, transexuais e bissexuais (conhecido pela sua sigla LGTB) pediu que o livro fosse retirado das livrarias o qual foi considerado como um ataque à liberdade de expressão. Na entrevista ao El Pais e explicando a verdadeira origem da homossexualidade, Cohen afirmou que “em 2008, a Associação Norte-americana de Psicologia disse que embora houvesse muitas investigações sobre as possíveis causa genéticas, biológicas ou hormonais da orientação sexual, não houve descobertas que permitam aos cientistas chegar à conclusão de que a orientação sexual esteja determinada por um ou vários fatores particulares. A ciência diz que as pessoas não nascem gays”.
Ao ser perguntado se a homossexualidade é um fator biológico o autor do livro sustentou que aqueles que experimentam sentimentos homossexuais são homens e mulheres extremamente sensíveis e assinalou que eles “vivem uma relação com seus pais, com seus companheiros e com seu entorno, deferente à dos seus irmãos e às de outras pessoas ao seu redor. Essa sensibilidade pode assentar as bases para os sentimentos homossexuais”. O autor do livro, que nos últimos 21 anos trabalhou como psicoterapeuta, confessa que suas reflexões partem de uma experiência pessoal e manifestou que “eu mesmo vivi como gay, tive um companheiro gay durante três anos”. Entretanto durante muito tempo Cohen sofreu por viver nesse estado e reconheceu que não recebeu ajuda porque “muitos terapeutas me diziam que eu tinha nascido gay, que não havia nada a ser feito. Que eu devia aceitar e viver uma vida gay”. O autor explicou que atrás das pessoas homossexuais quase sempre há uma história de dor que preferem ocultar. “Sob meu desejo pelos homens havia uma ferida. Não recordava que meu tio tinha abusado sexualmente de mim. É algo que reprimi durante 25 anos, até que fiz minha terapia. Então encontrei a um mentor masculino, heterossexual. Quando experimentei o luto por esse abuso minhas tendências homossexuais desapareceram”. Ao referir-se às causas da homossexualidade Cohen sustenta que o abuso sexual é uma das razões e explicou que “nunca é uma coisa só. É uma combinação de vários fatores. 50 por cento de meus clientes sofreu abuso sexual por parte de alguém do mesmo sexo”. Logo depois de assinalar que os homossexuais são uma porcentagem pequena da população e muitos deles seguem sentindo-se mal consigo próprios apesar de seu bom estado físico já que “não importa quantos músculos desenvolvam, mesmo assim eles se sentem inferiores interiormente”. Richard Cohen explicou logo que é um mito afirmar que se nasce gay porque cientificamente isso não é válido. “Mas tampouco se pode dizer que ser gay seja uma opção. A pessoa não acorda um dia e decide ser gay. Há uma série de fatores combinados que fazem que alguém se comporte como gay. Tratando centenas de homossexuais venho descobrindo que há uma série de contextos comuns em todos eles”, acrescentou.
Finalmente Cohen disse que “nas biografias dos famosos fica claro também: tiveram experiências similares. Rosie O’Donnell, Greg Luganis, Elton John, Ricky Martin, Ellen DeGeneres… todos têm histórias semelhantes.
Fonte: ACI Digital
quinta-feira, 26 de abril de 2018
BlogIEP entrevistas: Joel Engel Junior "Jovem compartilhando o amor de Deus"
"Eu não compartilho do amor de Deus só no futebol".
Com apenas 10 anos de idade, ele descobriu que queria fazer do futebol, uma ferramenta de evangelismo e resgatar jovens do mundo das drogas. Atualmente líder do projeto “Time de Jesus” (fruto do Ministério Engel), Joel Engel Junior tem compartilhado do amor de Cristo com jovens atletas. Junior passou a integrar oficialmente a equipe Sub 17, do E. C. Bragantino (SP). A chegada do jovem atleta à equipe, marca uma parceria entre o Time de Jesus e o clube paulista, contando com apoio do treinador Sérgio e dos membros da comissão técnica, Leandro e Rodrigo. Em entrevista exclusiva ao Portal Guiame, Joel Engel Junior, filho do Pr Joel Angel, falou sobre os seus planos profissionais, ministeriais, evangelho e futebol. Confira a entrevista na íntegra, logo abaixo:
Guiame: Há poucos dias uma parceria entre o Time de Jesus e o E. C. Bragantino (SP) ganhou mais solidez com a sua entrada para o clube. Quais são os teus planos daqui em diante?
Junior: A partir de agora, os meus planos são: começar a trabalhar no clube, me esforçando fisicamente. Oro para que Deus me abençoe nesta nova fase. Estou em busca de coisas maiores no futebol, abrindo assim, mais portas para os meus companheiros do Time de Jesus.
Guiame: Apesar da sua tão recente chegada ao clube, você já teve a oportunidade de evangelizar um atleta do time e orar por ele. Como foi esta experiência?
Junior: Um dia antes do jogo pelo campeonato paulista contra o time do Red Bull, o goleiro titular do time foi mandado embora para casa, porque machucou o ombro. Então perguntei se ele queria que eu orasse por ele. Ele me respondeu que sim. Vi nesta situação uma oportunidade de evangelizar e perguntei a ele: “Se tu fores curado, tu entregas tua vida para Jesus?”. Para a minha surpresa, ele me respondeu que entregaria a vida dele a Jesus de qualquer jeito – sendo curado ou não. Então orei pela cura dele e também o ensinei a orar, entregando sua vida a Cristo.
Guiame: Em tempos como estes de Copa do Mundo, evangelismo e futebol têm caminhado de mãos dadas em diversos projetos. Como se dá abordagem da pregação do evangelho para atletas? É diferente da abordagem “convencional” em algum ponto?
Junior: Neste caso, ser um atleta facilita um pouco as coisas. Se você está no lugar dele, convive no mesmo ambiente, deixa o jogador mais mais confortavel pra ouvir falar de Jesus. Tem sempre um momento certo pra falar. Quando você tem a oportunidade de falar algo para um grupo inteiro, quando você se torna amigo de alguém do time ou nos “melhores” casos, quando um atleta está em um momento ruim. Atletas são diferente em alguns pontos. Normalmente jogadores de futebol têm um ego muito inflado e muitos acham que não precisam de Deus. Então, quando você encontra alguém em decadência ou como no caso deste rapaz por quem orei – havia sido dispensado – você encontra um atleta muito mais aberto.
Guiame: O Time de Jesus conta com o apoio do Ministério Engel. Em que áreas esta ajuda tem sido essencial para o projeto?
Junior: O Ministério Engel tem nos apoiado de todas as formas possíveis. Nas áreas moral, espiritual, financeiro, logistico, etc. Esta ajuda tem sido muito importante para que o projeto se sustente e tem sido indispensável em todos estes pontos.
Guiame: Esta sua descoberta ministerial (evangelizar através do futebol) surgiu relativamente “cedo” em sua vida (com apenas 10 anos de idade). O que você tem a dizer para jovens que ainda não se acham prontos para começar a trabalhar em algum ministério?
Junior: Não é preciso ter um trabalho específico para compartilhar do evangelho. Basta querer somar no Reino de Deus. Eu não compartilho do amor de Deus só no futebol ou então porque quero que Deus me faça um jogador profissional talentoso. Faço isso em qualquer lugar, porque se eu amo a Jesus, não tem como não falar dEle.
Fonte: Portal Guiame - Por João Neto - Colaboração Gabriele Engel
Com apenas 10 anos de idade, ele descobriu que queria fazer do futebol, uma ferramenta de evangelismo e resgatar jovens do mundo das drogas. Atualmente líder do projeto “Time de Jesus” (fruto do Ministério Engel), Joel Engel Junior tem compartilhado do amor de Cristo com jovens atletas. Junior passou a integrar oficialmente a equipe Sub 17, do E. C. Bragantino (SP). A chegada do jovem atleta à equipe, marca uma parceria entre o Time de Jesus e o clube paulista, contando com apoio do treinador Sérgio e dos membros da comissão técnica, Leandro e Rodrigo. Em entrevista exclusiva ao Portal Guiame, Joel Engel Junior, filho do Pr Joel Angel, falou sobre os seus planos profissionais, ministeriais, evangelho e futebol. Confira a entrevista na íntegra, logo abaixo:
Guiame: Há poucos dias uma parceria entre o Time de Jesus e o E. C. Bragantino (SP) ganhou mais solidez com a sua entrada para o clube. Quais são os teus planos daqui em diante?
Junior: A partir de agora, os meus planos são: começar a trabalhar no clube, me esforçando fisicamente. Oro para que Deus me abençoe nesta nova fase. Estou em busca de coisas maiores no futebol, abrindo assim, mais portas para os meus companheiros do Time de Jesus.
Guiame: Apesar da sua tão recente chegada ao clube, você já teve a oportunidade de evangelizar um atleta do time e orar por ele. Como foi esta experiência?
Junior: Um dia antes do jogo pelo campeonato paulista contra o time do Red Bull, o goleiro titular do time foi mandado embora para casa, porque machucou o ombro. Então perguntei se ele queria que eu orasse por ele. Ele me respondeu que sim. Vi nesta situação uma oportunidade de evangelizar e perguntei a ele: “Se tu fores curado, tu entregas tua vida para Jesus?”. Para a minha surpresa, ele me respondeu que entregaria a vida dele a Jesus de qualquer jeito – sendo curado ou não. Então orei pela cura dele e também o ensinei a orar, entregando sua vida a Cristo.
Guiame: Em tempos como estes de Copa do Mundo, evangelismo e futebol têm caminhado de mãos dadas em diversos projetos. Como se dá abordagem da pregação do evangelho para atletas? É diferente da abordagem “convencional” em algum ponto?
Junior: Neste caso, ser um atleta facilita um pouco as coisas. Se você está no lugar dele, convive no mesmo ambiente, deixa o jogador mais mais confortavel pra ouvir falar de Jesus. Tem sempre um momento certo pra falar. Quando você tem a oportunidade de falar algo para um grupo inteiro, quando você se torna amigo de alguém do time ou nos “melhores” casos, quando um atleta está em um momento ruim. Atletas são diferente em alguns pontos. Normalmente jogadores de futebol têm um ego muito inflado e muitos acham que não precisam de Deus. Então, quando você encontra alguém em decadência ou como no caso deste rapaz por quem orei – havia sido dispensado – você encontra um atleta muito mais aberto.
Guiame: O Time de Jesus conta com o apoio do Ministério Engel. Em que áreas esta ajuda tem sido essencial para o projeto?
Junior: O Ministério Engel tem nos apoiado de todas as formas possíveis. Nas áreas moral, espiritual, financeiro, logistico, etc. Esta ajuda tem sido muito importante para que o projeto se sustente e tem sido indispensável em todos estes pontos.
Guiame: Esta sua descoberta ministerial (evangelizar através do futebol) surgiu relativamente “cedo” em sua vida (com apenas 10 anos de idade). O que você tem a dizer para jovens que ainda não se acham prontos para começar a trabalhar em algum ministério?
Junior: Não é preciso ter um trabalho específico para compartilhar do evangelho. Basta querer somar no Reino de Deus. Eu não compartilho do amor de Deus só no futebol ou então porque quero que Deus me faça um jogador profissional talentoso. Faço isso em qualquer lugar, porque se eu amo a Jesus, não tem como não falar dEle.
Fonte: Portal Guiame - Por João Neto - Colaboração Gabriele Engel
quinta-feira, 25 de maio de 2017
BlogIEP Entrevistas: Depressão tem cura?
O que é depressão? Como detectar? Cristãos tem depressão? Qual é o papel da igreja?
Todas essas questões são tratadas na entrevista do Expositor Cristão, com a participação de Valquiria Leite Moraes, presidente do núcleo Pequeno Cidadão, e da Pastora metodista Andreia Fernandes, coordenadora Nacional de Escola Dominical.
Confira a matéria completa e faça download da edição de abril do Jornal EC no site: www.expositorcristao.com.br
terça-feira, 25 de abril de 2017
BlogIEP Entrevistas: Daniel Mastral
Um alerta para aqueles que professam a fé no evangelho de Jesus Cristo.!
Guia-me: O Espiritismo causa uma sensação de conforto em muitas pessoas, por oferecer a possibilidade de ainda manter contatos com entes queridos que já faleceram. Como é feito esse contato espiritual? Há ação de espíritos malignos nesse processo?Daniel Mastral: É preciso expor, antes, o conceito majoritário; o das escrituras sagradas. É notório que a Palavra condena de forma veemente a consulta aos mortos: ''Quando, pois, vos disserem: consultai os que tem espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos consultam os mortos?'' (Isaías 8:19). Chilrear: Que gorgolejam, emitem sons repetidos em pequenos intervalos, ou falam sem parar. Algo como um ''mantra''. Tal prática condenada por Deus, era muito praticada por outros povos. Vemos isso de forma explicita em Ezequiel 21:21 - ''Porque o Rei da Babilônia parará na encruzilhada, no cimo dos dois caminhos, para fazer adivinhações; aguçará a suas flechas, consultará as imagens, atentará para o fígado''. Fácil notar que há uma forma ritual neste procedimento. Um local específico: a encruzilhada. Outro ponto a salientar; o termo ''Fígado''. Do hebraico Kabed - significa pesado. É a víscera mais volumosa do corpo humano. Há várias referências nas escrituras ao fígado. Os povos pagãos utilizavam este para prática de adivinhações, algo como os quiromantes fazem hoje em dia. Esta prática era chamada de hepatoscopia. Este tipo de ritual atravessou o tempo, e chega às camadas mais baixas da magia contemporânea. Porém, seu lastro é o engano! O próprio Rei Saul, em uma atitude desesperada procura uma médium para estabelecer contato com o profeta Samuel, já morto. Aqui vemos de forma clara o porque que Deus proíbe tal ato. Saul deixou todos os recursos que possuira para entrar em contato com Deus: Por revelação pessoal - por sonhos; através do Urim e Tumim que era, na época, um tipo de revelação Sacerdotal (Exôdo 28:30); ou pelos profetas. Se Deus proíbe a comunicação com os mortos, é evidente que tal prática não tem a benção do Senhor. Leia o texto de Lucas 16:19-31 Os demônios podem se manifestar, inclusive como anjos de luz. São especialistas em enganar! Não era o profeta que ali estava, mas sim uma entidade demoníaca afim de lançar a semente do engano e profanar o que é santo! Deus não usa instrumento sujo! Como Deus iria usar alguém envolvido com as trevas, com adivinhação, para ser canal de ''Benção''? Luz e trevas não se misturam. O mesmo manto de engano cobre a visão de muitos, quanto acreditam na fábula de que crentes podem ficar possessos! Idéia estapafúrdia! Pois ser possesso, significa ter posse, possuir. Quem está em Cristo, está na luz! Pertence a Jesus e, a chancela, a marca, é a presença do Espírito Santo. Crente não fica possesso. Mas, pode ficar opresso. São coisas bem distintas. Portanto, esta sensação de ''conforto'' é ilusória e pode direcionar vidas a caminhos tortuosos. Certa vez um homem me procurou dizendo que ''Deus'' tinha dito a ele para se separar da esposa. Quando indaguei como aquilo foi concluído por ele, ele me respondeu que foi uma entidade que tomou posse de um bispo e que dizia que era o ''Arcanjo Gabriel'' e trazia a palavra de Deus sobre a vida dele! O mais incrível era que o casamento dele estava perfeito! Não havia nada que justificasse uma separação. Mas ele estava convicto! Orei com ele, aconselhei e, graças ao Pai, ele entendeu que fora enganado. O Diabo faz isso: rouba a fé, engana as vidas, mata as esperanças! O conforto está em Cristo, paz só Jesus pode dar! O resto é ilusão, engano!
Guia-me: Não se vê muitos casos de conflitos entre os adeptos do espiritismo. Você acredita que o fato deles não ''perderem tempo'' com discussões doutrinárias facilita o fortalecimento desta religião?
Daniel Mastral: Sem sombra de dúvida. O adversário é um ser inteligente. Sabe que casa dividida não prevalece. Por isso, há muita unidade entre eles. Há ajuda mútua. Que resulta em uma história com poucas manchas. O ensinamento é uniforme, linear, contém uma espinha dorsal bem estruturada. E, não saem desta linha central, contendo apenas pequenas variações de ritos. Mas a essência é sempre a mesma. Jamais ouvi um espírita falar mal de outro! Há adeptos do espiritismo que não temem em nada serem julgados os taxados, mesmo sendo pessoas públicas. Falam abertamente de sua crença e seus valores. Como o exemplo do Arthur Conan Doyle, um fã entusiasta da doutrina. A Bíblia condena veementemente qualquer forma de contato que resulte em adivinhação via mortos, ou espíritos desencarnados. (LV 20:27 ) A Pena era a morte! O que nos falta, como crentes, é ter esta sinceridade, esta convicção plena, esta fé! Lembrando que fé, esta descrita entre os dons! I Co 12:9 - se reporta a fé como um dos dons! Se todo crente precisa ter fé - pois o termo crente presume que cremos em algo, neste caso, Jesus como nosso Senhor absoluto - há também um novo mover de fé, a fé sobrenatural. A Fé que Pedro teve ao andar sobre as águas. A Fé que Moisés teve ao marchar... Deus não disse a ele: ''Moisés, marche, confie em mim, eu vou abrir o mar, e seus inimigos perecerão. Mas eu os conduzirei a outra margem a salvo!''. Deus não disse nada, apenas deu a ordem. Fé é isso! A fé sobrenatural, pautada naquilo que não vemos, que nossa lógica não compreende. Nos falta esta dimensão de fé! De falar não apenas de um Deus que ouvimos falar. Mas de um Deus vivo, que vive em nossas vidas, nossas atitudes, pensamentos e ações. Um Deus real! Quantas oportunidades vejo meus irmãos perdendo quando tem uma lacuna na mídia, ou não, para falar de Jesus e deixam passar por vergonha...!!! Se assim agirmos, Jesus também terá vergonha de nós! Unidade promove a força! Enquanto permanecermos divididos seremos alvos fáceis do adversário. Aproveitando o ensejo: Há pouco tempo foi proposto que todos, no mundo todo, apagassem as luzes durante uma hora. Uma hora de trevas...Curiosamente no dia 27 de março! Não por acaso, evidentemente. Porque não propormos uma hora de oração diária? Uma hora de consagração. Não uma vez ao ano. Mas todos os dias!? Já pensou nisso? Uma sugestão: Ao meio dia! Foi nesta hora, pelo nosso calendário que ocorreu a crucificação de Jesus. É a hora que marca o novo testamento, o sangue do Cordeiro derramado por nós! Hora de nossa redenção. Não faça como um ''ato profético''. Mas como um momento de consagração. Não pode fazer uma hora? Não pode abrir mão de seu horário de almoço? Separe, ao menos um minuto. Faça a diferença!
Guia-me: As boas obras são um ponto forte do Espiritismo, atraindo a muitos por essa questão também. Este pode ser um alerta para os cristãos (evangélicos)?
Daniel Mastral: Sim. Se você tem o poder de fazer o bem a alguém e diz ''passe amanhã!'', que Cristianismo é este? Muitos crentes têm migrado para o espiritismo por estarem decepcionados com o mover de muitas Igrejas e Ministérios. Ministérios contaminados com o pecado. Que promovem dor, chagas, feridos, abandono ao rebanho. Quantos eu conheci como Saul? Muitos! Muitos a quem eu nutria respeito, que comeram à minha mesa, se inclinaram a BAAL do nosso século. Ao orgulho, a soberba, a inveja, a corrupção. Quantas vezes eu fui banido de Congressos pelo simples fato de não aceitar um roteiro pré-estipulado cujo único propósito era enganar, extorquir, saquear o bolso dos irmãos? Vendas de corda ungida que amarra satanás, vassoura consagrada que varre o diabo de sua vida. Até as ferraduras da mula de Balaão são alvos comerciais. ''Quer ver os anjo do Senhor? Receba a unção da Mula! Leve as ferraduras sagradas para sua casa - as 4 - e verás a o mundo espiritual''. Comércio! Jesus expulsou mercadores do Templo! Quanto engano tem entrado em nosso meio? Quanto roubo? Quantas mentiras? Congressos de Cura sem cura. Cruzada de Milagres, sem milagres. Congressos de Batalha Espiritual, sem vitórias... Mas sobejando pedidos de dinheiro, desafios, ofertas de sacrifício, etc. Jesus já se sacrificou por nós! Há, sim a oferta voluntária, sem ser orquestrada, sem imposição pelo medo, feita por amor... Eu, como pai, procuro dar o melhor ao meu filho. Às vezes, faço sacrifícios. Deixo de pagar uma conta, ou me privo de algo que gostaria de ter para mim, por exemplo. Mas o faço por amor, não por temor. O que deve nos mover é o amor. No Novo Testamento a lei caiu. E a premissa que fica é o amor. Ame a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Quem ama dá o melhor, sempre! O Povo está sedento e quer ouvir a voz de Deus! Uns pregam: ''Aqui é o local! Pois só aqui você vê os milagres!''. Mas a marca de Cristo, não são os milagres, e sim o amor! ''Nisso reconhecerão que sois meus discípulos, se amardes uns aos outros'' Jo 13:35 A chancela de Cristo é o amor! Sinais... prodígios... Isso os falsos profetas também fazem. Simão mágico fazia. Enganou muita gente. Até batizado ele era! Quando verem muitos sinais mas no fim tentarem te vender o cimento ungido, o tijolo consagrado, a espada de Davi, etc... Fuja! Deus não está ali! Se estiver diante de um homem que fala muito bem sobre ofertas, que te coloca medo, que te ameaça caso você nada tenha para dar, fuja! Você está diante de um profissional da fé! O que Paulo nos ensina? I Co 16:1-2 ... ''ponha parte do que puder ajuntar segundo a sua prosperidade...''. Dê o melhor que pode, faça por amor. Se não tem chamado para a trincheira, mande provisões para a trincheira. Mas não faça disso um negócio! O que os Apóstolos faziam? ''E perseveraram na doutrina dos Apóstolos, a na comunhão, e no partir do pão e nas orações''. Atos 2:42. Apóstolo ama, divide, soma, não fica de olho no pão do próximo, não é orgulhoso... Em suma, para ganharmos almas para Jesus e resgatarmos os perdidos temos, antes que restaurar nossas vidas, nosso Altar. Nossos corações. Assim seremos instrumentos de libertação. Com o pecado, muitas vezes a Igreja passa a ser instrumento de destruição, como foi na Inquisição, nas Cruzadas... É tempo de voltar aos braços do Pai, pedir perdão, confessar os nossos pecados e deixa-los. Assim alcançaremos a misericórdia e seremos um com o Pai!
Guia-me: Ícone do Espiritismo, Chico Xavier relatou que aos cinco anos de idade já via espíritos e conversava com eles. O que poderia causar este fenômeno de crianças terem contatos como estes, mesmo que elas não os procurem?
Daniel Mastral: Satanás escolhe pessoas que ele julga que têm potencial. Que têm influência sobre as massas. Que podem ser veículos poderosos na propagação de idéias e doutrinas que fogem dos preceitos de Deus. Muitos caem nesta malha de engano sem notarem. Como um inseto cai na teia de uma aranha. Aos poucos vão se envolvendo, se aprofundando...e sua mente fica cauterizada. Um exemplo clássico disso é a tal da ''Santa Morte'' cultuada no México! Eles adoram uma ''Santa'' cujo semblante é de uma caveira! Rezam para morte pedindo pela vida! Tal paradoxo é fruto de uma contaminação profunda lançada ali pelos Astecas, que matavam em escala industrial. Creio no amor e na misericórdia de nosso Deus. Pois se alguém entra em uma seita, uma doutrina, no engano, na inocência, Deus usa de sua misericórdia. Seria muito simplista e egoísta dizer que pessoas assim vão arder no inferno. Pois se nós, conhecendo a verdade, o caminho, e a vida, muitas vezes cometemos atos abomináveis, o que não dizer dos que estão na escuridão? Enganar uma criança é sempre mais fácil... Por isso há sobre as crianças um forte e intensivo ataque. Porém, não vamos subestimar o Poder restaurador de Deus, o Todo Poderoso, que pode transformar maldição em benção, morte em vida! Nisso é muito importante a Igreja, pois esta é o instrumento de resistência. O meio para que o Pai atinja o fim: salvar as vidas, libertar os cativos! Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje. Pois talvez... amanhã não exista mais. É tempo de fazer parte da história. De mudar o rumo de vidas perdidas, e leva-las as veredas da justiça de Cristo!
Guia-me: Em Hebreus 9.27 a Bíblia diz: ''Cada pessoa tem de morrer uma vez só e depois ser julgada por Deus''. Porém Allan Kardec reinterpretou a Bíblia, afirmando que a lei é: ''nascer, morrer e renascer ainda e progredir sempre''. Quais critérios foram utilizados pelo autor para que se chegasse a tal conclusão?
Daniel Mastral: Tal conceito remonta as seitas Orientais, como o Budismo, por exemplo. Para atingir o Nirvana e escapar da roda da vida, que é manifestada na forma de um sofrimento constante. O segredo seria o desapego das coisas materiais, pois é isso que faz o homem sofrer. Ele não criou um conceito, apenas compilou conceitos já existentes, e elaborou uma nova seita com bases mais palatáveis e que poderiam agregar mais adeptos. Porém, em uma análise simples, podemos depreender que se estamos em um processo evolutivo da raça humana através da purificação da reencarnação. Não seria plausível que, ao passar dos anos, das décadas, dos séculos, gozaríamos de um mundo cada vez melhor. Mais humano, mais solidário, com mais amor, mais auxilio. Menos violência, menos corrupção, menos mentira, menos orgulho, etc??? Tal conceito é utópico, irreal. Não é assim que vemos o mundo a nossa volta. Na verdade caminhamos para o caos. Cataclismos, violência, mortes, drogas, inversão de valores morais, etc. Estamos cada vez mais perto da vinda do anticristo! E espalhar estas doutrinas servem para confundir as mentes. Vemos, agora um culto velado a esta doutrina, sendo semeado em novelas, filmes, documentários, livros, etc. Há quem acredite em vampiros. Há quem acredite que se tomar o chá do dai-me você vê o mundo espiritual. Há quem creia que o homem nunca foi à Lua. Mas este crer, não é reflexo da verdadeira fé! É um crer pautada na razão humana, temporal, passageira, limitada. Importante mesmo é crer em Jesus Cristo, pois só Ele nos dá a paz que transcende o entendimento. Só Ele nos conduz à vida eterna. Só Ele tem o Poder de mudar as nossas vidas! Pois é Senhor dos senhores e Rei dos reis! Ele está voltando... você está preparado?
Fonte: http://guiame.com.br (Por João Neto)
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
BloIEP entrevistas: Presbítero Manoel Canuto
Entrevista sobre Reverência no Culto Evangélico
Jornal da UMP:
1. O Sr. concorda que o aspecto da reverência no culto evangélico é algo que precisa ser revisto e melhorado?
Presbítero Manoel Canuto:
Sim. Há muito tempo venho pensando neste assunto, pois comparo os nossos dias aos dias que antecederam a Reforma Protestante do século XVI. Os crentes estão esquecidos de que culto é a razão da nossa existência. O Breve Catecismo (Westminster — feito pelos Puritanos) pergunta e responde: “Qual o fim principal do homem? O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre”. Os reformadores não faziam diferença entre o culto na igreja e a vida diária. É verdade que se deve manter distinção entre o que é secular e sagrado. Na verdade a Reforma não rejeitou tal distinção, mas rejeitou a hierarquia ligada a ela, como se uma fosse mais importante ou mais espiritualmente aceitável a Deus do que a outra. Não podemos negar que no culto judaico havia aquilo que era separado por Deus e santificado e o que era comum (louças, panelas, vasos). Os vasos do templo eram sagrados, mas os de casa eram comuns. Hoje muitos pensam que tudo é santo. O que os puritanos queriam era acabar com a idéia romana de que se podia viver duas vidas: uma secular e uma santa. Para o cristão tudo deve ser feito em santidade para a glória de Deus. Este é um princípio que devemos estar lembrados sempre. Por outro lado, nos cultos e na adoração corporativa, em conjunto, do povo de Deus, na igreja, estamos vivendo uma época de grande irreverência. A nossa geração não sabe o que é ser reverente, não sabe o que é culto solene. O culto, com freqüência, tem sido um ajuntamento para um encontro social; a igreja é local de divertimento, lazer; o louvor apresentado a Deus tem sido uma ocasião de não glorificação do nome de Deus, mas primariamente um momento de entretenimento ou prazer humanos. Hoje, se vê adoração através de shows de bandas musicais, em que o “embalo” é a ênfase; as pessoas gritam, gemem; as letras dos cânticos são dúbias, você não sabe se é Deus ou um galã apaixonado o que é destacado nestes cânticos; os cantores e grupos musicais não têm vida espiritual (com exceções) e cobram ingressos para louvar a Deus, comercializando a adoração, e na maioria dos casos tudo é transformado em uma apresentação mundana. Nas igrejas se vende, se troca, se faz negócios (livros, bíblias, “presentinhos”, camisas, chaveiros, quinquilharias, etc.); as crianças não participam dos cultos porque não podem mais obedecer aos pais; as pessoas conversam, riem, dormem; uns ficam do lado de fora; as roupas são segundo o padrão do mundo, curtas, excitantes, etc. A moda agora é substituir a pregação por dramatizações e testemunhos. Nossa situação é muito grave. Não tenho me impressionado com o número de igrejas cheias. Pergunto sempre: cheias de quê? Lembro-me de Jesus dizendo: “Tirai daqui estas cousas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio”, e por isso os discípulos se lembraram de um preceito bíblico, esquecido hoje tanto quanto naqueles dias: “O zelo da tua casa me consumirá” (Jo.2:17). Onde está o nosso zelo?
Jornal da UMP:
2. Em sua opinião o que tem contribuído para que algumas comunidades evangélicas enfrentem tantos problemas nesta área?
Presbítero Manoel Canuto:
O primeiro ponto que quero destacar é que as pessoas pensam que podem cultuar a Deus da forma que acham melhor, como lhes agrada. Mas isso não é bíblico. A Confissão de Fé da nossa Igreja (Confissão de Fé de Westminster) diz no capítulo 21 que: “... o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo e tão limitado pela Sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou sugestão de Satanás, nem sob qualquer representação visível, ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras”. Assim, temos de estar lembrados dos preceitos divinos de que: “Tudo o que eu ordeno, observarás; nada lhe acrescentarás, nem diminuirás” (Dt. 12:32); “E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mt. 15:9). Observo também que estamos vivendo a época do pragmatismo. Se der resultado, está certo. Este pensamento é maligno. A pergunta que fazem é: O que é melhor para se ter resultados? Mas a pergunta que temos de fazer é: O que Deus nos ensina? Como deve ser minha adoração? A grande preocupação hoje dos pastores e líderes no culto é agradar aos ouvintes e especialmente aos visitantes. Mas o culto a Deus é uma coisa exclusiva dos verdadeiros crentes; algo dos crentes para Deus e não para agradar a descrentes. Ímpio não adora a Deus ou sua adoração é abominação diante do Senhor. O desejo tem sido agradar a homens e não a Deus.
Isso tem muitas implicações:
I. O culto se transforma em entretenimento para agradar aos participantes e não a Deus.
II. A forma externa do culto tem sido negligenciada. É verdade que o culto tem de ser em espírito e em verdade, mas não podemos ser negligentes com o aspecto externo do culto, pois é através de nossas ações que a nossa alma é expressa a Deus. Não podemos esquecer que Satanás ao tentar Cristo impôs que Ele se prostrasse e o adorasse (Mt. 4:9). Esta é a forma externa de adoração. Nossa adoração deve ser aceitável diante de Deus na sua forma, não só interna, mas externa. Acrescentar elementos ao culto, não prescritos nas Escrituras, é violar a realeza de Cristo.
III. A centralidade do culto não tem sido a pregação e sim as coisas secundárias. A Reforma resgatou esta verdade. Esta é uma das marcas de uma igreja verdadeira: a pregação de todo desígnio de Deus; ela é central no culto. Por isso que as igrejas reformadas têm o púlpito no centro. Mas o que se vê hoje é “louvorzão” e quase nada de pregação. Aqui entra uma questão muito séria. Tenho visto pastores que são culpados de sua congregação nunca aprender o que é reverência, pois são verdadeiros “palhaços do púlpito”, são irreverentes. Usam a Palavra de Deus para contar piadas e ilustrações banais com o propósito de agradarem às pessoas e se fazerem admirados. Lembro de um puritano que, ao ser levado à morte por causa de sua fé, disse para todos que assistiam sua execução: “Eu não tive temor de subir estas escadarias para morrer. Mas eu tive sempre temor de subir as escadarias do púlpito da minha igreja, pois sabia que minha mensagem poderia, tanto salvar como condenar pessoas”. O que os pastores de hoje sabem disso? A pregação é coisa séria e nós não temos visto isso da forma como a Bíblia requer, especialmente no meio dos jovens. Os pregadores acham que falar para jovens implica em ser engraçado, divertido. Nada mais longe da verdade. A pregação da cruz, a morte de Cristo, Sua ressurreição e ascensão; a santificação do crente; a mortificação da carne; a luta contra Satanás e o mundo; a perdição dos ímpios, tudo isso, não tem nada de engraçado. Creio que o que precisamos hoje é de chorar e não de rir. “Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza (Tiago 4:9). Ao invés de cantarmos: “Você tem valor”, deveríamos cantar: “Servo inútil sem valor, mas pertenço ao meu Senhor”.
Jornal da UMP:
3. Será que a atitude irreverente no culto traz conseqüências na vida diária do adorador?
Presbítero Manoel Canuto:
Sem dúvida. Não podemos esquecer que Deus matou Nadabe e Abiú por trazerem fogo estranho a Deus (Lv. 10:1-2). Não sabemos ao certo o que eles fizeram, mas sem dúvida foram irreverentes na forma de adorar a Deus como foram também os filhos do sacerdote Eli, Hofni e Finéias (Sm. 2-4), e por isso Deus os matou. Você vai dizer que isso foi coisa do V.T., mas como explicar o que Paulo nos diz em I Co. 11.29-30: “Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem”. De Deus não se zomba, Ele não se deixa escarnecer, “...pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl.6:7). Deus é um fogo consumidor (Hb. 12:29)!! Nossa geração não sabe nada disso.
Jornal da UMP:
4. A liturgia vibrante e mais participativa buscada hoje pela maioria dos evangélicos pode ser conquistada sem prejudicar a reverência do culto? Como?
Presbítero Manoel Canuto
A liturgia participativa é um legado da Reforma Protestante e dos Puritanos. Eles estavam reagindo ao culto formal, fixo, ininteligível e frio da Igreja Romana e da Igreja Anglicana (o povo ficava passivo). Eles estavam lutando contra todo tipo de tradição humana, extrabíblica. Eles sempre procuraram a autoridade da Bíblia para ter uma forma correta de culto. Há muita coisa escrita sobre isso. A Reforma e os Puritanos restauraram o direito do povo comum de se reunir e louvar conjuntamente a Deus. Mas quero colocar o pensamento de um puritano presbiteriano inglês,
Thomas Cartwright, com respeito aos critérios de um verdadeiro culto:
· Que não seja motivo de tropeço para ninguém (1 Co. 10:32).
· Que tudo seja feito com ordem e decência (1 Co. 14:40).
· Que tudo seja feito para edificação (1 Co. 14:26).
· Que seja feito para a glória de Deus (Rm. 14:6-7).
Na verdade são princípios bíblicos que devem ser obedecidos. Por isso os puritanos quando escreveram a nossa Confissão de Fé afirmaram que todo conselho de Deus deve ser “expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela...quanto ao culto de Deus...”, tem de ser ordenado “...pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras da Palavra, que sempre devem ser observadas” (Cap. I p.VI). O problema é que hoje muitos querem cantar, dançar, bater palmas, usar instrumentos de som estridente, cantar hinos sem conteúdo doutrinário algum, com sinais de uma influência mundana muito grande, onde a carnalidade se salienta travestida de religiosidade e espiritualidade. O cântico dos Salmos não existe em nossas igrejas – nossa maravilhosa herança Reformada nunca foi lembrada apesar de fazer parte dos nossos símbolos de fé: “o cântico de salmos, com gratidão no coração” (CFW cap. XXI.V). A diferença é grande do pensamento Reformado que questiona: “Isto glorifica a Deus?”. Muitos deveriam perguntar: “Este louvor, esta vibração, é para glorificar a Deus ou um fim em si mesmo?“. O que temos visto, infelizmente, é o desejo de se “sentir bem” na adoração. Este não é o propósito da adoração e do louvor, mas sim uma conseqüência. Creio que poderemos ser vibrantes, alegres, tendo a consciência do que Cristo fez por nós, da Sua misericórdia, Sua graça, Sua eleição, Seu chamado eficaz e a promessa da nossa glorificação, através de um culto participativo, onde a ênfase é na pregação, oração, leitura da Palavra e louvor com gratidão no coração. Tudo com ordem e decência, segundo as ordenanças de Deus. Nunca esquecer que a pregação é a mais solene e importante dessas atividades. Se desejamos um culto vibrante, atraente, com danças, mímicas, música em exagero (com composições sem ensino doutrinário), cenários, bandas de rock, perguntamos: de onde provêm estas coisas? Da Bíblia? É claro que não. Não podemos concluir que os que advogam tais coisas o fazem por perderem de vista o poder e a glória de Deus e amor às Escrituras? Não é necessário enxergarmos que está havendo uma necessidade, não destas coisas, mas de um princípio bíblico que regule toda nossa adoração? Muitos oficiais da igreja hoje desconhecem o que é o Princípio Regulador do Culto, tão enfatizado e praticado pelos reformados do passado.
Jornal da UMP:
5. Como entende qual deve ser a abordagem deste assunto atualmente, visto que nossas crianças, adolescentes e jovens, são a geração que se habituou em vidas com velocidades e inquietações dos vídeos-games, vídeos-clips e etc?
Presbítero Manoel Canuto:
Respondo esta pergunta com pesar. O mundo tem ditado as normas para nossa vida e não a Palavra de Deus. O problema hoje é falta de fé. Mas não é falta de fé em Deus, mas falta de fé na Palavra. Ela não tem sido a “única regra de fé e prática” para nós cristãos. Temos procurado o padrão do mundo. O imediatismo dos nossos dias é uma afronta à providência de Deus; é uma parte do querer ver para crer e, se possível, logo. Nossos líderes e pais estão deixando seus filhos cada vez mais ignorantes da Palavra de Deus. Procuramos um jovem consagrado, que conheça a Palavra de Deus, a sã doutrina e que tenha uma vida santa e não achamos (com raras exceções). O imediatismo está patenteado até na forma de se evangelizar: “Venha para frente, levante a mão e estará salvo”. As crianças, os jovens, vêem isso e cada vez mais se afundam nesta concepção imediatista. As palavras paciência, perseverança, submissão, parece que não fazem parte do vocabulário dos nossos jovens. Nunca aprendemos a disciplina na vida cristã. Os jovens não são ensinados a terem “cuidado de si mesmo e da doutrina” (I Tm. 4:16). As práticas mundanas estão entrando na igreja através de uma adoração carnal e os que a praticam são amantes de si mesmos e irreverentes (2 Tm.3:1-5).
Jornal da UMP:
6. O Sr. é um dos coordenadores do “movimento puritano”, há algo na história do puritanismo dirigido a este tema?
Presbítero Manoel Canuto
Não gosto desta expressão “movimento”. E não somos um “movimento”. Todos os movimentos que têm surgido na Igreja hoje são estranhos à Palavra de Deus, são inovações e geralmente heréticos. Na verdade somos um grupo de pessoas desejosas de que haja novamente uma reforma na Igreja. Temos um “projeto” (Projeto Os Puritanos) em mente: resgatar as antigas doutrinas da graça e despertar a Igreja para estas verdades reformadas que podem trazer um grande despertamento ao povo de Deus. São verdades que estão colocadas no “baú”, como dizia o grande pregador batista C. H. Spurgeon; estão esquecidas. Eu mesmo fui fruto deste esquecimento. A Igreja hoje está influenciada por um pensamento humanista, centrado no homem. É claro que a história nos mostra muitas coisas com respeito a esta questão de reverência e culto. Os puritanos foram um grupo de homens e mulheres que mais se preocuparam com a pureza do culto. Toda a Confissão de Fé de Westminster e os catecismos (breve e maior) foram feitos pelos puritanos. Mas não só isso, eles confeccionaram também um Saltério e um Diretório de Culto. O Diretório de Culto já foi publicado pela Editora Os Puritanos, mas infelizmente não temos nosso saltério brasileiro. O tempo não dá, mas poderíamos passar horas falando sobre esta questão da adoração e da reverência entre os puritanos. Posso dizer que, nesta área, o que restou de bom na igreja evangélica (e isto é muito pouco hoje, especialmente por causa da influência liberal, arminiana e do movimento carismático) é fruto das convicções e princípios abraçados pelos puritanos e reformados do passado. Quero sugerir que leiam um número do nosso Jornal que tem o título “Adoração Verdadeira”. Os puritanos defendiam que adoração reverente era um exercício da “mente e do coração, sob forma de louvor, ação de graças, oração, confissão de pecados, confiança nas promessas de Deus e atenção à Palavra de Deus, lida e pregada”. Um puritano disse: “A adoração abrange todo aquele respeito que o homem deve e confere ao Seu Criador... É o tributo que pagamos ao Rei dos reis, o meio pelo qual reconhecemos a sua soberania e a nossa dependência dEle...Toda reverência e respeito interiores, e toda a obediência e serviço externo para Deus, que a Palavra nos impõe, estão embutidos nessa palavra: Adoração”. O chamado príncipe dos Puritanos, John Owen disse: “... a adoração a Deus deve ser ordeira, decente, bela e gloriosa... E, de fato, qualquer adoração que fique aquém dessas qualidades bem pode levantar suspeitas de não ser segundo a mente de Deus... quanto à qualidade da adoração e do serviço que Lhes são prestados, o próprio Deus é o Juiz mais apropriado”. Quero, no entanto, dizer que não queremos imitar em tudo os puritanos, pois eles viveram no século XVII. O Espírito Santo nos orienta para vivermos a vida cristã nesta geração e neste século, mas devemos aplicar nos nossos dias a Palavra de Deus e os princípios eternos derivados dela, coisa que eles tanto enfatizaram nos seus dias. O Movimento Puritano do século XVII foi um movimento de Reforma e é exatamente o que precisamos hoje na Igreja Brasileira.
Jornal da UMP:
7. O movimento em sua forma atual tem alguma preocupação neste aspecto e prevê algum plano de ação neste sentido?
Presbítero Manoel Canuto:
Temos muita preocupação com este tema e por isso já temos abordado a questão em vários de nossos Simpósios anuais (Projeto Os Puritanos), além de apresentarmos vários artigos no “Jornal Os Puritanos” que tratam deste particular. Criamos também a Editora Os Puritanos onde esperamos publicar material nesta área. Aliás, um dos slogans dos puritanos era “Liturgia Pura”. Os puritanos tiveram divergências quanto a tudo isso, mas uma coisa era comum entre eles: A verdadeira e reverente adoração é tirada das Escrituras e não das emoções ou das influências do mundo. O projeto Os Puritanos não estabelece normas cúlticas, mas deixa que as Escrituras falem livremente e com a autoridade devida sobre o assunto através de princípios que o próprio Deus estabeleceu.
Jornal da UMP:
8. Por onde acha que nossas lideranças podem começar atuando de modo a motivar os evangélicos a oferecerem um culto a Deus com mais reverência.
Presbítero Manoel Canuto
O Princípio Regulador do culto é a Sola Scriptura na adoração e não as invenções humanas, a tradição dos homens, mesmo que estas façam as igrejas se encherem e ficarem muito animadas. Mesmo que um anjo do céu venha e nos ensine diferentemente da Bíblia. O movimento carismático católico é muito animado, mas nem por isso está certo. O segredo de tudo é a doutrina. Muitos não gostam quando falamos de doutrina. Mas a pergunta é: em que basearemos nossa adoração para que seja agradável a Deus? A recomendação de Paulo a Timóteo é esta: “... corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina...” (2 Tm. 4:2-3). A doutrina não deve ser algo que fique apenas na mente, mas deve ser experimental, vivenciada. Reverência está associada ao temor a Deus, ao reconhecimento da Sua soberania, da Sua majestade e grandeza. Nossa liderança deve ver com preocupação a influência dos chamados carismáticos. O problema é que hoje nós só sabemos a respeito do que é karisma, através de ensinos pentecostais e não reformados. Isso é muito prejudicial. Poucos professores e pregadores conhecem a verdade sobre a doutrina do Espírito Santo e os dons. Mas esperamos dar alguma contribuição ao traduzir livros e divulgar a literatura sobre o verdadeiro ensino do Espírito Santo. Calvino foi chamado de “O teólogo do Espírito Santo”, mas sabemos muito pouco dos seus pensamentos. Toda esta questão passa por este ensino.
Jornal da UMP:
9. Com que palavras deseja concluir esta entrevista?
Presbítero Manoel Canuto:
Quero terminar dizendo que somente uma pessoa regenerada pode adorar reverentemente a Deus. Deus não ouve a pecadores (João 9:31). Alguém já disse que: “Toda adoração que se origina na natureza morta é apenas serviço morto”. Um puritano disse que “adorar, como uma finalidade em si mesmo, é uma carnalidade; mas ter o desejo de adorar como meio de alcançar o fim, externalizando esse desejo por meio de atos que visam à comunhão com Deus, é algo espiritual, sendo fruto da vida espiritual...”. Charnock (um grande puritano) disse: “A adoração é um ato do entendimento, que se concentra sobre o conhecimento das excelências de Deus e sobre os pensamentos a respeito da majestade dEle...Também é um ato da vontade, por meio do qual a alma adora e reverencia a majestade de Deus, encantando-se diante de Sua amabilidade, abraça Sua vontade, entra em uma comunhão íntima... e deposita nEle todos seus afetos”. Como podemos fazer tudo isso sem entendimento, reconhecimento, quebrantamento, santo temor, júbilo e sem reverência diante da majestade de Deus? Deus busca verdadeiros adoradores, mas não acha e não pode achar, não existem. Por isso Ele regenera, justifica, salva pecadores e os transforma em verdadeiros adoradores pelo Seu Espírito. Tudo é por Sua graça. Que Ele faça isso nos nossos dias; que Deus transforme pecadores e os faça reverentes adoradores.
“Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos nele com tremor” (Sl. 2:11).
Amém.
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Entrevista concedida ao Jornal da UMP em uma Igreja Presbiteriana em Recife no ano de 2000, mas que não foi publicada por razões "desconhecidas".
Jornal da UMP:
1. O Sr. concorda que o aspecto da reverência no culto evangélico é algo que precisa ser revisto e melhorado?
Presbítero Manoel Canuto:
Sim. Há muito tempo venho pensando neste assunto, pois comparo os nossos dias aos dias que antecederam a Reforma Protestante do século XVI. Os crentes estão esquecidos de que culto é a razão da nossa existência. O Breve Catecismo (Westminster — feito pelos Puritanos) pergunta e responde: “Qual o fim principal do homem? O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre”. Os reformadores não faziam diferença entre o culto na igreja e a vida diária. É verdade que se deve manter distinção entre o que é secular e sagrado. Na verdade a Reforma não rejeitou tal distinção, mas rejeitou a hierarquia ligada a ela, como se uma fosse mais importante ou mais espiritualmente aceitável a Deus do que a outra. Não podemos negar que no culto judaico havia aquilo que era separado por Deus e santificado e o que era comum (louças, panelas, vasos). Os vasos do templo eram sagrados, mas os de casa eram comuns. Hoje muitos pensam que tudo é santo. O que os puritanos queriam era acabar com a idéia romana de que se podia viver duas vidas: uma secular e uma santa. Para o cristão tudo deve ser feito em santidade para a glória de Deus. Este é um princípio que devemos estar lembrados sempre. Por outro lado, nos cultos e na adoração corporativa, em conjunto, do povo de Deus, na igreja, estamos vivendo uma época de grande irreverência. A nossa geração não sabe o que é ser reverente, não sabe o que é culto solene. O culto, com freqüência, tem sido um ajuntamento para um encontro social; a igreja é local de divertimento, lazer; o louvor apresentado a Deus tem sido uma ocasião de não glorificação do nome de Deus, mas primariamente um momento de entretenimento ou prazer humanos. Hoje, se vê adoração através de shows de bandas musicais, em que o “embalo” é a ênfase; as pessoas gritam, gemem; as letras dos cânticos são dúbias, você não sabe se é Deus ou um galã apaixonado o que é destacado nestes cânticos; os cantores e grupos musicais não têm vida espiritual (com exceções) e cobram ingressos para louvar a Deus, comercializando a adoração, e na maioria dos casos tudo é transformado em uma apresentação mundana. Nas igrejas se vende, se troca, se faz negócios (livros, bíblias, “presentinhos”, camisas, chaveiros, quinquilharias, etc.); as crianças não participam dos cultos porque não podem mais obedecer aos pais; as pessoas conversam, riem, dormem; uns ficam do lado de fora; as roupas são segundo o padrão do mundo, curtas, excitantes, etc. A moda agora é substituir a pregação por dramatizações e testemunhos. Nossa situação é muito grave. Não tenho me impressionado com o número de igrejas cheias. Pergunto sempre: cheias de quê? Lembro-me de Jesus dizendo: “Tirai daqui estas cousas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio”, e por isso os discípulos se lembraram de um preceito bíblico, esquecido hoje tanto quanto naqueles dias: “O zelo da tua casa me consumirá” (Jo.2:17). Onde está o nosso zelo?
Jornal da UMP:
2. Em sua opinião o que tem contribuído para que algumas comunidades evangélicas enfrentem tantos problemas nesta área?
Presbítero Manoel Canuto:
O primeiro ponto que quero destacar é que as pessoas pensam que podem cultuar a Deus da forma que acham melhor, como lhes agrada. Mas isso não é bíblico. A Confissão de Fé da nossa Igreja (Confissão de Fé de Westminster) diz no capítulo 21 que: “... o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo e tão limitado pela Sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou sugestão de Satanás, nem sob qualquer representação visível, ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras”. Assim, temos de estar lembrados dos preceitos divinos de que: “Tudo o que eu ordeno, observarás; nada lhe acrescentarás, nem diminuirás” (Dt. 12:32); “E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mt. 15:9). Observo também que estamos vivendo a época do pragmatismo. Se der resultado, está certo. Este pensamento é maligno. A pergunta que fazem é: O que é melhor para se ter resultados? Mas a pergunta que temos de fazer é: O que Deus nos ensina? Como deve ser minha adoração? A grande preocupação hoje dos pastores e líderes no culto é agradar aos ouvintes e especialmente aos visitantes. Mas o culto a Deus é uma coisa exclusiva dos verdadeiros crentes; algo dos crentes para Deus e não para agradar a descrentes. Ímpio não adora a Deus ou sua adoração é abominação diante do Senhor. O desejo tem sido agradar a homens e não a Deus.
Isso tem muitas implicações:
I. O culto se transforma em entretenimento para agradar aos participantes e não a Deus.
II. A forma externa do culto tem sido negligenciada. É verdade que o culto tem de ser em espírito e em verdade, mas não podemos ser negligentes com o aspecto externo do culto, pois é através de nossas ações que a nossa alma é expressa a Deus. Não podemos esquecer que Satanás ao tentar Cristo impôs que Ele se prostrasse e o adorasse (Mt. 4:9). Esta é a forma externa de adoração. Nossa adoração deve ser aceitável diante de Deus na sua forma, não só interna, mas externa. Acrescentar elementos ao culto, não prescritos nas Escrituras, é violar a realeza de Cristo.
III. A centralidade do culto não tem sido a pregação e sim as coisas secundárias. A Reforma resgatou esta verdade. Esta é uma das marcas de uma igreja verdadeira: a pregação de todo desígnio de Deus; ela é central no culto. Por isso que as igrejas reformadas têm o púlpito no centro. Mas o que se vê hoje é “louvorzão” e quase nada de pregação. Aqui entra uma questão muito séria. Tenho visto pastores que são culpados de sua congregação nunca aprender o que é reverência, pois são verdadeiros “palhaços do púlpito”, são irreverentes. Usam a Palavra de Deus para contar piadas e ilustrações banais com o propósito de agradarem às pessoas e se fazerem admirados. Lembro de um puritano que, ao ser levado à morte por causa de sua fé, disse para todos que assistiam sua execução: “Eu não tive temor de subir estas escadarias para morrer. Mas eu tive sempre temor de subir as escadarias do púlpito da minha igreja, pois sabia que minha mensagem poderia, tanto salvar como condenar pessoas”. O que os pastores de hoje sabem disso? A pregação é coisa séria e nós não temos visto isso da forma como a Bíblia requer, especialmente no meio dos jovens. Os pregadores acham que falar para jovens implica em ser engraçado, divertido. Nada mais longe da verdade. A pregação da cruz, a morte de Cristo, Sua ressurreição e ascensão; a santificação do crente; a mortificação da carne; a luta contra Satanás e o mundo; a perdição dos ímpios, tudo isso, não tem nada de engraçado. Creio que o que precisamos hoje é de chorar e não de rir. “Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza (Tiago 4:9). Ao invés de cantarmos: “Você tem valor”, deveríamos cantar: “Servo inútil sem valor, mas pertenço ao meu Senhor”.
Jornal da UMP:
3. Será que a atitude irreverente no culto traz conseqüências na vida diária do adorador?
Presbítero Manoel Canuto:
Sem dúvida. Não podemos esquecer que Deus matou Nadabe e Abiú por trazerem fogo estranho a Deus (Lv. 10:1-2). Não sabemos ao certo o que eles fizeram, mas sem dúvida foram irreverentes na forma de adorar a Deus como foram também os filhos do sacerdote Eli, Hofni e Finéias (Sm. 2-4), e por isso Deus os matou. Você vai dizer que isso foi coisa do V.T., mas como explicar o que Paulo nos diz em I Co. 11.29-30: “Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem”. De Deus não se zomba, Ele não se deixa escarnecer, “...pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl.6:7). Deus é um fogo consumidor (Hb. 12:29)!! Nossa geração não sabe nada disso.
Jornal da UMP:
4. A liturgia vibrante e mais participativa buscada hoje pela maioria dos evangélicos pode ser conquistada sem prejudicar a reverência do culto? Como?
Presbítero Manoel Canuto
A liturgia participativa é um legado da Reforma Protestante e dos Puritanos. Eles estavam reagindo ao culto formal, fixo, ininteligível e frio da Igreja Romana e da Igreja Anglicana (o povo ficava passivo). Eles estavam lutando contra todo tipo de tradição humana, extrabíblica. Eles sempre procuraram a autoridade da Bíblia para ter uma forma correta de culto. Há muita coisa escrita sobre isso. A Reforma e os Puritanos restauraram o direito do povo comum de se reunir e louvar conjuntamente a Deus. Mas quero colocar o pensamento de um puritano presbiteriano inglês,
Thomas Cartwright, com respeito aos critérios de um verdadeiro culto:
· Que não seja motivo de tropeço para ninguém (1 Co. 10:32).
· Que tudo seja feito com ordem e decência (1 Co. 14:40).
· Que tudo seja feito para edificação (1 Co. 14:26).
· Que seja feito para a glória de Deus (Rm. 14:6-7).
Na verdade são princípios bíblicos que devem ser obedecidos. Por isso os puritanos quando escreveram a nossa Confissão de Fé afirmaram que todo conselho de Deus deve ser “expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela...quanto ao culto de Deus...”, tem de ser ordenado “...pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras da Palavra, que sempre devem ser observadas” (Cap. I p.VI). O problema é que hoje muitos querem cantar, dançar, bater palmas, usar instrumentos de som estridente, cantar hinos sem conteúdo doutrinário algum, com sinais de uma influência mundana muito grande, onde a carnalidade se salienta travestida de religiosidade e espiritualidade. O cântico dos Salmos não existe em nossas igrejas – nossa maravilhosa herança Reformada nunca foi lembrada apesar de fazer parte dos nossos símbolos de fé: “o cântico de salmos, com gratidão no coração” (CFW cap. XXI.V). A diferença é grande do pensamento Reformado que questiona: “Isto glorifica a Deus?”. Muitos deveriam perguntar: “Este louvor, esta vibração, é para glorificar a Deus ou um fim em si mesmo?“. O que temos visto, infelizmente, é o desejo de se “sentir bem” na adoração. Este não é o propósito da adoração e do louvor, mas sim uma conseqüência. Creio que poderemos ser vibrantes, alegres, tendo a consciência do que Cristo fez por nós, da Sua misericórdia, Sua graça, Sua eleição, Seu chamado eficaz e a promessa da nossa glorificação, através de um culto participativo, onde a ênfase é na pregação, oração, leitura da Palavra e louvor com gratidão no coração. Tudo com ordem e decência, segundo as ordenanças de Deus. Nunca esquecer que a pregação é a mais solene e importante dessas atividades. Se desejamos um culto vibrante, atraente, com danças, mímicas, música em exagero (com composições sem ensino doutrinário), cenários, bandas de rock, perguntamos: de onde provêm estas coisas? Da Bíblia? É claro que não. Não podemos concluir que os que advogam tais coisas o fazem por perderem de vista o poder e a glória de Deus e amor às Escrituras? Não é necessário enxergarmos que está havendo uma necessidade, não destas coisas, mas de um princípio bíblico que regule toda nossa adoração? Muitos oficiais da igreja hoje desconhecem o que é o Princípio Regulador do Culto, tão enfatizado e praticado pelos reformados do passado.
Jornal da UMP:
5. Como entende qual deve ser a abordagem deste assunto atualmente, visto que nossas crianças, adolescentes e jovens, são a geração que se habituou em vidas com velocidades e inquietações dos vídeos-games, vídeos-clips e etc?
Presbítero Manoel Canuto:
Respondo esta pergunta com pesar. O mundo tem ditado as normas para nossa vida e não a Palavra de Deus. O problema hoje é falta de fé. Mas não é falta de fé em Deus, mas falta de fé na Palavra. Ela não tem sido a “única regra de fé e prática” para nós cristãos. Temos procurado o padrão do mundo. O imediatismo dos nossos dias é uma afronta à providência de Deus; é uma parte do querer ver para crer e, se possível, logo. Nossos líderes e pais estão deixando seus filhos cada vez mais ignorantes da Palavra de Deus. Procuramos um jovem consagrado, que conheça a Palavra de Deus, a sã doutrina e que tenha uma vida santa e não achamos (com raras exceções). O imediatismo está patenteado até na forma de se evangelizar: “Venha para frente, levante a mão e estará salvo”. As crianças, os jovens, vêem isso e cada vez mais se afundam nesta concepção imediatista. As palavras paciência, perseverança, submissão, parece que não fazem parte do vocabulário dos nossos jovens. Nunca aprendemos a disciplina na vida cristã. Os jovens não são ensinados a terem “cuidado de si mesmo e da doutrina” (I Tm. 4:16). As práticas mundanas estão entrando na igreja através de uma adoração carnal e os que a praticam são amantes de si mesmos e irreverentes (2 Tm.3:1-5).
Jornal da UMP:
6. O Sr. é um dos coordenadores do “movimento puritano”, há algo na história do puritanismo dirigido a este tema?
Presbítero Manoel Canuto
Não gosto desta expressão “movimento”. E não somos um “movimento”. Todos os movimentos que têm surgido na Igreja hoje são estranhos à Palavra de Deus, são inovações e geralmente heréticos. Na verdade somos um grupo de pessoas desejosas de que haja novamente uma reforma na Igreja. Temos um “projeto” (Projeto Os Puritanos) em mente: resgatar as antigas doutrinas da graça e despertar a Igreja para estas verdades reformadas que podem trazer um grande despertamento ao povo de Deus. São verdades que estão colocadas no “baú”, como dizia o grande pregador batista C. H. Spurgeon; estão esquecidas. Eu mesmo fui fruto deste esquecimento. A Igreja hoje está influenciada por um pensamento humanista, centrado no homem. É claro que a história nos mostra muitas coisas com respeito a esta questão de reverência e culto. Os puritanos foram um grupo de homens e mulheres que mais se preocuparam com a pureza do culto. Toda a Confissão de Fé de Westminster e os catecismos (breve e maior) foram feitos pelos puritanos. Mas não só isso, eles confeccionaram também um Saltério e um Diretório de Culto. O Diretório de Culto já foi publicado pela Editora Os Puritanos, mas infelizmente não temos nosso saltério brasileiro. O tempo não dá, mas poderíamos passar horas falando sobre esta questão da adoração e da reverência entre os puritanos. Posso dizer que, nesta área, o que restou de bom na igreja evangélica (e isto é muito pouco hoje, especialmente por causa da influência liberal, arminiana e do movimento carismático) é fruto das convicções e princípios abraçados pelos puritanos e reformados do passado. Quero sugerir que leiam um número do nosso Jornal que tem o título “Adoração Verdadeira”. Os puritanos defendiam que adoração reverente era um exercício da “mente e do coração, sob forma de louvor, ação de graças, oração, confissão de pecados, confiança nas promessas de Deus e atenção à Palavra de Deus, lida e pregada”. Um puritano disse: “A adoração abrange todo aquele respeito que o homem deve e confere ao Seu Criador... É o tributo que pagamos ao Rei dos reis, o meio pelo qual reconhecemos a sua soberania e a nossa dependência dEle...Toda reverência e respeito interiores, e toda a obediência e serviço externo para Deus, que a Palavra nos impõe, estão embutidos nessa palavra: Adoração”. O chamado príncipe dos Puritanos, John Owen disse: “... a adoração a Deus deve ser ordeira, decente, bela e gloriosa... E, de fato, qualquer adoração que fique aquém dessas qualidades bem pode levantar suspeitas de não ser segundo a mente de Deus... quanto à qualidade da adoração e do serviço que Lhes são prestados, o próprio Deus é o Juiz mais apropriado”. Quero, no entanto, dizer que não queremos imitar em tudo os puritanos, pois eles viveram no século XVII. O Espírito Santo nos orienta para vivermos a vida cristã nesta geração e neste século, mas devemos aplicar nos nossos dias a Palavra de Deus e os princípios eternos derivados dela, coisa que eles tanto enfatizaram nos seus dias. O Movimento Puritano do século XVII foi um movimento de Reforma e é exatamente o que precisamos hoje na Igreja Brasileira.
Jornal da UMP:
7. O movimento em sua forma atual tem alguma preocupação neste aspecto e prevê algum plano de ação neste sentido?
Presbítero Manoel Canuto:
Temos muita preocupação com este tema e por isso já temos abordado a questão em vários de nossos Simpósios anuais (Projeto Os Puritanos), além de apresentarmos vários artigos no “Jornal Os Puritanos” que tratam deste particular. Criamos também a Editora Os Puritanos onde esperamos publicar material nesta área. Aliás, um dos slogans dos puritanos era “Liturgia Pura”. Os puritanos tiveram divergências quanto a tudo isso, mas uma coisa era comum entre eles: A verdadeira e reverente adoração é tirada das Escrituras e não das emoções ou das influências do mundo. O projeto Os Puritanos não estabelece normas cúlticas, mas deixa que as Escrituras falem livremente e com a autoridade devida sobre o assunto através de princípios que o próprio Deus estabeleceu.
Jornal da UMP:
8. Por onde acha que nossas lideranças podem começar atuando de modo a motivar os evangélicos a oferecerem um culto a Deus com mais reverência.
Presbítero Manoel Canuto
O Princípio Regulador do culto é a Sola Scriptura na adoração e não as invenções humanas, a tradição dos homens, mesmo que estas façam as igrejas se encherem e ficarem muito animadas. Mesmo que um anjo do céu venha e nos ensine diferentemente da Bíblia. O movimento carismático católico é muito animado, mas nem por isso está certo. O segredo de tudo é a doutrina. Muitos não gostam quando falamos de doutrina. Mas a pergunta é: em que basearemos nossa adoração para que seja agradável a Deus? A recomendação de Paulo a Timóteo é esta: “... corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina...” (2 Tm. 4:2-3). A doutrina não deve ser algo que fique apenas na mente, mas deve ser experimental, vivenciada. Reverência está associada ao temor a Deus, ao reconhecimento da Sua soberania, da Sua majestade e grandeza. Nossa liderança deve ver com preocupação a influência dos chamados carismáticos. O problema é que hoje nós só sabemos a respeito do que é karisma, através de ensinos pentecostais e não reformados. Isso é muito prejudicial. Poucos professores e pregadores conhecem a verdade sobre a doutrina do Espírito Santo e os dons. Mas esperamos dar alguma contribuição ao traduzir livros e divulgar a literatura sobre o verdadeiro ensino do Espírito Santo. Calvino foi chamado de “O teólogo do Espírito Santo”, mas sabemos muito pouco dos seus pensamentos. Toda esta questão passa por este ensino.
Jornal da UMP:
9. Com que palavras deseja concluir esta entrevista?
Presbítero Manoel Canuto:
Quero terminar dizendo que somente uma pessoa regenerada pode adorar reverentemente a Deus. Deus não ouve a pecadores (João 9:31). Alguém já disse que: “Toda adoração que se origina na natureza morta é apenas serviço morto”. Um puritano disse que “adorar, como uma finalidade em si mesmo, é uma carnalidade; mas ter o desejo de adorar como meio de alcançar o fim, externalizando esse desejo por meio de atos que visam à comunhão com Deus, é algo espiritual, sendo fruto da vida espiritual...”. Charnock (um grande puritano) disse: “A adoração é um ato do entendimento, que se concentra sobre o conhecimento das excelências de Deus e sobre os pensamentos a respeito da majestade dEle...Também é um ato da vontade, por meio do qual a alma adora e reverencia a majestade de Deus, encantando-se diante de Sua amabilidade, abraça Sua vontade, entra em uma comunhão íntima... e deposita nEle todos seus afetos”. Como podemos fazer tudo isso sem entendimento, reconhecimento, quebrantamento, santo temor, júbilo e sem reverência diante da majestade de Deus? Deus busca verdadeiros adoradores, mas não acha e não pode achar, não existem. Por isso Ele regenera, justifica, salva pecadores e os transforma em verdadeiros adoradores pelo Seu Espírito. Tudo é por Sua graça. Que Ele faça isso nos nossos dias; que Deus transforme pecadores e os faça reverentes adoradores.
“Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos nele com tremor” (Sl. 2:11).
Amém.
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Entrevista concedida ao Jornal da UMP em uma Igreja Presbiteriana em Recife no ano de 2000, mas que não foi publicada por razões "desconhecidas".
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
BlogIEP entrevistas: Bono Vox - vocalista do U2
Bono Vox em entrevista revela acreditar que Jesus é o Filho de Deus. Bono Vox, vocalista do U2 fala sobre sua fé cristã em um vídeo de uma entrevista a uma rádio irlandesa que tem percorrido o mundo nas últimas semanas, chamando atenção pela contundência de sua fala.
Na entrevista, Bono diz ao jornalista Gay Byrne que crê em Jesus como o Filho de Deus, e não como um louco, ou apenas um grande pensador que influenciou multidões e tornou-se o centro de uma religião. O cantor diz ainda que acredita em milagres, e portanto, no Cristo ressurreto, e que não vê problemas nisso. “Eu sou um milagre”, disse ele como não poderia deixar de fora, Bono fez críticas ao período em que a Igreja Católica perseguiu e matou pessoas que eram consideradas hereges, e disse entender o motivo de muitas pessoas terem ressalvas com o cristianismo, por conta de episódios como esse.
Abaixo, leia a transcrição do diálogo entre Bono e o jornalista:
Bono: “Eu procurei as Escrituras para encontrar verdades poéticas, além de históricas, que me dizem respeito, e, claro, há um Jesus histórico…”
Byrne: “Bem, eu estou falando de Deus” .
Bono: “Ah, bem, mas eu vejo… A pessoa de Jesus é o meu entendimento de Deus.”
Byrne: “Você ora sempre?”
Bono: “Sim”
Byrne: “Para quem ou o que você ora?”
Bono: “A Cristo”
Byrne: “A Cristo … O que você pergunta?”
Bono: “Oro para conhecer a vontade de Deus, porque, em seguida, as orações são mais propensas a se tornar uma realidade Esta é a questão de cada oração, certo? Nós não a fazemos de uma forma muito exagerada em nossa família. Simplesmente nos juntamos na cama… Temos uma cama muito grande em nossa casa. Já orei com todos os nossos filhos, li as Escrituras, orei… Mesmo. É uma coisa normal. Às vezes, quando vamos à igreja no domingo, vamos sozinhos, por conta própria, como uma família”.
Byrne: “Por paz e tranquilidade?”
Bono: “Por paz e tranquilidade. E, geralmente, para orar pelas pessoas que conhecemos que estão lutando. Uma coisa, doença ou… ”
Byrne: “Então, o que ou quem era Jesus, na sua opinião?”
Bono: “Eu acho que é um fator determinante para os cristãos perguntar quem Cristo é. E eu acho que você não pode escapar facilmente, dizendo foi um grande pensador, ou um grande filósofo, porque, na verdade, Ele circulou dizendo que Ele era o Messias, é por isso que o crucificaram. Ele foi crucificado porque Ele disse que era o Filho de Deus. Então, do meu ponto de vista, ele era o Filho de Deus, ou…”
Byrne: “Ou não era…”
Bono: “Não, não… [ou era o Filho de Deus] ou era uma porca! Esqueça o complexo de Messias rockn roll! E entendo que [a cruzada da Igreja Católica] custou milhões de vidas, a metade da Terra, dois mil anos, foram tocados, sentiram que suas vidas foram tocadas e inspiradas por um louco. Apenas acho que não [seja um louco]“.
Byrne: “Então você acha que Jesus era divino?”.
Bono: “Sim”.
Byrne: “E você acha que fisicamente Ele ressuscitou dos mortos?”.
Bono: “Sim … Eu não tenho nenhum problema com milagres. Eu estou cercado por milagres. Eu sou um”.
Byrne: “Então, quando você ora, ora para Jesus?”.
Bono: “Sim”.
Byrne: “O Jesus ressurreto”.
Bono: “Sim”.
Byrne: “E você acha que promessas se tornarão realidade?”.
Bono: “Sim. Eu acho”.
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
BlogIEP Entrevista: Casal fala sobre as dificuldades na vida missionária
Deixar sua família, amigos e emprego para atender ao chamado missionário não é uma decisão fácil. Todos os anos centenas de brasileiros tomam essa difícil decisão e deixam o país para levar o Evangelho para outros povos. “Sempre falo que o maior desafio do missionário realmente não é o ir, mas sim o deixar, e você deixar a família, é muito difícil, porque você não sabe se quando retornar poderá abraça-los outra vez, e você não tem a garantia de voltar, porque você está indo para se entregar totalmente a vontade de Deus”, diz o missionário Luiz Felipe Lopes.
Ele e sua esposa, Bruna, estão há quase dois anos trabalhando em Cabo Verde, na África Ocidental, mas passaram também pelo Paraguai. A saudade dos familiares é inevitável, deixar de conviver com pai, mãe e irmãos e até mesmo não conhecer os sobrinhos que nasceram após a partida é doloroso, mas o casal afirma que Deus tem capacitado cada um deles não só para realizar o trabalho, mas para suportar a dor da saudade. Felipe e Bruna sabiam que deixariam seus familiares e seus pais não só apoiaram a decisão como se sentem honrados por terem filhos que aceitaram o chamado de Deus e foram ganhar vidas para Cristo. Para o casal esse apoio foi o grande diferencial para que eles pudessem partir rumo ao cumprimento de uma promessa. O casal tem trabalhado em prol do evangelho, eles foram chamados separadamente para a obra com o tempo tiveram a confirmação de que deixariam o Brasil para evangelizar. “Costumo falar que eu não apenas casei com a minha esposa, mas também com o chamado missionário dela, e Deus me deu a alegria o privilégio, a honra de vir para a obra missionária, de compartilhar o chamado que estava na vida da minha esposa”, disse ele. Além da escolha, outros fatores como a cultura local e situações políticas e econômicas pesam no dia a dia dos missionários que muitas vezes não atuam só com a evangelização, mas também com trabalhos sociais que incluem a educação de crianças, distribuição de alimentos e outros serviços completamente gratuitos que servem para aproximá-los da população.
Em Cabo Verde os brasileiros trabalham com projetos sociais entre eles o Pão e Leite voltado para crianças e o Projeto BRAVA (Brasil Alimentando Vidas na África, parceria com o próprio Gospel Prime). Fora isso eles ainda realizam evangelismos, discipulados, cursos de teologia e cultos. Eles ainda pastoreiam uma igreja e supervisionam o pastoreio de outra congregação. O país onde Felipe e Bruna estão não é muito diferente do Brasil, é uma nação cosmopolita onde há imigrantes de diversas nacionalidades como americanos, árabes, chineses, italianos, portugueses, indianos e africanos vindos de outros países. “Culturalmente falando aquilo que não é prejudicial para a vida cristã você se adapta, culinária, o idioma ou a língua, o convívio social e o que é prejudicial a vida cristã você rejeita e com o evangelho você confronta para que haja mudança na vida dos outros.”
Ao contrário de outros países da África, Cabo Verde não tem conflitos religiosos até por conta da sua colonização e da mistura de povos que convivem nas dez ilhas que formam o país. “Passamos algumas vezes por algumas pequenas resistências da igreja católica, mas nada de violência ou discussões, foi um pequeno ato rejeição por parte dos líderes e catequistas da Igreja Católica onde tentaram fazer com que as crianças de uma determinada comunidade não participassem da nossa programação de ‘evangelismo'”, conta ele. Mesmo sem ter violência e discussões religiosas, os brasileiros enfrentam outros problemas para cumprirem o chamado. Uma das principais delas é a resistência da população em receber a mensagem que é pregada. Felipe diz que a colonização portuguesa que incluiu a tradição católica também é “uma grande barreira”, citando também a cultura vinda de outros povos não-cristãos que também dificultam a expansão da mensagem da Cruz. Pensar em desistir dos trabalhos quase todo missionário já pensou e o casal de brasileiros não nega. “Mas este é um pensamento momentâneo”, disse ele. “Nestes momentos o Espírito Santo nos conforta e nos encoraja a continuar nesta caminhada, nos mostrando o quão precioso e valioso é o continuar com a mão no arado”. O sustento do casal vem da Igrejas, é assim que o casal se sustenta e também realiza os trabalhos sociais que se comprometeram a realizar em Cabo Verde.
terça-feira, 19 de julho de 2016
BlogIEP entrevistas: Augustus Nicodemus em entrevista à Mundo Cristão
Não há nada mais urgente do que um retorno às Escrituras. Somente isto trará verdadeiro avivamento espiritual à igreja brasileira. É com essa postura que o Reverendo Augustus Nicodemus convida os cristãos evangélicos ao exame cuidadoso de suas práticas e concepções. Em pleno século 21, no qual uma infinidade de modismos, conceitos e "inovações teológicas" são ventilados e consumidos por públicos cada vez maiores, sobretudo por meio da Internet, o cristão precisa estar alerta a fim de manter sua integridade espiritual e não cair em engodos que possuem aparência de verdade. Autor de sucessos como O que estão fazendo com a Igreja, também lançado na Itália, e O ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja, Nicodemus, pastor, professor e vice-presidente da Igreja Presbiteriana do Brasil (PIB) tem sido uma eloquente voz na pregação da fé biblicamente fundamentada. Em entrevista à Mundo Cristão, o autor fala de seu novo livro Polêmicas na Igreja - Doutrinas, práticas e movimentos que enfraquecem o cristianismo, novidade que já está disponível nas livrarias de todo o país, e aborda questões urgentes relacionadas à igreja cristã evangélica brasileira. Confira!
Mundo Cristão: "Inovações teológicas". Esse é um problema que o senhor diagnostica logo na introdução do livro. Como identificá-las? Elas são sempre prejudiciais? De que forma podem colocar em risco a integridade espiritual de seus praticantes?
Augustus Nicodemus: Precisamos definir "inovações teológicas" em primeiro lugar. Eu entendo o termo como uma referência a doutrinas e conceitos que não encontram respaldo e fundamento nas Escrituras e que são introduzidos na igreja cristã a pretexto de modernidade e progresso. A rigor, a maior parte dessas "inovações" não tem nada de novo. Um bom exemplo disto é a chamada teologia relacional que em anos recentes se apresentou como uma novidade no campo teológico, pretendendo elucidar a questão da presciência de Deus e a liberdade humana. Todavia, nada mais era que a reedição do socinianismo, nome dado a um ensinamento promovido por Lélio e Fausto Socínio no século XVI. Muitas dessas "inovações" são antigas heresias reapresentadas com linguagem nova. Da mesma forma, conceitos como Sola Scriptura, Sola Fide e Sola Gratia não foram inovações teológicas dos Reformadores do século XVI, mas a redescoberta do ensino de Pais da Igreja como Agostinho. Eu não estou dizendo que não há campo para o novo em teologia. Desde que o que se apresenta como novo esteja em consonância com as Escrituras e represente uma compreensão mais clara e profunda das verdades que uma vez por todas já nos foram reveladas nas Escrituras. "Inovações teológicas" entendidas como ensinamentos estranhos às Escrituras certamente afetam, cedo ou tarde, a integridade espiritual dos que os abraçam, pois o que liberta é a verdade e não o novo.
MC: O cristão brasileiro está a cada dia mais conectado com as novas ferramentas de comunicação e pesquisa. Muito provavelmente, na maioria das casas, sobretudo nas grandes cidades, há um aparelho conectado à internet. O acesso à Bíblia e à informação está cada dia mais facilitado. Por que, mesmo assim, tantas pessoas se deixam levar por modismos e desvios que contrariam a sã doutrina cristã?
Augustus Nicodemus: Porque falsos profetas e falsos mestres estão também usando estas ferramentas para divulgação de seus ensinamentos e trazendo confusão e dúvida para muitos. Embora a Bíblia esteja muito mais acessível hoje, o problema nunca foi acessibilidade, mas hermenêutica - como as pessoas leem e entendem a Bíblia? Por outro lado, é preciso reconhecer que por causa das novas ferramentas de pesquisa e comunicação muitas pessoas também têm tido contato com o trabalho de pastores e mestres comprometidos com uma leitura sadia e correta da Bíblia. Grandes teólogos e pastores como John Piper, R. C. Sproul, J. C Mahaney, Paul Washer, entre outros, são muito lidos no Brasil e o trabalho deles tem servido para orientar a muitos.
MC: De acordo com o lema da Reforma, a Igreja está constantemente se reformando, e com ela, seus membros. Como ela pode se abrir para vivenciar tais reformas sem comprometer sua integridade?
Augustus Nicodemus: A reforma constante pregada pelos reformadores pressupunha o referencial das Escrituras: "Sola Scriptura". O conceito de uma igreja reformada e sempre se reformando assumia que esta reforma consistia numa aproximação cada vez maior ao ensino da Bíblia, o que acarretava a necessidade de mudanças litúrgicas, teológica e práticas e o abandono de tudo que fosse "humano", isto é, que tivesse sido inventado pelo homem e introduzido na igreja sem respaldo bíblico. Isso foi, em grande medida, o que a Reforma protestante fez em relação à Igreja Romana de sua época. Os Reformadores entendiam que havia uma necessidade constante de reforma, pois todos eles concordavam com a doutrina da depravação total e da santificação como algo progressivo e inacabado neste mundo. Assim, creio que a Igreja de hoje deve estar aberta para se examinar à luz da Palavra de Deus e se reformar naquelas áreas onde se desviou dela. Se conseguirmos manter o foco nas Escrituras, podemos avançar com segurança para mudanças que se fizerem necessárias.
MC: Vivemos numa sociedade que prega a liberdade de expressão, mas que tenta calar aqueles que possuem convicções contrárias à sua perspectiva relativista e secular. Isso é fato. Como o senhor enxerga essa contradição? Ela tem chegado para o interior de determinadas correntes cristãs também? Quais as implicações disso?
Augustus Nicodemus: A contradição é, de fato, gritante. Ela reflete a verdadeira intenção daqueles que defendem liberdade de expressão para todos menos para os cristãos, que é calar o cristianismo e expulsá-lo da arena pública. Infelizmente, eles já obtiveram sucesso na Europa e avançam nos Estados Unidos a passos largos. Aqui no Brasil já estamos sentindo a força desse movimento. Acho que é uma questão de tempo até enfrentarmos uma perseguição aberta e descarada. Não me admira que denominações liberais persigam e calem os que protestam, por exemplo, contra o casamento gay e a ordenação de homossexuais ao ministério da Palavra. O liberalismo teológico não é cristianismo, mas outra religião.
MC: No livro, o senhor diz que "vivemos dias de frouxidão, nos quais proliferam os que tremem diante de uma peleja teológica de maior monta". "Perdeu-se a virilidade teológica." Por que isso acontece? De que forma essa postura pode afetar a "saúde" da Igreja?
Augustus Nicodemus: Eu quis dizer que são poucos os líderes que estão dispostos a entrar numa peleja teológica para defender a verdade e resguardar o ensino das Escrituras. Infelizmente, tenho a impressão que a maioria prefere se omitir e tratar de sua vida e de sobreviver em seu ministério. Não defendo e nem apoio aqueles briguentos de plantão que vivem somente no aguardo de uma oportunidade para iniciar polêmicas e conflitos nas redes sociais. O que estou dizendo é que os pastores e mestres deveriam, de forma pacífica, mas firme, pregar todo o conselho de Deus e tratar de assuntos polêmicos e difíceis com mansidão e firmeza, em suas igrejas locais ou em outros fóruns apropriados. Mas hoje o que parece prevalecer é o relativismo e o politicamente correto, onde ninguém quer se expor ou se desgastar em nome da verdade.
MC: Em sua opinião, quais são os principais problemas estruturais que envolvem os movimentos que enfraquecem o cristianismo? A má formação teológica de pastores e líderes seria uma delas?
Augustus Nicodemus: Não tenho a menor dúvida. Além disto, a influência do liberalismo teológico nos seminários e escolas de teologia, e o crescimento do pragmatismo e do misticismo neopentecostal que deseja um crescimento numérico a qualquer custo. Acima de tudo, faltam-nos expositores bíblicos, pastores e mestres que preguem a Palavra com clareza e competência. O povo de Deus ouve e obedece à Palavra, quando ela é ensinada com fidelidade e constância. Grande parte dos pastores são contadores de experiências e que usam a Bíblia como pretexto para suas falas.
MC: "Polêmicas na Igreja - Doutrinas, práticas e movimentos que enfraquecem o cristianismo". De que forma o livro se propõe a responder às necessidades urgentes da igreja cristã evangélica no Brasil?
Augustus Nicodemus: O livro reflete alguns dos temas que têm sido objeto de preocupação e discussão dos evangélicos nas redes sociais. Minha expectativa é que este livro traga alguma luz sobre estes temas.
Fonte: http://www.mundocristao.com.br/conteudo/495
Mundo Cristão: "Inovações teológicas". Esse é um problema que o senhor diagnostica logo na introdução do livro. Como identificá-las? Elas são sempre prejudiciais? De que forma podem colocar em risco a integridade espiritual de seus praticantes?
Augustus Nicodemus: Precisamos definir "inovações teológicas" em primeiro lugar. Eu entendo o termo como uma referência a doutrinas e conceitos que não encontram respaldo e fundamento nas Escrituras e que são introduzidos na igreja cristã a pretexto de modernidade e progresso. A rigor, a maior parte dessas "inovações" não tem nada de novo. Um bom exemplo disto é a chamada teologia relacional que em anos recentes se apresentou como uma novidade no campo teológico, pretendendo elucidar a questão da presciência de Deus e a liberdade humana. Todavia, nada mais era que a reedição do socinianismo, nome dado a um ensinamento promovido por Lélio e Fausto Socínio no século XVI. Muitas dessas "inovações" são antigas heresias reapresentadas com linguagem nova. Da mesma forma, conceitos como Sola Scriptura, Sola Fide e Sola Gratia não foram inovações teológicas dos Reformadores do século XVI, mas a redescoberta do ensino de Pais da Igreja como Agostinho. Eu não estou dizendo que não há campo para o novo em teologia. Desde que o que se apresenta como novo esteja em consonância com as Escrituras e represente uma compreensão mais clara e profunda das verdades que uma vez por todas já nos foram reveladas nas Escrituras. "Inovações teológicas" entendidas como ensinamentos estranhos às Escrituras certamente afetam, cedo ou tarde, a integridade espiritual dos que os abraçam, pois o que liberta é a verdade e não o novo.
MC: O cristão brasileiro está a cada dia mais conectado com as novas ferramentas de comunicação e pesquisa. Muito provavelmente, na maioria das casas, sobretudo nas grandes cidades, há um aparelho conectado à internet. O acesso à Bíblia e à informação está cada dia mais facilitado. Por que, mesmo assim, tantas pessoas se deixam levar por modismos e desvios que contrariam a sã doutrina cristã?
Augustus Nicodemus: Porque falsos profetas e falsos mestres estão também usando estas ferramentas para divulgação de seus ensinamentos e trazendo confusão e dúvida para muitos. Embora a Bíblia esteja muito mais acessível hoje, o problema nunca foi acessibilidade, mas hermenêutica - como as pessoas leem e entendem a Bíblia? Por outro lado, é preciso reconhecer que por causa das novas ferramentas de pesquisa e comunicação muitas pessoas também têm tido contato com o trabalho de pastores e mestres comprometidos com uma leitura sadia e correta da Bíblia. Grandes teólogos e pastores como John Piper, R. C. Sproul, J. C Mahaney, Paul Washer, entre outros, são muito lidos no Brasil e o trabalho deles tem servido para orientar a muitos.
MC: De acordo com o lema da Reforma, a Igreja está constantemente se reformando, e com ela, seus membros. Como ela pode se abrir para vivenciar tais reformas sem comprometer sua integridade?
Augustus Nicodemus: A reforma constante pregada pelos reformadores pressupunha o referencial das Escrituras: "Sola Scriptura". O conceito de uma igreja reformada e sempre se reformando assumia que esta reforma consistia numa aproximação cada vez maior ao ensino da Bíblia, o que acarretava a necessidade de mudanças litúrgicas, teológica e práticas e o abandono de tudo que fosse "humano", isto é, que tivesse sido inventado pelo homem e introduzido na igreja sem respaldo bíblico. Isso foi, em grande medida, o que a Reforma protestante fez em relação à Igreja Romana de sua época. Os Reformadores entendiam que havia uma necessidade constante de reforma, pois todos eles concordavam com a doutrina da depravação total e da santificação como algo progressivo e inacabado neste mundo. Assim, creio que a Igreja de hoje deve estar aberta para se examinar à luz da Palavra de Deus e se reformar naquelas áreas onde se desviou dela. Se conseguirmos manter o foco nas Escrituras, podemos avançar com segurança para mudanças que se fizerem necessárias.
MC: Vivemos numa sociedade que prega a liberdade de expressão, mas que tenta calar aqueles que possuem convicções contrárias à sua perspectiva relativista e secular. Isso é fato. Como o senhor enxerga essa contradição? Ela tem chegado para o interior de determinadas correntes cristãs também? Quais as implicações disso?
Augustus Nicodemus: A contradição é, de fato, gritante. Ela reflete a verdadeira intenção daqueles que defendem liberdade de expressão para todos menos para os cristãos, que é calar o cristianismo e expulsá-lo da arena pública. Infelizmente, eles já obtiveram sucesso na Europa e avançam nos Estados Unidos a passos largos. Aqui no Brasil já estamos sentindo a força desse movimento. Acho que é uma questão de tempo até enfrentarmos uma perseguição aberta e descarada. Não me admira que denominações liberais persigam e calem os que protestam, por exemplo, contra o casamento gay e a ordenação de homossexuais ao ministério da Palavra. O liberalismo teológico não é cristianismo, mas outra religião.
MC: No livro, o senhor diz que "vivemos dias de frouxidão, nos quais proliferam os que tremem diante de uma peleja teológica de maior monta". "Perdeu-se a virilidade teológica." Por que isso acontece? De que forma essa postura pode afetar a "saúde" da Igreja?
Augustus Nicodemus: Eu quis dizer que são poucos os líderes que estão dispostos a entrar numa peleja teológica para defender a verdade e resguardar o ensino das Escrituras. Infelizmente, tenho a impressão que a maioria prefere se omitir e tratar de sua vida e de sobreviver em seu ministério. Não defendo e nem apoio aqueles briguentos de plantão que vivem somente no aguardo de uma oportunidade para iniciar polêmicas e conflitos nas redes sociais. O que estou dizendo é que os pastores e mestres deveriam, de forma pacífica, mas firme, pregar todo o conselho de Deus e tratar de assuntos polêmicos e difíceis com mansidão e firmeza, em suas igrejas locais ou em outros fóruns apropriados. Mas hoje o que parece prevalecer é o relativismo e o politicamente correto, onde ninguém quer se expor ou se desgastar em nome da verdade.
MC: Em sua opinião, quais são os principais problemas estruturais que envolvem os movimentos que enfraquecem o cristianismo? A má formação teológica de pastores e líderes seria uma delas?
Augustus Nicodemus: Não tenho a menor dúvida. Além disto, a influência do liberalismo teológico nos seminários e escolas de teologia, e o crescimento do pragmatismo e do misticismo neopentecostal que deseja um crescimento numérico a qualquer custo. Acima de tudo, faltam-nos expositores bíblicos, pastores e mestres que preguem a Palavra com clareza e competência. O povo de Deus ouve e obedece à Palavra, quando ela é ensinada com fidelidade e constância. Grande parte dos pastores são contadores de experiências e que usam a Bíblia como pretexto para suas falas.
MC: "Polêmicas na Igreja - Doutrinas, práticas e movimentos que enfraquecem o cristianismo". De que forma o livro se propõe a responder às necessidades urgentes da igreja cristã evangélica no Brasil?
Augustus Nicodemus: O livro reflete alguns dos temas que têm sido objeto de preocupação e discussão dos evangélicos nas redes sociais. Minha expectativa é que este livro traga alguma luz sobre estes temas.
Fonte: http://www.mundocristao.com.br/conteudo/495
quinta-feira, 19 de maio de 2016
BlogIEP entrevistas: profª Nancy Gonçalves Dusilek
Nancy Dusilek, trouxe à memória o deserto pelo qual passou quando seu marido, num aconselhamento, acabou se envolvendo com uma pessoa e saiu de casa. Depois contou como aconteceu a restauração de seu casamento, discorreu sobre a formação de líderes e expressou sua preocupação com a situação dos lares.
A senhora nasceu em um lar evangélico, certo?
NANCY DUSILEK - Sim, sou nascida e criada em lar evangélico. Meus pais eram evangélicos, assim como os familiares de meu pai. A minha mãe era católica, quando casou com meu pai. Ela estava atrás da verdade, mas, um dia, foi à igreja com meu pai e aceitou a Cristo. Meu pai era evangelista e minha mãe era líder de união feminina. Minha infância e adolescência foi muito tranquila. Morava perto da igreja em Suzano (SP) e, com 7 anos, já era presidente da sociedade de crianças. Depois, fomos uma cidade próxima chamada Brás Cubas. Meu pai foi evangelista e ali começou um ponto de pregação. Aos 13 anos, era professora de crianças da Escola Bíblica Dominical. Então, sempre exerci, junto com eles, as tarefas que eles me atribuíam. Eles me ensinavam e me ajudavam, e eu estava junto com eles.
Como a senhora conheceu o pastor Darci? Quando e onde se casaram?
Quando eu estava com 21 anos trabalhava em um banco em Suzano e senti o desejo de fazer Educação Religiosa. Na época, há quase 50 anos, esse curso só existia aqui no Rio de Janeiro. Era no Instituto de Treinamento Cristão (ITC), que depois passou a chamar-se Instituto Batista de Educação Religiosa (IBER), atual Centro Integrado de Educação e Missões (CIEM). Então deixei o banco e vim para cá em 1965. E quando fui para a igreja fazer o estágio, na Segunda Igreja de Inhaúma, conheci o seminarista que estava vindo do Paraná. Depois de três anos, aquele seminarista se convenceu de que eu era a escolhida. Nós nos casamos em 1969 e aí fomos morar no Seminário Batista do Sul, onde ele era professor na área teológica além de bibliotecário.
Na reedição do livro Mulher sem nome (Editora Vida), a senhora diz que, olhando para trás, era difícil acreditar que ainda estivesse viva e alegre, servindo ao Senhor. Poderia explicar por quê?
Pela experiência que eu vivi em 1998. A primeira edição do livro foi lançada em 1995 e mais de uma década depois a editora perguntou se eu tinha interesse em revisar o texto. Aí refiz e ele foi relançado em 2008, incluindo a experiência que passei em 1998, quando meu marido, pastor de igreja, num aconselhamento acabou acompanhando uma pessoa, deixou a família, ficou três anos fora, depois voltou e eu o recebi de volta. Foi uma experiência dura, mas me fortaleceu porque eu me agarrei ao Senhor e consegui continuar servindo a Ele.
Poderia dar exemplos das experiências vividas entre 1995 (quando escreveu a primeira edição de Mulher sem nome) e 2008, quando a obra foi republicada?
Do período foram mais tristes do que alegres. Eu fui, durante 28 anos, a mulher mais bem casada do mundo, amada, respeitada e realizada como mulher, esposa e mãe. Sempre fui uma mulher incentivada pelo marido, que foi quem me motivou a escrever a primeira edição de Mulher sem nome, quem negociou com a editora. Esse foi um tempo muito legal, de criar os filhos em casa – fiz essa opção. Quando houve aquela experiência negativa, então foram muitas lágrimas. Foi um período muito triste, até eu caminhar sozinha, já que não tinha mais ele ao meu lado.
De que maneira descreveria aquele deserto experimentado a partir de 1998?
Não conseguia orar. Quando começava a falar "Nosso Deus, nosso Pai..." já começava a chorar e não dizia mais nada. Fiquei um mês e pouco sem conseguir orar, mas sabia que tinha muita gente orando por mim. Quando chegava em algum lugar e diziam para mim "Orei por você", eu respondia: "É por isso que estou aqui". Eu sempre dizia para o Senhor o seguinte: "Deus, estou colada no Senhor igual sagui no braço de alguém. Deus, por favor, não chacoalha o braço porque se fizer isso, eu caio". Foi esta a minha experiência de deserto. Nele, havia um oásis.
Essa experiência de não conseguir orar se repetiu em relação à leitura da Bíblia?
Lia a Palavra, mas tinha dificuldade, porque a dor era muito grande. A vergonha com um filho no quarto ano do seminário e a filha fazendo mestrado...Não foi fácil.
Naquela situação de crise matrimonial, o que passava em sua cabeça?
Que ele voltaria porque foi uma coisa demoníaca. Tive experiências de presença de Satanás, em que precisei fazer exorcismo. Tive certeza de que era espiritual. Era muito forte.
A senhora teve contato com ele nesses três anos?
Não, só de notícias, de longe, porque tinha conhecidos que conviviam com ele. Eu sabia dele por terceiros. Tinha dificuldade de vê-lo porque ele estava se acabando.
Seus filhos ficaram revoltados, se questionando?
Eles me deram todo apoio, sofreram junto comigo. Ficaram chocados, pois nunca esperavam que o pai fizesse aquilo. Quem fez a ponte entre nós e o pai foi minha filha Heloísa. Era ela quem falava com ele, que dava recados, que recebia recados. E até hoje continua sendo o meu suporte emocional.
Como foi esse período em que o pastor Darci ficou afastado de casa?
Deus foi tão bom comigo que, quando ele saiu de casa numa sexta-feira, já no domingo recebi um telefonema de uma pessoa me oferecendo um emprego na Junta de Missões Mundiais (JMM). Sou grata a Deus e até hoje a essa pessoa, a irmã Acidália Tymchak. Fui trabalhar. Trabalhei cinco anos na Junta e foi um período muito bom em minha vida. Foi aí que tive o meu salário e, depois, fui aposentada. Trabalhar lá foi um presente de Deus para mim.
Dentro da igreja, a senhora sentiu o que?
Senti muito apoio das pessoas. Mas, quando meu marido saiu, só me disseram o seguinte: "Você tem três meses para sair do apartamento, pagaremos o condomínio nesse tempo e o plano de saúde". Eu tinha contas para pagar. Este é o problema da esposa de pastor quando ele morre, ou quando o pastor sai da igreja, porque a família fica à deriva. Foi uma experiência muito dura, mas Deus supriu na hora certa e até hoje dou graças a Ele.
Como foi conviver com os irmãos naquela situação?
No meu entendimento, fui traída, mas a igreja também. Estávamos juntas. Houve também muita decepção de muitos membros da igreja com a atitude dele. Não adiantaria eu sair daqui para outra igreja porque não era uma pessoa desconhecida... Tendo sido ele presidente da CBB naquela época, em qualquer lugar que eu fosse, as pessoas me reconheceriam. Então, fiquei aqui na igreja e cá estou até hoje.
Uma postura corajosa...
Não foi fácil, não sei se isso é coragem, mas estou inteira.
E o retorno do pastor Darci? Quando e como ocorreu?
Em julho de 2001 ele me ligou, marcando um encontro comigo, onde ele perguntou se eu o recebia de volta. Eu aceitei o desafio, mas com uma única condição: que fizéssemos uma terapia de casal. Fizemos a terapia, porque eu achava que tínhamos de ajustar algumas coisas. Foi bom esse período.
Qual foi a sua primeira reação quando recebeu esse telefonema?
Fiquei com medo, porque eu não sabia se ele proporia o divórcio, porque eu tinha um sentimento que seria isso. Então eu fui. Quando cheguei à minha casa, dei a notícia para a minha filha: "Seu pai pediu para voltar". Aí foi aquela festa. Sabia que ele voltaria porque o que ele fez não era o perfil dele, a maneira como aconteceu foi muito diabólica. Sabia que a hora em que ele caísse em si, ele ia voltar.
Aí seus filhos...
Ficaram felizes da vida. No dia seguinte, fui a Niterói, onde acontecia o congresso da juventude batista. Meu filho Sérgio era diretor da juventude e era o responsável pelo evento. Quando cheguei lá, ele perguntou: "Mãe, e aí?" Aí, respondi: "Teu pai pediu para voltar". Até ali ele estava tenso. Depois, o congresso correu bem para ele. Tanto ele como ela tiveram uma reação muito positiva. O pai esteve no casamento de Sérgio junto comigo. Ele voltou três meses antes do casamento, participou e aí foi legal.
Como foi essa reconstrução?
Foi difícil porque eu ficara três anos sozinha, tinha uma vida mais ou menos esquematizada. Já tinha meu emprego, meu salário... Foi uma experiência interessante porque tive de me readaptar à chegada dele. Não era mais o maridão que eu tive, era uma outra pessoa. Mudou muito, por conta da tristeza de ter feito o que não devia. Ficou mais introvertido do que já era.
A senhora declarou recentemente que não desejava aquela experiência para ninguém e que, através dela, aprendeu que Deus chora conosco em nossas dores e que, com Ele, transformou desgraça em graça. Como se deu esse processo de cicatrização daquela ferida?
Foi graça, a graça de Deus no coração da gente.
Conseguiu olhar para o pastor Darci e vê-lo da mesma maneira em seu coração?
Sim. Eu só lamento pela morte dele, pois pretendia ficar mais tempo com ele. Se vivo estivesse hoje, veria a neta [Letícia, 3 anos] que tem olhos da mesma cor dos olhos da mãe dele.
Viu claramente a ação de Deus no arrependimento dele?
Sim, sem dúvida. Foi muito de Deus.
A senhora tinha 28 anos de casada quando aconteceu aquele rompimento e disse que se tratava de uma questão espiritual e, por isso, não poderia abrir mão de seu relacionamento conjugal. Muitas mulheres em seu lugar teriam desistido. Por que não desistiu?
Estava casada. Não havia divórcio algum, mas não impediria caso ele pedisse. Entretanto, não pediria o divórcio por causa da minha certeza absoluta que era uma coisa espiritual também. Não desisti porque sou teimosa, mas acho que a razão principal foi o fato de ter percebido claramente tratar-se de algo demoníaco. Sei que foi uma obra espiritual maligna, Sempre dizia nas minhas orações que aquela bandeira Satanás não levaria; quem levaria era Jesus Cristo.
Sua atitude de busca da cura daquela ferida vai na contramão do que é pregado na sociedade atual, que diz que casar e descasar é questão de momento. Quando se trata de pastores e seus casamentos, o divórcio é ainda mais complicado. Por que, em sua opinião, a Igreja está convivendo cada vez mais com esse problema?
Para mim, são duas coisas: primeiro, precisava haver mais preparo para os jovens antes do casamento, com cursos, aulas, orientação; segundo, é o secularismo. Hoje em dia tudo é descartável, inclusive o casamento. A pessoa casa. Se deu certo, deu; se não deu, separa e faz o divórcio. Aí casa com outro. É um modelo secular que acho pernicioso.
Não se assusta com o fato desse modelo secular estar entrando nas igrejas?
Claro, a família é a raiz de tudo. Se você esfacela a família, esfacela tudo. Para mim, a família – pai, mãe e filhos – é o principal. Se não existe essa ordem divina, fica complicado. Enfraquecendo as famílias, enfraquecem-se as igrejas também, e uma podia ajudar a outra, tanto na orientação dos pais, como na orientação dos noivos, dos jovens.
A senhora disse que não há nada melhor do que ser esposa de pastor. Por que?
Adorava ser esposa de pastor, que não é um chamado, mas um privilégio dado por Deus de acompanhar um vocacionado de Deus. Sempre digo para esposas de pastor o seguinte: "Você não é vocacionada, é privilegiada porque Deus te colocou ao lado de um vocacionado, de um escolhido do Senhor". Curti muito ter sido esposa de pastor.
Qual deve ser o papel da esposa de um líder de igreja?
Acompanhar e ser confidente. É a única pessoa na congregação que pode falar com o pastor assim: "Você não podia ter falado aquilo, você falou demais, mas você podia ter falado isso." A gente pode falar isso por causa da intimidade que tem. Isso aconteceu muitas vezes com a gente, de eu dizer a ele: "Cuidado com o que você falou hoje no culto..." Não é ficar criticando tudo, mas, se perceber algumas coisas, tentar dar um apoio. Na grande maioria das vezes, eu dizia para ele: "Hoje você foi dez". Mas, uma vez ou outra, a gente dava uma palavra. O problema em muitos casais é que o marido não aceita as observações da esposa, o que não era o meu caso.
O pastor, de um modo geral, enfrenta problemas para conciliar a agenda eclesiástica com o convívio familiar?
Sim. Os pastores enfrentam isso porque eles não foram ensinados a fazer da família a sua prioridade. Quando Jesus disse Amarás o Senhor teu Deus de todo coração e ao teu próximo como a ti mesmo, Ele sintetizou mais de 600 mandamentos em três: amar a si, amar ao próximo e amar a Deus. Então, primeiro eu, depois a família e depois a igreja. Primeiro eu tenho de estar bem comigo mesmo, bem com a minha família e bem com a igreja. Se não estiver bem com a família, será difícil estar bem com a igreja. O pastor tem de olhar para a família porque, além de pastor, ele é pai e marido. Precisa dar atenção a essas funções, antes da igreja.
A senhora nasceu em um lar evangélico, certo?
NANCY DUSILEK - Sim, sou nascida e criada em lar evangélico. Meus pais eram evangélicos, assim como os familiares de meu pai. A minha mãe era católica, quando casou com meu pai. Ela estava atrás da verdade, mas, um dia, foi à igreja com meu pai e aceitou a Cristo. Meu pai era evangelista e minha mãe era líder de união feminina. Minha infância e adolescência foi muito tranquila. Morava perto da igreja em Suzano (SP) e, com 7 anos, já era presidente da sociedade de crianças. Depois, fomos uma cidade próxima chamada Brás Cubas. Meu pai foi evangelista e ali começou um ponto de pregação. Aos 13 anos, era professora de crianças da Escola Bíblica Dominical. Então, sempre exerci, junto com eles, as tarefas que eles me atribuíam. Eles me ensinavam e me ajudavam, e eu estava junto com eles.
Como a senhora conheceu o pastor Darci? Quando e onde se casaram?
Quando eu estava com 21 anos trabalhava em um banco em Suzano e senti o desejo de fazer Educação Religiosa. Na época, há quase 50 anos, esse curso só existia aqui no Rio de Janeiro. Era no Instituto de Treinamento Cristão (ITC), que depois passou a chamar-se Instituto Batista de Educação Religiosa (IBER), atual Centro Integrado de Educação e Missões (CIEM). Então deixei o banco e vim para cá em 1965. E quando fui para a igreja fazer o estágio, na Segunda Igreja de Inhaúma, conheci o seminarista que estava vindo do Paraná. Depois de três anos, aquele seminarista se convenceu de que eu era a escolhida. Nós nos casamos em 1969 e aí fomos morar no Seminário Batista do Sul, onde ele era professor na área teológica além de bibliotecário.
Na reedição do livro Mulher sem nome (Editora Vida), a senhora diz que, olhando para trás, era difícil acreditar que ainda estivesse viva e alegre, servindo ao Senhor. Poderia explicar por quê?
Pela experiência que eu vivi em 1998. A primeira edição do livro foi lançada em 1995 e mais de uma década depois a editora perguntou se eu tinha interesse em revisar o texto. Aí refiz e ele foi relançado em 2008, incluindo a experiência que passei em 1998, quando meu marido, pastor de igreja, num aconselhamento acabou acompanhando uma pessoa, deixou a família, ficou três anos fora, depois voltou e eu o recebi de volta. Foi uma experiência dura, mas me fortaleceu porque eu me agarrei ao Senhor e consegui continuar servindo a Ele.
Poderia dar exemplos das experiências vividas entre 1995 (quando escreveu a primeira edição de Mulher sem nome) e 2008, quando a obra foi republicada?
Do período foram mais tristes do que alegres. Eu fui, durante 28 anos, a mulher mais bem casada do mundo, amada, respeitada e realizada como mulher, esposa e mãe. Sempre fui uma mulher incentivada pelo marido, que foi quem me motivou a escrever a primeira edição de Mulher sem nome, quem negociou com a editora. Esse foi um tempo muito legal, de criar os filhos em casa – fiz essa opção. Quando houve aquela experiência negativa, então foram muitas lágrimas. Foi um período muito triste, até eu caminhar sozinha, já que não tinha mais ele ao meu lado.
De que maneira descreveria aquele deserto experimentado a partir de 1998?
Não conseguia orar. Quando começava a falar "Nosso Deus, nosso Pai..." já começava a chorar e não dizia mais nada. Fiquei um mês e pouco sem conseguir orar, mas sabia que tinha muita gente orando por mim. Quando chegava em algum lugar e diziam para mim "Orei por você", eu respondia: "É por isso que estou aqui". Eu sempre dizia para o Senhor o seguinte: "Deus, estou colada no Senhor igual sagui no braço de alguém. Deus, por favor, não chacoalha o braço porque se fizer isso, eu caio". Foi esta a minha experiência de deserto. Nele, havia um oásis.
Essa experiência de não conseguir orar se repetiu em relação à leitura da Bíblia?
Lia a Palavra, mas tinha dificuldade, porque a dor era muito grande. A vergonha com um filho no quarto ano do seminário e a filha fazendo mestrado...Não foi fácil.
Naquela situação de crise matrimonial, o que passava em sua cabeça?
Que ele voltaria porque foi uma coisa demoníaca. Tive experiências de presença de Satanás, em que precisei fazer exorcismo. Tive certeza de que era espiritual. Era muito forte.
A senhora teve contato com ele nesses três anos?
Não, só de notícias, de longe, porque tinha conhecidos que conviviam com ele. Eu sabia dele por terceiros. Tinha dificuldade de vê-lo porque ele estava se acabando.
Seus filhos ficaram revoltados, se questionando?
Eles me deram todo apoio, sofreram junto comigo. Ficaram chocados, pois nunca esperavam que o pai fizesse aquilo. Quem fez a ponte entre nós e o pai foi minha filha Heloísa. Era ela quem falava com ele, que dava recados, que recebia recados. E até hoje continua sendo o meu suporte emocional.
Como foi esse período em que o pastor Darci ficou afastado de casa?
Deus foi tão bom comigo que, quando ele saiu de casa numa sexta-feira, já no domingo recebi um telefonema de uma pessoa me oferecendo um emprego na Junta de Missões Mundiais (JMM). Sou grata a Deus e até hoje a essa pessoa, a irmã Acidália Tymchak. Fui trabalhar. Trabalhei cinco anos na Junta e foi um período muito bom em minha vida. Foi aí que tive o meu salário e, depois, fui aposentada. Trabalhar lá foi um presente de Deus para mim.
Dentro da igreja, a senhora sentiu o que?
Senti muito apoio das pessoas. Mas, quando meu marido saiu, só me disseram o seguinte: "Você tem três meses para sair do apartamento, pagaremos o condomínio nesse tempo e o plano de saúde". Eu tinha contas para pagar. Este é o problema da esposa de pastor quando ele morre, ou quando o pastor sai da igreja, porque a família fica à deriva. Foi uma experiência muito dura, mas Deus supriu na hora certa e até hoje dou graças a Ele.
Como foi conviver com os irmãos naquela situação?
No meu entendimento, fui traída, mas a igreja também. Estávamos juntas. Houve também muita decepção de muitos membros da igreja com a atitude dele. Não adiantaria eu sair daqui para outra igreja porque não era uma pessoa desconhecida... Tendo sido ele presidente da CBB naquela época, em qualquer lugar que eu fosse, as pessoas me reconheceriam. Então, fiquei aqui na igreja e cá estou até hoje.
Uma postura corajosa...
Não foi fácil, não sei se isso é coragem, mas estou inteira.
E o retorno do pastor Darci? Quando e como ocorreu?
Em julho de 2001 ele me ligou, marcando um encontro comigo, onde ele perguntou se eu o recebia de volta. Eu aceitei o desafio, mas com uma única condição: que fizéssemos uma terapia de casal. Fizemos a terapia, porque eu achava que tínhamos de ajustar algumas coisas. Foi bom esse período.
Qual foi a sua primeira reação quando recebeu esse telefonema?
Fiquei com medo, porque eu não sabia se ele proporia o divórcio, porque eu tinha um sentimento que seria isso. Então eu fui. Quando cheguei à minha casa, dei a notícia para a minha filha: "Seu pai pediu para voltar". Aí foi aquela festa. Sabia que ele voltaria porque o que ele fez não era o perfil dele, a maneira como aconteceu foi muito diabólica. Sabia que a hora em que ele caísse em si, ele ia voltar.
Aí seus filhos...
Ficaram felizes da vida. No dia seguinte, fui a Niterói, onde acontecia o congresso da juventude batista. Meu filho Sérgio era diretor da juventude e era o responsável pelo evento. Quando cheguei lá, ele perguntou: "Mãe, e aí?" Aí, respondi: "Teu pai pediu para voltar". Até ali ele estava tenso. Depois, o congresso correu bem para ele. Tanto ele como ela tiveram uma reação muito positiva. O pai esteve no casamento de Sérgio junto comigo. Ele voltou três meses antes do casamento, participou e aí foi legal.
Como foi essa reconstrução?
Foi difícil porque eu ficara três anos sozinha, tinha uma vida mais ou menos esquematizada. Já tinha meu emprego, meu salário... Foi uma experiência interessante porque tive de me readaptar à chegada dele. Não era mais o maridão que eu tive, era uma outra pessoa. Mudou muito, por conta da tristeza de ter feito o que não devia. Ficou mais introvertido do que já era.
A senhora declarou recentemente que não desejava aquela experiência para ninguém e que, através dela, aprendeu que Deus chora conosco em nossas dores e que, com Ele, transformou desgraça em graça. Como se deu esse processo de cicatrização daquela ferida?
Foi graça, a graça de Deus no coração da gente.
Conseguiu olhar para o pastor Darci e vê-lo da mesma maneira em seu coração?
Sim. Eu só lamento pela morte dele, pois pretendia ficar mais tempo com ele. Se vivo estivesse hoje, veria a neta [Letícia, 3 anos] que tem olhos da mesma cor dos olhos da mãe dele.
Viu claramente a ação de Deus no arrependimento dele?
Sim, sem dúvida. Foi muito de Deus.
A senhora tinha 28 anos de casada quando aconteceu aquele rompimento e disse que se tratava de uma questão espiritual e, por isso, não poderia abrir mão de seu relacionamento conjugal. Muitas mulheres em seu lugar teriam desistido. Por que não desistiu?
Estava casada. Não havia divórcio algum, mas não impediria caso ele pedisse. Entretanto, não pediria o divórcio por causa da minha certeza absoluta que era uma coisa espiritual também. Não desisti porque sou teimosa, mas acho que a razão principal foi o fato de ter percebido claramente tratar-se de algo demoníaco. Sei que foi uma obra espiritual maligna, Sempre dizia nas minhas orações que aquela bandeira Satanás não levaria; quem levaria era Jesus Cristo.
Sua atitude de busca da cura daquela ferida vai na contramão do que é pregado na sociedade atual, que diz que casar e descasar é questão de momento. Quando se trata de pastores e seus casamentos, o divórcio é ainda mais complicado. Por que, em sua opinião, a Igreja está convivendo cada vez mais com esse problema?
Para mim, são duas coisas: primeiro, precisava haver mais preparo para os jovens antes do casamento, com cursos, aulas, orientação; segundo, é o secularismo. Hoje em dia tudo é descartável, inclusive o casamento. A pessoa casa. Se deu certo, deu; se não deu, separa e faz o divórcio. Aí casa com outro. É um modelo secular que acho pernicioso.
Não se assusta com o fato desse modelo secular estar entrando nas igrejas?
Claro, a família é a raiz de tudo. Se você esfacela a família, esfacela tudo. Para mim, a família – pai, mãe e filhos – é o principal. Se não existe essa ordem divina, fica complicado. Enfraquecendo as famílias, enfraquecem-se as igrejas também, e uma podia ajudar a outra, tanto na orientação dos pais, como na orientação dos noivos, dos jovens.
A senhora disse que não há nada melhor do que ser esposa de pastor. Por que?
Adorava ser esposa de pastor, que não é um chamado, mas um privilégio dado por Deus de acompanhar um vocacionado de Deus. Sempre digo para esposas de pastor o seguinte: "Você não é vocacionada, é privilegiada porque Deus te colocou ao lado de um vocacionado, de um escolhido do Senhor". Curti muito ter sido esposa de pastor.
Qual deve ser o papel da esposa de um líder de igreja?
Acompanhar e ser confidente. É a única pessoa na congregação que pode falar com o pastor assim: "Você não podia ter falado aquilo, você falou demais, mas você podia ter falado isso." A gente pode falar isso por causa da intimidade que tem. Isso aconteceu muitas vezes com a gente, de eu dizer a ele: "Cuidado com o que você falou hoje no culto..." Não é ficar criticando tudo, mas, se perceber algumas coisas, tentar dar um apoio. Na grande maioria das vezes, eu dizia para ele: "Hoje você foi dez". Mas, uma vez ou outra, a gente dava uma palavra. O problema em muitos casais é que o marido não aceita as observações da esposa, o que não era o meu caso.
O pastor, de um modo geral, enfrenta problemas para conciliar a agenda eclesiástica com o convívio familiar?
Sim. Os pastores enfrentam isso porque eles não foram ensinados a fazer da família a sua prioridade. Quando Jesus disse Amarás o Senhor teu Deus de todo coração e ao teu próximo como a ti mesmo, Ele sintetizou mais de 600 mandamentos em três: amar a si, amar ao próximo e amar a Deus. Então, primeiro eu, depois a família e depois a igreja. Primeiro eu tenho de estar bem comigo mesmo, bem com a minha família e bem com a igreja. Se não estiver bem com a família, será difícil estar bem com a igreja. O pastor tem de olhar para a família porque, além de pastor, ele é pai e marido. Precisa dar atenção a essas funções, antes da igreja.
“A família é a raiz de tudo”
quarta-feira, 27 de abril de 2016
BlogIEP Entrevistas: pr. Elben "Testemunho da Igreja"
Nesta entrevista, pastor Elben nos leva a uma reflexão profunda sobre o testemunho da Igreja e dos líderes evangélicos no mundo, e alerta: "Precisamos lembrar que os escândalos religiosos são a maior fábrica de ateus da história".
Temos assistido ao que a revista Veja classificou como “crescimento vertiginoso das igrejas evangélicas”. Ao mesmo tempo em que muitos comemoram, percebemos o crescimento assustador da violência. Que leitura o senhor faz destes números conflitantes?
Elben - O tal “crescimento vertiginoso das igrejas evangélicas” deve-se em parte à teologia da prosperidade, que oferece uma esperança mais imediata do que escatológica, mais egocêntrica do que comunitária, mais fluida do que consistente, mais temporal do que eterna, mais mental do que espiritual. Porque certos grupos crescem mais do que outros, os grupos menores copiam suas estratégias sem qualquer aprofundamento. Instala-se então a concorrência e esta funciona por causa da natureza humana. Até a Igreja Católica entra na jogada para não perder fiéis. A badalada paixão pelas almas de alguns anos atrás cedeu lugar à paixão pelo crescimento numérico. Então, a pregação do pecado, do arrependimento, da conversão, do negar-se a si mesmo, da porta estreita, da solidariedade humana, torna-se impopular e rara. Por incrível que pareça, a denúncia de Santo Agostinho, pronunciada há mais de 16 séculos, é oportuna hoje: “Muitos clamam a Deus com o intuito de adquirir riquezas e evitar prejuízos, pela felicidade temporal e coisas semelhantes. Raramente alguém clama pelo próprio Deus. Assim, é fácil ao homem desejar alguma coisa de Deus e não desejar o próprio Deus, como se o que ele dá pudesse ser mais gratificante do que ele mesmo”. A recente crítica do cineasta católico italiano Antonio Monda, autor de Deus e Eu combina com tudo isso: a “new age” é “a religião em que se aproveita apenas aquilo de que se gosta”.
De que modo episódios de mau testemunho de igrejas noticiados pela mídia repercutem no meio evangélico? Esse tipo de notícia levaria a membresia a ser menos comprometida com os valores do evangelho?
Elben - A reação varia de pessoa para pessoa. Alguns trocam de denominação na esperança nem sempre bem-sucedida de ver menos escândalos. É muito comum abandonar a igreja por algum tempo (aconteceu com Phillip Yancey) ou para sempre (alguém já disse que a quantidade de ex-crentes é maior do que o rol de membros de todas as igrejas reunidas). Outros negam os escândalos e dizem que é perseguição da mídia ou mentira do Diabo. Há também aqueles que não se perturbam, não se incomodam e até se sentem bem, para não ficarem sozinhos em seus escândalos. Há ainda aqueles que se alegram com os escândalos alheios para ganhar alguma vantagem (novos admiradores e novos contribuintes). Precisamos lembrar que os escândalos religiosos são a maior fábrica de ateus da história. O número de descrentes, céticos e agnósticos é enorme entre os historiadores. Todavia, ainda há, graças a Deus, os que choram amargamente os escândalos dos outros como se fossem seus e levam a sério a exortação de Paulo em 1 Co 10.12: “Aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair”.
Em um documento que trata do “Ministério Diaconal das Igrejas Luteranas”, o autor diz que “a credibilidade da igreja já não pode ser presumida como fato”. Qual a sua opinião a respeito dessa afirmação? A igreja estaria desacreditada?
Elben - Lamento muito ser obrigado a admitir que faço parte do grupo que acredita que a igreja está desacreditada. Basta ler O Escândalo do Comportamento Evangélico, de Ronald J. Sider, recentemente publicado no Brasil. Embora o autor se refira aos maus testemunhos dos evangélicos americanos, o problema é universal. Segundo ele, “nos Estados Unidos, o divórcio é mais comum entre os cristãos ‘nascidos de novo’ que entre a população em geral”. Sider cita Michael Horton: “Os cristãos evangélicos estão aderindo a estilos de vida hedonistas, materialistas, egoístas e sexualmente imorais com a mesma proporção que o mundo”. De fato, em março de 2004, pesquisadores das Universidades de Columbia e Yale constataram que as taxas de doenças sexualmente transmissíveis foram quase idênticas entre os adolescentes evangélicos que fizeram o compromisso de esperar o casamento para se iniciarem sexualmente a os que não o fizeram. Sider cita também John G. Stackhouse: “Muitos evangélicos mentem, enganam e pecam contra os outros com ‘uma alegria de quem já está perdoado’, com uma atitude do tipo ‘estou numa boa’ porque Jesus me ama e não lhe devo nada”. Se já não somos o sal da terra, a luz do mundo e o bom perfume de Cristo, não servimos para mais nada, exceto para sermos jogados fora e pisados pelos homens, de acordo com Jesus. Preciso citar mais uma vez Ronald Sider: “A ótima qualidade das vidas dos cristãos primitivos atraía as pessoas a Cristo. Hoje, nossa hipocrisia sempre as afasta dele”. Não temos defesa: estamos desacreditados diante do governo (também desacreditado), diante dos críticos, diante dos antigos simpatizantes, diante dos opositores, diante da mídia (caçadora de escândalo) e diante do povo. É uma triste realidade. Mas isso não quer dizer que não haja exceções. Em toda história do povo de Deus sempre houve um remanescente fiel.
A Bíblia relata que em Corinto os crentes eram repreendidos pelo fato de permanecerem no estágio de bebês por tempo demais. Isso acontece com as igrejas brasileiras? Seria uma das razões de seus maus testemunhos?
Elben - O exemplo de Corinto é desanimador. Antes e na ocasião em que a Primeira Carta aos Coríntios foi escrita, os crentes já eram e continuavam a ser “crianças em Cristo”. Por ocasião da Segunda Carta, escrita um ano depois, Paulo confessa estar morrendo de medo de reencontrá-los do mesmo modo, em “brigas e ciumeiras, ódio e egoísmo, insultos, falatório, orgulho e desordens” (2 Co 12.20). Se, à semelhança dos cristãos coríntios, brigamos uns com os outros, formamos grupinhos antagônicos (“Eu sou de Paulo”; “Eu sou de Apolo”; “Eu sou de Pedro”; “Eu sou de Cristo”), temos inveja e ciúmes mútuos, trabalhamos na base de competição, então entendo que somos carnais e não espirituais, andamos segundo a cultura mundana e não segundo o exemplo do Senhor. Nesse caso, nós também somos “criancinhas em Cristo” e não damos bom testemunho.
E quanto a líderes-bebês? A imaturidade de grande parte da membresia teria relação direta com a imaturidade da liderança? O que o senhor poderia dizer sobre isso?
Elben - Se dissermos de forma categórica que, se não houvesse líderes-bebês, também não haveria “crianças em Cristo” em nossas igrejas, estaríamos cometendo uma grande injustiça contra Paulo, Pedro e Apolo, e também contra uma quantidade razoável de pastores verdadeiramente abnegados e íntegros do presente e do passado recente ou remoto. Atingiríamos também aquele profeta que desabafou: “Durante vinte e três anos a palavra do Senhor tem vindo a mim [...] e eu [começando de madrugada] a tenho anunciado, dia após dia, mas vocês não me deram ouvidos” (Jr 25.3). Por um período de tempo quase duas vezes maior, Moisés carregou nos braços o povo de Israel, do Egito a Canaã, “como uma ama carrega um recém-nascido”, mas os israelitas nunca deixaram de ser bebês no deserto e cometeram muitas loucuras, tais como idolatria e imoralidade sexual. Ao mesmo tempo, é impossível negar a estreita relação entre os pastores-bebês e os rebanhos-bebês.
Trata-se de despreparo teológico?
Elben - O problema não é só o despreparo teológico. Existem outros despreparos mais graves — o despreparo vocacional, o despreparo ético, o despreparo na comunicação da Palavra, o despreparo na verdadeira motivação, o despreparo quanto ao conhecimento da riqueza toda que há na pessoa de Jesus, o despreparo devocional, o despreparo da paixão, para não mencionar outros. O problema é muito complexo porque crentes-bebês se sentem muito melhores sob a direção de líderes-bebês e estes precisam de crentes-bebês para continuar no “ministério”. Esse acordo mútuo é muito antigo. Um grupo se alimenta do outro. O rei Acabe só consultava os profetas que profetizavam o que ele queria ouvir, como relatado em 1 Rs 22.1-28.
Qual a responsabilidade dos líderes na construção de uma igreja que não se conforme com o mundo e que verdadeiramente cause impacto na sociedade?
Elben - Outro dia estava lendo 2 Coríntios 11 e me veio a idéia de um artigo e palestra, que teria o título O sonho de uma virgem intacta. Tenho a forte impressão de que se todos nós ou a maioria dos líderes abraçássemos solenemente o sonho de Paulo, as coisas começariam a mudar e a mudança seria enorme. O sonho do apóstolo está no segundo versículo: “Eu os prometi a um único marido, Cristo, querendo apresentá-los a ele como uma virgem pura”. Troquei propositadamente a palavra “pura” por “intacta”, usada na versão da Bíblia do Peregrino, por julgá-la mais enfática. Todos nós precisamos assumir o compromisso e o sonho de Paulo de modo que não entreguemos ao Noivo, no dia das bodas do Cordeiro, uma falsa virgem, não pura e muito menos intacta. É um sonho muito alto e difícil por causa do pecado residente, da cultura secular e das potestades do ar. Difícil, porém, não impossível. O bispo metodista John Fletcher, contemporâneo de John Wesley, dizia: “Minha esposa é bem melhor para mim do que a Igreja é para Cristo”. Precisamos acabar com essa tremenda injustiça!
Alguns pais evangélicos têm passado pela experiência de ver seus filhos na prática do crime e da violência, como ocorreu com o pai de dois bandidos envolvidos na morte do menino João Hélio no Rio de Janeiro. Que relação o senhor vê entre fatos assim e o testemunho da igreja?
Elben - Posso imaginar a surpresa e a dor daquele casal evangélico de Madureira, no Rio de Janeiro, RJ, que, de repente, ficou sabendo que seu filho de 19 anos era um dos responsáveis pela morte de João Hélio (Veja, 21/02/07, p. 46). Posso imaginar a surpresa e a dor de Adão e Eva quando ficaram sabendo que o filho desaparecido havia sido morto pelo próprio irmão. Posso imaginar a surpresa e a dor de Jacó quando ficou sabendo que foram seus próprios filhos que tinham vendido o então caçulinha para os mercadores ismaelitas. Posso imaginar a surpresa e a dor de Davi quando ficou sabendo do estupro da filha Tamar, cometido pelo irmão dela, e do assassinato deste por outro filho. Posso imaginar a surpresa e a dor de Maria quando percebeu que seus quatro filhos com José não criam na divindade do irmão mais velho e diziam que ele era um megalomaníaco. Alguns desses casos são difíceis de explicar. Mas não há dúvida de que o mau exemplo dos pais e o mau testemunho da igreja têm muito a ver com o afastamento dos nossos filhos do evangelho. Não temos dado muita importância a uma informação contida na história de Jó. Além de íntegro e justo, além de ser o homem mais rico do Oriente, além de ter suportado o sofrimento todo sem perder a fé, Jó tinha um especial cuidado com os filhos, no que diz respeito ao seu relacionamento com Deus. Como os sete filhos costumavam promover freqüentes banquetes, o homem da terra de Uz, quando terminava uma rodada de banquetes, mandava chamá-los e fazia com que eles se purificassem e ainda oferecia um holocausto em favor de cada um deles. "Jó sempre fazia isso porque pensava que um dos filhos poderia ter pecado, ofendendo a Deus em pensamento" (Jó 1.4-5, NTLH).
Que reflexão ou exortação o senhor gostaria de deixar para nossos leitores em relação ao testemunho da igreja?
Elben - Creio que a menção do “Sonho da virgem intacta” é suficiente!
Fonte: site www.institutojetro.com
Temos assistido ao que a revista Veja classificou como “crescimento vertiginoso das igrejas evangélicas”. Ao mesmo tempo em que muitos comemoram, percebemos o crescimento assustador da violência. Que leitura o senhor faz destes números conflitantes?
Elben - O tal “crescimento vertiginoso das igrejas evangélicas” deve-se em parte à teologia da prosperidade, que oferece uma esperança mais imediata do que escatológica, mais egocêntrica do que comunitária, mais fluida do que consistente, mais temporal do que eterna, mais mental do que espiritual. Porque certos grupos crescem mais do que outros, os grupos menores copiam suas estratégias sem qualquer aprofundamento. Instala-se então a concorrência e esta funciona por causa da natureza humana. Até a Igreja Católica entra na jogada para não perder fiéis. A badalada paixão pelas almas de alguns anos atrás cedeu lugar à paixão pelo crescimento numérico. Então, a pregação do pecado, do arrependimento, da conversão, do negar-se a si mesmo, da porta estreita, da solidariedade humana, torna-se impopular e rara. Por incrível que pareça, a denúncia de Santo Agostinho, pronunciada há mais de 16 séculos, é oportuna hoje: “Muitos clamam a Deus com o intuito de adquirir riquezas e evitar prejuízos, pela felicidade temporal e coisas semelhantes. Raramente alguém clama pelo próprio Deus. Assim, é fácil ao homem desejar alguma coisa de Deus e não desejar o próprio Deus, como se o que ele dá pudesse ser mais gratificante do que ele mesmo”. A recente crítica do cineasta católico italiano Antonio Monda, autor de Deus e Eu combina com tudo isso: a “new age” é “a religião em que se aproveita apenas aquilo de que se gosta”.
De que modo episódios de mau testemunho de igrejas noticiados pela mídia repercutem no meio evangélico? Esse tipo de notícia levaria a membresia a ser menos comprometida com os valores do evangelho?
Elben - A reação varia de pessoa para pessoa. Alguns trocam de denominação na esperança nem sempre bem-sucedida de ver menos escândalos. É muito comum abandonar a igreja por algum tempo (aconteceu com Phillip Yancey) ou para sempre (alguém já disse que a quantidade de ex-crentes é maior do que o rol de membros de todas as igrejas reunidas). Outros negam os escândalos e dizem que é perseguição da mídia ou mentira do Diabo. Há também aqueles que não se perturbam, não se incomodam e até se sentem bem, para não ficarem sozinhos em seus escândalos. Há ainda aqueles que se alegram com os escândalos alheios para ganhar alguma vantagem (novos admiradores e novos contribuintes). Precisamos lembrar que os escândalos religiosos são a maior fábrica de ateus da história. O número de descrentes, céticos e agnósticos é enorme entre os historiadores. Todavia, ainda há, graças a Deus, os que choram amargamente os escândalos dos outros como se fossem seus e levam a sério a exortação de Paulo em 1 Co 10.12: “Aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair”.
Em um documento que trata do “Ministério Diaconal das Igrejas Luteranas”, o autor diz que “a credibilidade da igreja já não pode ser presumida como fato”. Qual a sua opinião a respeito dessa afirmação? A igreja estaria desacreditada?
Elben - Lamento muito ser obrigado a admitir que faço parte do grupo que acredita que a igreja está desacreditada. Basta ler O Escândalo do Comportamento Evangélico, de Ronald J. Sider, recentemente publicado no Brasil. Embora o autor se refira aos maus testemunhos dos evangélicos americanos, o problema é universal. Segundo ele, “nos Estados Unidos, o divórcio é mais comum entre os cristãos ‘nascidos de novo’ que entre a população em geral”. Sider cita Michael Horton: “Os cristãos evangélicos estão aderindo a estilos de vida hedonistas, materialistas, egoístas e sexualmente imorais com a mesma proporção que o mundo”. De fato, em março de 2004, pesquisadores das Universidades de Columbia e Yale constataram que as taxas de doenças sexualmente transmissíveis foram quase idênticas entre os adolescentes evangélicos que fizeram o compromisso de esperar o casamento para se iniciarem sexualmente a os que não o fizeram. Sider cita também John G. Stackhouse: “Muitos evangélicos mentem, enganam e pecam contra os outros com ‘uma alegria de quem já está perdoado’, com uma atitude do tipo ‘estou numa boa’ porque Jesus me ama e não lhe devo nada”. Se já não somos o sal da terra, a luz do mundo e o bom perfume de Cristo, não servimos para mais nada, exceto para sermos jogados fora e pisados pelos homens, de acordo com Jesus. Preciso citar mais uma vez Ronald Sider: “A ótima qualidade das vidas dos cristãos primitivos atraía as pessoas a Cristo. Hoje, nossa hipocrisia sempre as afasta dele”. Não temos defesa: estamos desacreditados diante do governo (também desacreditado), diante dos críticos, diante dos antigos simpatizantes, diante dos opositores, diante da mídia (caçadora de escândalo) e diante do povo. É uma triste realidade. Mas isso não quer dizer que não haja exceções. Em toda história do povo de Deus sempre houve um remanescente fiel.
A Bíblia relata que em Corinto os crentes eram repreendidos pelo fato de permanecerem no estágio de bebês por tempo demais. Isso acontece com as igrejas brasileiras? Seria uma das razões de seus maus testemunhos?
Elben - O exemplo de Corinto é desanimador. Antes e na ocasião em que a Primeira Carta aos Coríntios foi escrita, os crentes já eram e continuavam a ser “crianças em Cristo”. Por ocasião da Segunda Carta, escrita um ano depois, Paulo confessa estar morrendo de medo de reencontrá-los do mesmo modo, em “brigas e ciumeiras, ódio e egoísmo, insultos, falatório, orgulho e desordens” (2 Co 12.20). Se, à semelhança dos cristãos coríntios, brigamos uns com os outros, formamos grupinhos antagônicos (“Eu sou de Paulo”; “Eu sou de Apolo”; “Eu sou de Pedro”; “Eu sou de Cristo”), temos inveja e ciúmes mútuos, trabalhamos na base de competição, então entendo que somos carnais e não espirituais, andamos segundo a cultura mundana e não segundo o exemplo do Senhor. Nesse caso, nós também somos “criancinhas em Cristo” e não damos bom testemunho.
E quanto a líderes-bebês? A imaturidade de grande parte da membresia teria relação direta com a imaturidade da liderança? O que o senhor poderia dizer sobre isso?
Elben - Se dissermos de forma categórica que, se não houvesse líderes-bebês, também não haveria “crianças em Cristo” em nossas igrejas, estaríamos cometendo uma grande injustiça contra Paulo, Pedro e Apolo, e também contra uma quantidade razoável de pastores verdadeiramente abnegados e íntegros do presente e do passado recente ou remoto. Atingiríamos também aquele profeta que desabafou: “Durante vinte e três anos a palavra do Senhor tem vindo a mim [...] e eu [começando de madrugada] a tenho anunciado, dia após dia, mas vocês não me deram ouvidos” (Jr 25.3). Por um período de tempo quase duas vezes maior, Moisés carregou nos braços o povo de Israel, do Egito a Canaã, “como uma ama carrega um recém-nascido”, mas os israelitas nunca deixaram de ser bebês no deserto e cometeram muitas loucuras, tais como idolatria e imoralidade sexual. Ao mesmo tempo, é impossível negar a estreita relação entre os pastores-bebês e os rebanhos-bebês.
Trata-se de despreparo teológico?
Elben - O problema não é só o despreparo teológico. Existem outros despreparos mais graves — o despreparo vocacional, o despreparo ético, o despreparo na comunicação da Palavra, o despreparo na verdadeira motivação, o despreparo quanto ao conhecimento da riqueza toda que há na pessoa de Jesus, o despreparo devocional, o despreparo da paixão, para não mencionar outros. O problema é muito complexo porque crentes-bebês se sentem muito melhores sob a direção de líderes-bebês e estes precisam de crentes-bebês para continuar no “ministério”. Esse acordo mútuo é muito antigo. Um grupo se alimenta do outro. O rei Acabe só consultava os profetas que profetizavam o que ele queria ouvir, como relatado em 1 Rs 22.1-28.
Qual a responsabilidade dos líderes na construção de uma igreja que não se conforme com o mundo e que verdadeiramente cause impacto na sociedade?
Elben - Outro dia estava lendo 2 Coríntios 11 e me veio a idéia de um artigo e palestra, que teria o título O sonho de uma virgem intacta. Tenho a forte impressão de que se todos nós ou a maioria dos líderes abraçássemos solenemente o sonho de Paulo, as coisas começariam a mudar e a mudança seria enorme. O sonho do apóstolo está no segundo versículo: “Eu os prometi a um único marido, Cristo, querendo apresentá-los a ele como uma virgem pura”. Troquei propositadamente a palavra “pura” por “intacta”, usada na versão da Bíblia do Peregrino, por julgá-la mais enfática. Todos nós precisamos assumir o compromisso e o sonho de Paulo de modo que não entreguemos ao Noivo, no dia das bodas do Cordeiro, uma falsa virgem, não pura e muito menos intacta. É um sonho muito alto e difícil por causa do pecado residente, da cultura secular e das potestades do ar. Difícil, porém, não impossível. O bispo metodista John Fletcher, contemporâneo de John Wesley, dizia: “Minha esposa é bem melhor para mim do que a Igreja é para Cristo”. Precisamos acabar com essa tremenda injustiça!
Alguns pais evangélicos têm passado pela experiência de ver seus filhos na prática do crime e da violência, como ocorreu com o pai de dois bandidos envolvidos na morte do menino João Hélio no Rio de Janeiro. Que relação o senhor vê entre fatos assim e o testemunho da igreja?
Elben - Posso imaginar a surpresa e a dor daquele casal evangélico de Madureira, no Rio de Janeiro, RJ, que, de repente, ficou sabendo que seu filho de 19 anos era um dos responsáveis pela morte de João Hélio (Veja, 21/02/07, p. 46). Posso imaginar a surpresa e a dor de Adão e Eva quando ficaram sabendo que o filho desaparecido havia sido morto pelo próprio irmão. Posso imaginar a surpresa e a dor de Jacó quando ficou sabendo que foram seus próprios filhos que tinham vendido o então caçulinha para os mercadores ismaelitas. Posso imaginar a surpresa e a dor de Davi quando ficou sabendo do estupro da filha Tamar, cometido pelo irmão dela, e do assassinato deste por outro filho. Posso imaginar a surpresa e a dor de Maria quando percebeu que seus quatro filhos com José não criam na divindade do irmão mais velho e diziam que ele era um megalomaníaco. Alguns desses casos são difíceis de explicar. Mas não há dúvida de que o mau exemplo dos pais e o mau testemunho da igreja têm muito a ver com o afastamento dos nossos filhos do evangelho. Não temos dado muita importância a uma informação contida na história de Jó. Além de íntegro e justo, além de ser o homem mais rico do Oriente, além de ter suportado o sofrimento todo sem perder a fé, Jó tinha um especial cuidado com os filhos, no que diz respeito ao seu relacionamento com Deus. Como os sete filhos costumavam promover freqüentes banquetes, o homem da terra de Uz, quando terminava uma rodada de banquetes, mandava chamá-los e fazia com que eles se purificassem e ainda oferecia um holocausto em favor de cada um deles. "Jó sempre fazia isso porque pensava que um dos filhos poderia ter pecado, ofendendo a Deus em pensamento" (Jó 1.4-5, NTLH).
Que reflexão ou exortação o senhor gostaria de deixar para nossos leitores em relação ao testemunho da igreja?
Elben - Creio que a menção do “Sonho da virgem intacta” é suficiente!
Fonte: site www.institutojetro.com
terça-feira, 15 de março de 2016
BlogIEP entrevista: pastor Mario Barroso ( Como é ser cristão em Cuba?)
ANAJURE – Como é ser cristão em Cuba, e como é o trabalho que o senhor desenvolve na Igreja Batista?
Mario Barroso – Ser cristão em si já é um grande privilégio. E neste país, onde vivemos num regime totalitário por mais de 50 anos é um privilégio ainda maior, pois apesar das dificuldades os princípios do Reino de Deus se destacam neste tipo de governo opressor. Devido à necessidade de obreiros, ensino Novo Testamento no Seminário Teológico da Primeira Igreja Batista, na cidade de Santa Clara, e em três filiais do Seminário Teológico Batista de Havana, nas três congregações situadas em Vueltas, Remedios e Cruces. O meu trabalho como pastor de duas congregações no centro de Cuba, nas comunidades de Taguayabón e Rosalía, onde há muita limitação e carência econômica, é bastante difícil. Sou um pastor sem carro, sem telefone fixo, sem internet, sem biblioteca onde eu possa conseguir literatura atualizada, e o teto de um dos templos que tem quase dois séculos está quase caindo. Mas sabemos que vale a pena tentar imitar a Cristo, que também viveu essas tensões e privações num contexto muito parecido, mas sem vacilar. Além do Evangelho eterno que salva das conseqüências do pecado, nós espalhamos os valores e a ética do Reino de Deus, tão carentes em Cuba. Princípios que não fazem parte, por exemplo, da única educação legalizada da ilha, que é controlada pelo regime. E por assim ser, a educação é desenhada para doutrinar nossas crianças através de um programa educacional totalmente ideologizado e formatado pra semear ateísmo e violência nas mentes.
A – Qual o maior desafio da igreja cubana na atualidade?
MB – A igreja cubana enfrenta grandes desafios desde o passado. Nos anos 60, por exemplo, o regime político vigente declarou guerra ao cristianismo, se filiou às doutrinas leninistas, e literalmente declarou que a religião era a coisa mais danosa que podia existir debaixo do céu. O governo colocou ainda muitos cristãos em campos de concentração, denominados de Unidades Militares de Apoyo a la Producción (UMAP). Em 1965, nós batistas vivemos uma das maiores crises da nossa história porque a maioria dos nossos pastores foram presos. Uma das igrejas que pastoreio, a de Taguayabón, durante mais de ano teve um selo em sua porta, após ter todos os seus móveis confiscados. Um juiz chegou ao ponto de declarar ao pastor Luis Manuel González Peña, que na época era líder dos batistas cubanos, que em 30 anos não haveria mais nenhuma igreja em Cuba. O pastor respondeu: – “Senhor magistrado, o Cristianismo existe a quase dois mil anos e nada, e nem ninguém, conseguiu destruí-lo. Em 30 anos teremos o dobro de igrejas em Cuba!”. E assim foi.
Desde a crise na qual caiu o regime nos anos 90, sem o amparo da antiga União Soviética que ajudou Cuba a cometer tantos desatinos, as igrejas se multiplicaram num autêntico avivamento. Hoje, o debilitado regime político de Cuba está obrigado a buscar pilares sobre os quais possa se apoiar para tentar sobreviver. A mesma igreja que se pretendeu destruir antes, agora se pretende usá-la. O desafio maior para a igreja cubana na atualidade está no fato dela conseguir não escutar as falsas adulações, nem cair nos enganos e chantagens do governo. Para uma sociedade moralmente desolada, depois de cinco décadas de destruição generalizada, na qual o dano antropológico é grande, uma igreja disposta a condenar os responsáveis e a sarar as vítimas, representa nosso maior desafio. No meio de comportamentos tão vis, onde o mal age ferozmente, servir a Cristo passa a ser uma grande responsabilidade. Mas quem deseja viver às custas de Cristo encontrará um bom lugar, pois o Regime pede a gritos "sacerdotes e profetas" que segundo o modelo oferecido em Apocalipse 13, entreguem sua boa visão ao poder político e adormeçam a massa.
A – Como tem sido o trabalho do senhor com relação à Liberdade de religião e de expressão em Cuba?
MB – O evangelho de Cristo, nas palavras de Dietrich Bonhoeffer, "libera-nos de tudo o que nos oprime…". Uma pregação equilibrada das boas novas de Cristo não está separada da defesa das liberdades que todos os seres humanos têm direito. Embora o regime tenha feitos esforços para me isolar nas comunidades rurais no centro de Cuba, pelas quais tenho muito amor, os púlpitos nos quais proclamo o evangelho e a ética do sermão da montanha estão ganhando mais espaço com o auxílio das novas tecnologias, mesmo com o fato de não possuirmos internet em casa e nos sacrificarmos bastante para tal. Em novembro de 2010 nasceu o meu blog, cubanoconfesante.com, que completa agora três anos. E em janeiro de 2012 a minha conta no twitter @maritovoz, que logo se uniu ao de minha esposa @yoaxism, aumentou ainda mais o nosso alcance. Esses meios estão sendo usados por Deus para salvar nossas próprias vidas, e também como um meio de Graça, para cumprir a dupla missão que está entranhada em nós que é DENUNCIAR E ANUNCIAR. Sem a ajuda de Deus isto seria humanamente impossível. O Regime cubano tem resistido em sua maldade com o passar dos anos. Diferente de sua melhor aliada, a Coreia do Norte – a quem não interessa cuidar de sua própria imagem – os que governam Cuba se preocupam com isto, fato que os fazem mais perigosos, porque já não fuzilam abertamente, como ocorre na Coreia. Em Cuba, se gloriam de uma moratória da Pena de Morte desde 2003, no entanto assassinam extrajudicialmente, e as mortes de Juan Wilfredo Soto (maio de 2011), Laura Pollan (outubro de 2011) e Oswaldo Paya (julho de 2012) são a prova disto.
A – Por favor, deixe uma reflexão para a Igreja Brasileira acerca das oportunidades e orar e ajudar a igreja perseguida em Cuba.
MB – Em 3 de novembro, diversas organizações cristãs a nível mundial, incluindo a CSW e a Open Doors, convocaram um dia mundial de oração pela igreja perseguida. Mas não basta apenas um dia de oração para interceder por nossos irmãos em tribulação pelo mundo. Hebreus 13.3 deve converter-se em um imperativo enquanto houver sofrimento no mundo. Em nome da igreja de Cuba, que se encontra diante do enorme desafio de não ser cúmplice de um regime que a cada dia é desmascarado pela história, pedimos muita oração pelos nossos irmãos, na Igreja brasileira. Gestos como o de Raimundo Barreto, da Aliança Batista Nacional, são exemplos do que o Brasil pode fazer, não sendo indiferente ante o clamor de liberdade de um povo que sofre e cujos direitos são pisoteados por uma família que se apropriou do país há mais de 50 anos e ainda o usa como um feudo. Não posso perder esta oportunidade para colocar como exemplo no Brasil o Ministério Luz para o Caminho, da Igreja Presbiteriana do Brasil, dirigido pelo pastor Hernandes Dias Lopes, com sede em Campinas- SP. Eles têm investido com orações e finanças para que literatura cristã impressa e multimídia chegue a Cuba, com uma mensagem edificante que nos inspira em nossa missão. O devocional 'Cada Dia' que eles enviam para ser distribuído gratuitamente dentro da ilha transformou-se no devocional diário de milhares de cubanos. Em nossas igrejas temos sido beneficiados por sua solidariedade. Outras igrejas e ministérios no Brasil também podem fazer o mesmo, além de orar, claro. Uma mensagem muito importante para o Brasil: o debilitado regime que desgoverna a ilha por mais de 50 anos não tenta encontrar só na igreja um punhal para ferir sua cambaleante estrutura, mas também o faz no Brasil – O gigante do sul. É importante que o Brasil receba sabedoria de Deus e não se deixe enganar, mas entenda que uma coisa é o regime que se apoderou da ilha, e outra coisa é o povo cubano. A prosperidade econômica do Brasil constitui um ponto de observação para o regime no continente. Tratando de buscar ajuda para manter-se no poder. Que o Brasil, e em especial a igreja brasileira, passe pela história como um povo que ajudou os cubanos a se libertarem do jugo do atual regime, e não o contrário. A propaganda do regime de Havana é habilidosa e confunde a muitos, tal como, demonstra o caso da Open Doors, embora estejamos seguros que eles irão reavaliar a lista com base em nossos argumentos. Não se enganem. Agradecemos ao Brasil pelos investimentos milionários realizados no porto de Mariel, em Havana, que isto será algo muito importante para a futura Cuba democrática que sonhamos, onde os direitos humanos são respeitados. Ressaltamos que é importante que o dinheiro deste porto não fique com uma elite que a cada dia enriquece mais, enquanto oprime um povo cada vez mais empobrecido. Esses recursos não devem servir para que o povo seja ainda mais maltratado. Se a igreja brasileira puder incentivar seu governo para que ele priorize os direitos humanos em sua política exterior acima dos interesses econômicos, não ficará dúvida de que o fizeram por se alinhar aos interesses de Cristo em nossa sofrida ilha…
Por fim, nossa oração é que Deus continue abençoando o Brasil!
Fonte: ANAJURE Wanda Galvão – Jornalista e Secretária Administrativa
Mario Barroso – Ser cristão em si já é um grande privilégio. E neste país, onde vivemos num regime totalitário por mais de 50 anos é um privilégio ainda maior, pois apesar das dificuldades os princípios do Reino de Deus se destacam neste tipo de governo opressor. Devido à necessidade de obreiros, ensino Novo Testamento no Seminário Teológico da Primeira Igreja Batista, na cidade de Santa Clara, e em três filiais do Seminário Teológico Batista de Havana, nas três congregações situadas em Vueltas, Remedios e Cruces. O meu trabalho como pastor de duas congregações no centro de Cuba, nas comunidades de Taguayabón e Rosalía, onde há muita limitação e carência econômica, é bastante difícil. Sou um pastor sem carro, sem telefone fixo, sem internet, sem biblioteca onde eu possa conseguir literatura atualizada, e o teto de um dos templos que tem quase dois séculos está quase caindo. Mas sabemos que vale a pena tentar imitar a Cristo, que também viveu essas tensões e privações num contexto muito parecido, mas sem vacilar. Além do Evangelho eterno que salva das conseqüências do pecado, nós espalhamos os valores e a ética do Reino de Deus, tão carentes em Cuba. Princípios que não fazem parte, por exemplo, da única educação legalizada da ilha, que é controlada pelo regime. E por assim ser, a educação é desenhada para doutrinar nossas crianças através de um programa educacional totalmente ideologizado e formatado pra semear ateísmo e violência nas mentes.
A – Qual o maior desafio da igreja cubana na atualidade?
MB – A igreja cubana enfrenta grandes desafios desde o passado. Nos anos 60, por exemplo, o regime político vigente declarou guerra ao cristianismo, se filiou às doutrinas leninistas, e literalmente declarou que a religião era a coisa mais danosa que podia existir debaixo do céu. O governo colocou ainda muitos cristãos em campos de concentração, denominados de Unidades Militares de Apoyo a la Producción (UMAP). Em 1965, nós batistas vivemos uma das maiores crises da nossa história porque a maioria dos nossos pastores foram presos. Uma das igrejas que pastoreio, a de Taguayabón, durante mais de ano teve um selo em sua porta, após ter todos os seus móveis confiscados. Um juiz chegou ao ponto de declarar ao pastor Luis Manuel González Peña, que na época era líder dos batistas cubanos, que em 30 anos não haveria mais nenhuma igreja em Cuba. O pastor respondeu: – “Senhor magistrado, o Cristianismo existe a quase dois mil anos e nada, e nem ninguém, conseguiu destruí-lo. Em 30 anos teremos o dobro de igrejas em Cuba!”. E assim foi.
Desde a crise na qual caiu o regime nos anos 90, sem o amparo da antiga União Soviética que ajudou Cuba a cometer tantos desatinos, as igrejas se multiplicaram num autêntico avivamento. Hoje, o debilitado regime político de Cuba está obrigado a buscar pilares sobre os quais possa se apoiar para tentar sobreviver. A mesma igreja que se pretendeu destruir antes, agora se pretende usá-la. O desafio maior para a igreja cubana na atualidade está no fato dela conseguir não escutar as falsas adulações, nem cair nos enganos e chantagens do governo. Para uma sociedade moralmente desolada, depois de cinco décadas de destruição generalizada, na qual o dano antropológico é grande, uma igreja disposta a condenar os responsáveis e a sarar as vítimas, representa nosso maior desafio. No meio de comportamentos tão vis, onde o mal age ferozmente, servir a Cristo passa a ser uma grande responsabilidade. Mas quem deseja viver às custas de Cristo encontrará um bom lugar, pois o Regime pede a gritos "sacerdotes e profetas" que segundo o modelo oferecido em Apocalipse 13, entreguem sua boa visão ao poder político e adormeçam a massa.
A – Como tem sido o trabalho do senhor com relação à Liberdade de religião e de expressão em Cuba?
MB – O evangelho de Cristo, nas palavras de Dietrich Bonhoeffer, "libera-nos de tudo o que nos oprime…". Uma pregação equilibrada das boas novas de Cristo não está separada da defesa das liberdades que todos os seres humanos têm direito. Embora o regime tenha feitos esforços para me isolar nas comunidades rurais no centro de Cuba, pelas quais tenho muito amor, os púlpitos nos quais proclamo o evangelho e a ética do sermão da montanha estão ganhando mais espaço com o auxílio das novas tecnologias, mesmo com o fato de não possuirmos internet em casa e nos sacrificarmos bastante para tal. Em novembro de 2010 nasceu o meu blog, cubanoconfesante.com, que completa agora três anos. E em janeiro de 2012 a minha conta no twitter @maritovoz, que logo se uniu ao de minha esposa @yoaxism, aumentou ainda mais o nosso alcance. Esses meios estão sendo usados por Deus para salvar nossas próprias vidas, e também como um meio de Graça, para cumprir a dupla missão que está entranhada em nós que é DENUNCIAR E ANUNCIAR. Sem a ajuda de Deus isto seria humanamente impossível. O Regime cubano tem resistido em sua maldade com o passar dos anos. Diferente de sua melhor aliada, a Coreia do Norte – a quem não interessa cuidar de sua própria imagem – os que governam Cuba se preocupam com isto, fato que os fazem mais perigosos, porque já não fuzilam abertamente, como ocorre na Coreia. Em Cuba, se gloriam de uma moratória da Pena de Morte desde 2003, no entanto assassinam extrajudicialmente, e as mortes de Juan Wilfredo Soto (maio de 2011), Laura Pollan (outubro de 2011) e Oswaldo Paya (julho de 2012) são a prova disto.
A – Por favor, deixe uma reflexão para a Igreja Brasileira acerca das oportunidades e orar e ajudar a igreja perseguida em Cuba.
MB – Em 3 de novembro, diversas organizações cristãs a nível mundial, incluindo a CSW e a Open Doors, convocaram um dia mundial de oração pela igreja perseguida. Mas não basta apenas um dia de oração para interceder por nossos irmãos em tribulação pelo mundo. Hebreus 13.3 deve converter-se em um imperativo enquanto houver sofrimento no mundo. Em nome da igreja de Cuba, que se encontra diante do enorme desafio de não ser cúmplice de um regime que a cada dia é desmascarado pela história, pedimos muita oração pelos nossos irmãos, na Igreja brasileira. Gestos como o de Raimundo Barreto, da Aliança Batista Nacional, são exemplos do que o Brasil pode fazer, não sendo indiferente ante o clamor de liberdade de um povo que sofre e cujos direitos são pisoteados por uma família que se apropriou do país há mais de 50 anos e ainda o usa como um feudo. Não posso perder esta oportunidade para colocar como exemplo no Brasil o Ministério Luz para o Caminho, da Igreja Presbiteriana do Brasil, dirigido pelo pastor Hernandes Dias Lopes, com sede em Campinas- SP. Eles têm investido com orações e finanças para que literatura cristã impressa e multimídia chegue a Cuba, com uma mensagem edificante que nos inspira em nossa missão. O devocional 'Cada Dia' que eles enviam para ser distribuído gratuitamente dentro da ilha transformou-se no devocional diário de milhares de cubanos. Em nossas igrejas temos sido beneficiados por sua solidariedade. Outras igrejas e ministérios no Brasil também podem fazer o mesmo, além de orar, claro. Uma mensagem muito importante para o Brasil: o debilitado regime que desgoverna a ilha por mais de 50 anos não tenta encontrar só na igreja um punhal para ferir sua cambaleante estrutura, mas também o faz no Brasil – O gigante do sul. É importante que o Brasil receba sabedoria de Deus e não se deixe enganar, mas entenda que uma coisa é o regime que se apoderou da ilha, e outra coisa é o povo cubano. A prosperidade econômica do Brasil constitui um ponto de observação para o regime no continente. Tratando de buscar ajuda para manter-se no poder. Que o Brasil, e em especial a igreja brasileira, passe pela história como um povo que ajudou os cubanos a se libertarem do jugo do atual regime, e não o contrário. A propaganda do regime de Havana é habilidosa e confunde a muitos, tal como, demonstra o caso da Open Doors, embora estejamos seguros que eles irão reavaliar a lista com base em nossos argumentos. Não se enganem. Agradecemos ao Brasil pelos investimentos milionários realizados no porto de Mariel, em Havana, que isto será algo muito importante para a futura Cuba democrática que sonhamos, onde os direitos humanos são respeitados. Ressaltamos que é importante que o dinheiro deste porto não fique com uma elite que a cada dia enriquece mais, enquanto oprime um povo cada vez mais empobrecido. Esses recursos não devem servir para que o povo seja ainda mais maltratado. Se a igreja brasileira puder incentivar seu governo para que ele priorize os direitos humanos em sua política exterior acima dos interesses econômicos, não ficará dúvida de que o fizeram por se alinhar aos interesses de Cristo em nossa sofrida ilha…
Por fim, nossa oração é que Deus continue abençoando o Brasil!
Fonte: ANAJURE Wanda Galvão – Jornalista e Secretária Administrativa
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