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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Neemias.

Neemias: Aquele Que Se Importa
Estudando os elementos que marcaram o caráter desse servo do Senhor, deduziremos preciosas lições para nosso proceder.
Neemias vivia confortavelmente no palácio e possuía cargo de destaque, era copeiro do rei... Mas ele também vivia como cativo, fora de Jerusalém. Sempre que um de seus patrícios aparecia, ele procurava ter notícias de seu povo e de sua cidade. Certo dia as notícias não foram tão boas: “”Aqueles que sobreviveram ao cativeiro e estão lá na província, passam por grande sofrimento e humilhação. O muro de Jerusalém foi derrubado, e suas portas foram destruídas pelo fogo” (Neemias 1:3). Neemias caiu em prantos. Passou vários dias chorando, lamentando e jejuando (Neemias 1:4-6). Mas como só chorar não resolve ele orou ao Senhor e pediu ajuda para reconstruir a cidade. Ele dedicou cerca de quatro meses a essa tarefa, ao final o rei que jamais viu Neemias com semblante triste perguntou se havia algo errado. Neemias compartilhou com o rei, que sua tristeza era fruto da forma como seus irmãos de nação estavam vivendo e como Jerusalém estava destruída. Tendo a benção do rei para ir ajudar seu povo e sua cidade natal, ele pediu ao rei tudo o que era necessário para a primeira etapa da reconstrução de Jerusalém e porque a boa mão do Senhor Deus estava sobre ele, o seu desejo foi concedido (Neemias 2:2-4). Muitas pessoas em tempos de calamidade: lamentam, choram e ficam só nisso. Mas só isso não resolve. Neemias nos dá uma lição de caráter cristão ao se importar com seu povo, com o bem-estar deles em detrimento do seu próprio. Neemias abandonou seu conforto e segurança ao lado do rei para tentar ser útil e abençoar as pessoas que ele amava.
Neemias não deu ouvidos a vozes estranhas... A voz é necessária para a comunicação e, no dia-a-dia, há diversas vozes que tentam alcançar nossos ouvidos. Vamos destacar três delas.
A voz do homem pode parecer bonita, mas não significa que fale a vontade de Deus. Por isso, temos de tomar cuidado. Há muitas vozes que falam conosco dizendo ser de Deus, mas não são. São vozes humanas que manifestam o desejo do coração humano. Um exemplo disso ocorreu com Davi. Reinou em Israel, construiu palácios, teve descanso temporário das guerras e desejou construir uma casa para Deus. O profeta Natã disse para fazê-lo de acordo com seu coração, 2Sm 7: 3, mas Deus não o deixou dormir. Ele teve de voltar ao palácio e, agora, falar a Davi as exatas palavras de Deus. De fato, temos de ter cuidado, pois em muitos momentos, ouvimos vozes de homem e não de Deus. A voz do diabo é mansa, mas destruidora. Há várias situações, no contexto bíblico, em que pessoas deram ouvido à voz de Satanás e o resultado foi trágico. Satanás falou aos ouvidos de Eva e ela pecou. Tentou Jesus no deserto, mas Cristo o venceu pela Palavra de Deus. Ele sempre fala para destruir, nunca para edificar a vida de alguém. Temos de estar com os ouvidos ligados no Espírito Santo para discernir entre a voz de Deus e a do inimigo. Tenhamos cuidado, porque o diabo tenta falar aos nossos ouvidos, mas em lugar de dar atenção à sua voz, é necessário repreendê-lo em o nome de Jesus e pela Palavra de Deus. Só assim será possível evitar desastres na vida cristã. A voz de Deus nem sempre diz o que queremos ouvir, mas habitualmente diz o que precisamos escutar. Basta haver disposição para ouvi-la e, principalmente, colocá-la em prática. Precisamos estar preparados e o discernimento é um pré-requisito fundamental para percebermos que Ele está realmente falando conosco. O Espírito Santo sempre fala aos nossos ouvidos: “Quem têm ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas”, Ap 2: 7. Deus fala de diversas maneiras. Pode ser pela pregação, pela leitura bíblica, pela palavra profética. Ou através de uma criança, da natureza, da experiência de pessoas idosas; enfim, o Senhor fala da forma que julgar necessário. Isso porque Ele conhece cada pessoa: suas características pessoais, seu caráter, sua personalidade, seu temperamento. Quando quer, fala diretamente ao nosso coração. Por isso é importante aprendermos ouvir a voz de Deus, 1Sm 3:4.
Neemias é um exemplo de alguém que ouviu a voz de Deus, mas não ficou apenas nisso.
Neemias confiou em Deus... Confiar implica em depositar toda a sua esperança nas mãos de alguém. Na vida cristã, significa entregar-se totalmente nas mãos de Deus, principalmente naqueles momentos em que imaginamos que temos a solução para um problema. Nossos planos podem não ser os planos de Deus, nossos caminhos podem não ser os de Deus. Por isso, é que temos de entregar tudo em suas mãos. Só Ele é onisciente, onipotente e onipresente. Neemias arriscou sua vida. Ele estava convicto de que nada de mal lhe aconteceria porque conhecia o Deus a quem servia. Obstáculos não faltaram, inimigos tentaram destruí-lo, os meios necessários para o cumprimento da missão não eram os melhores, mas ele prosseguiu no seu alvo. No momento mais complicado, ele orou: “Ó Deus, fortalece as minhas mãos”, Ne 6: 9b. Nesta oração, encontramos uma atitude de confiança em Deus. Sua missão em meio a tantas perseguições não foi fácil, contudo sua fé estava firmada no Senhor dos Exércitos, no Deus Todo-poderoso. Em nossos dias, não é diferente. O mundo espiritual é o mesmo, estamos em guerra contra o reino das trevas. Veja bem, não contra a carne e o sangue, mas contra Satanás, contra os demônios. Para vencermos essa batalha, temos de realmente depositar nossa fé em Deus, confiar naquele que tudo pode. Não há outro caminho. Só o Senhor tem poder para agir e fazer com que nosso inimigo bata em retirada. Ele é o Deus da vitória.
Neemias não fugiu da batalha... A vida é uma guerra constante e a vitória só pertence àqueles que perseveram até o fim. Não é fácil, mas é necessário. Aqueles que viram as costas para seu inimigo demonstram medo e podem ser alvejados com facilidade, sem nenhuma chance de se desviar das setas lançadas. Por isso, o melhor caminho é sempre enfrentá-los. Neemias fez isso. Seu exemplo mostra que nós também não podemos fugir da batalha. O soldado que foge da guerra está praticando um ato de covardia. Por que fugirmos, se nossa guerra já está ganha? Por que fugir da batalha se o Senhor Jesus caminha conosco e nos dá vitória? O apóstolo Paulo diz: “Em Cristo somos mais que vencedores”, Rm 8: 37. Não há nada a temer. Basta obedecermos à sua vontade. Semaías, alegando falsamente que seus inimigos poderiam vir à noite e matá-lo, convidou Neemias para fugir e se esconder no templo, Ne 6: 10-11. Contudo, ele não aceitou tal proposta porque tinha a certeza de que era um homem de Deus e, por isso, não poderia fugir ao seu compromisso. O Senhor lhe daria vitória. Assim, mesmo ameaçado, concluiu toda a obra de reconstrução de Jerusalém e teve a alegria de ver os judeus retornando do cativeiro babilônico e celebrando a Deus. Esdras, o líder religioso, fez um apelo para o povo voltar-se para Deus, leu a lei do Senhor para todos e eles se reconciliaram com Deus. E uma nova fase se instalou na vida de Israel, porque Neemias ouviu a voz de Deus, confiou nele e não fugiu à batalha.
Pela sua firmeza, a história de Neemias traz grandes lições para o cristão e princípios de liderança para os obreiros da seara do Senhor. Cabe a cada um aprender essas lições. No dia-a-dia, não devemos ouvir vozes estranhas, mas somente a do Senhor. Confiar somente em Deus e não fugir da batalha. Que Deus nos dê essa graça.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Caráter Cristão: Andando na contramão do mundo.


"Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo". Efésios 4.12-13
Introdução: Vivemos numa época em que os valores estão sendo descartados dia-a-dia. A sociedade tem andado num ritmo acelerado de inversão de valores a ponto de não nos espantarmos mais com a infinidade de absurdos que nos são comunicados. O mundo tenta impor, através de uma diversos meios, que Deus, a família, a igreja, o bom caráter e a moral não são relevantes ou necessários. Nesta sociedade relativista, o valor absoluto das coisas se perdeu, e cada qual cria seu próprio mundo, sua própria cosmovisão. Desta forma, os valores que o cristianismo apregoa são considerados por muitos como falidos e ultrapassados. Valores estranhos que outrora não faziam parte da realidade da igreja passam a ser tolerados. A igreja que antes era caracterizada por andar na contramão dos valores materialistas tem se deixado levar por modismos e novidades que passam a moldar seu “novo” jeito de ser. Neste ritmo, já não podemos brilhar como luz do mundo e nem temperar como sal da terra. Neste ritmo, a moral e o bom caráter não têm um valor tão intenso como deveria ter. Não importa se a igreja faz a diferença no meio em que está inserida, em sua comunidade, mas o que importa é ser numérica, mesmo que não tenha qualidade. O objetivo com este estudo é definir e apresentar uma proposta para trazer para a aplicação pessoal a essência do caráter cristão, entendendo como ele é formado, quais são seus valores, suas virtudes. Veremos como isso faz toda diferença.
Definição: Segundo o Dicionário Aurélio, caráter é definido por: “qualidade inerente a uma pessoa, animal ou coisa; o que os distingue de outra pessoa, animal ou coisa; o conjunto dos traços particulares, o modo de ser de um indivíduo, ou de um grupo; índole, natureza, temperamento”. O significado literal do termo grego charaktēr é “estampa”, “impressão”, “gravação”, “sinal”, “marca” ou “reprodução exata”. Caráter é algo que vai sendo formado e impresso com o tempo em nosso interior, uma verdadeira marca. O caráter de cada qual não é formado do dia para noite. É um processo gradual que está relacionado a um amplo conjunto de fatores que influenciam na formação de cada um. Meios como TV, internet, família, religião, infância, desprazeres, decepções, alegrias, enfim, uma gama variada de fatores influencia na formação do caráter de cada indivíduo. Desde o berço.
O caráter cristão – formação, influências e virtudes: Assim como o caráter de cada indivíduo é formado desde o berço, nosso caráter cristão também passa a ser moldado desde o primeiro passo de nossa caminhada com Cristo (Jo 1.12; 3.3). Os valores do Reino de Deus passam a ser impressos em nós, para que verdadeiramente possamos ser seguidores de Jesus Cristo genuinamente. Deus usa de muitos meios e formas para que o caráter de seus filhos seja formado, mas sem dúvida alguma, o principal fator de influência é o agir da Palavra dEle na vida de cada um, bem como o consolo e direção que o Espírito Santo dá aos Seus (Ef 1.13). Afinal, o que pode ser considerado como um caráter cristão? Podemos relacionar alguns pontos, que evidentemente, não serão os únicos:
1) Não se trata apenas de bons valores morais | Apesar do cristianismo carregar implicitamente um forte viés moral – pois a Bíblia nos dá parâmetros morais – o caráter cristão não está repousando apenas sobre o fato de ser “bom”. A boa moral está contida, mas de modo algum é o todo. Cada um de nós pode dar exemplos de pessoas que confessam ser cristãs, mas que não são bons exemplos de conduta digna, bem como pessoas não-cristãs que são cidadãos de bem.
2) O cristão genuinamente bíblico admite suas falhas | Cada um de nós, sem exceção, é um pecador (Rm 3.23). Todos temos o pecado dentro de nós, e isso produz limitações e consequentemente falhas. A virtude do cristão de caráter é ser transparente, é ter dignidade suficiente para admitir que é limitado e que depende completamente da misericórdia e graça do Senhor.
3) O caráter moldado cria controle | Quando nosso caráter entra em fase de maturidade, conseguiremos controlar situações que de algum modo podem manchar a marca de Jesus em nós, afetando nosso testemunho cristão. Neste ponto de plenitude, não haverá espaço para amargura, ira, discórdia, egoísmo, arrogância, discussões, facções. Apesar de – eventualmente – tais coisas ocorrerem, precisam ser enfrentadas e enfraquecidas. Nosso ser por completo, mente, atitude, palavras, precisa ser um meio de culto e adoração permanente (Mc 12.30; Gl 5.22). Com tal caráter formado em nós, passaremos a frutificar em atitudes que atestam que somos de Deus e temos Sua Palavra em nossas vidas.
Passamos a frutificar em virtudes, como: 
Pureza | vida separada – santificação – para o Senhor. Uma vida distinta num mundo corrupto (Fp 4.8).
Imparcialidade | trataremos a todos – seja quem for – de modo único, sem acepção de pessoas. Seremos justos com as pessoas, independente de afinidade, sejam amigos, parentes, irmãos, parceiros de caminhada (1Ts 5.15).
Sem fingimento | é prezar pela verdade. Não existe espaço para máscaras e ânimo duplo (1Pe 2.1; Tg 4.8).
Humildade | ninguém é auto-suficiente. Vaidade e soberba não devem encontrar espaço no coração do cristão; tais coisas devem ser banidas de nosso meio! Somos um corpo e dependemos uns dos outros (Mt 5.3).
Mansidão | serenidade. Ser manso, não permitindo que disputas e discórdias tomem conta. Gentil, sensível e paciente com todos (Mt 5.5).
Misericórdia | compaixão pela dor, “pela miséria do coração” alheio. Entender que nosso próximo pode passar por lutas, dores, infelicidades extremas. Experimentar e participar do sofrimento alheio (Mt 5.7)
Coração puro | ser livre de impurezas no altar – no coração. Relacionamento constante com Deus e com a Sua presença, nos limpando genuinamente daquilo que nos separa dEle (Mt 5.8).
O modelo supremo de caráter – fonte de inspiração: Nosso modelo supremo de formação de caráter é nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Ele deve ser nosso alvo, razão, adoração, modelo, tudo! Afirmar que somos cristãos é carregar nos ombros a responsabilidade de sermos seguidores e praticantes dos ensinos do Mestre. Ter um modelo é fundamental na formação do caráter, e para formação do caráter cristão, o modelo do Senhor nos leva a amá-Lo, admirá-Lo, imitá-Lo, segui-Lo. Ele nos faz, dia-a-dia ver que podemos aplicar, viver e frutificar em tudo que vimos acima. Que possamos afirmar, assim como Paulo que somos imitadores de Jesus (1Co 11.1). Para tal, devemos:
- Conhecer o Filho de Deus | Buscar estar em pura intimidade com o mestre e o auxílio do Consolador (Ef 4.13; Jo 15.5; 26-27; 1Jo 1.1-3). O testemunho da Palavra e do Espírito Santo nos levam a conhecer e ter intimidade com Ele.
- Submeter-se ao senhorio de Jesus | Rm 10.8-9 – estar submetido completamente ao governo e autoridade de Cristo sobre nós. Não basta reconhecer e ter Jesus como Salvador, mas sim estar submisso a Seu senhorio.
- Obediência irrestrita | A época em que vivemos tem ressaltado cada vez mais que o ser humano vive em rebeldia contra Deus e Sua Palavra. Jesus nos mostrou que a obediência ao Pai deve ser praticada (Fp 2.8).
- Negar a si mesmo | Matar nossa carne e viver para ele; o negar a si mesmo é um verdadeiro atestado de compromisso com o Reino. Jesus serviu e não foi servido. Adoramos ao Senhor de modo especial quando estamos negando ao nosso ego e mortificando nossa vontade, deixando que Ele viva em nós (Gl 2.20).
Que possamos caminhar moldando nosso caráter de glória em glória (2Co 3.18) e que isso seja como aroma suave subindo à presença de Deus. Um verdadeiro meio de adoração!
Fonte: [ NAPEC ]

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Esdras.

Esdras Aquele Que Ama a Palavra
Procuramos atrair a atenção de Deus de muitas maneiras e a maioria delas são falhas. A confusão da mulher samaritana é legitima sobre qual lugar de culto agradava ao Senhor. (João 4.20). Mesmo estando em Cristo procuramos sempre o lado correto. Como adorar? Devo ou não levantar as mãos? Devo ou não chorar? Devo ou não glorificar em voz alta? Devo ou não falar noutras línguas?
A resposta de Jesus Cristo e a atitude de Esdras convergem nesse ponto: ambos se voltam para as Escrituras. Esdras decidiu não apenas conhecer a Palavra de Deus, mas também praticá-la e ensiná-la. A consequência? “A boa mão de seu Deus estava sobre ele” (Esdras 7:9,10). Procure aproximar-se dessa forma e você colherá os mesmos frutos. Pare de beber de outras fontes, elas continuarão a mantê-lo com sede. A Bíblia tem as respostas que você precisa.
O Coração de Esdras
Esdras viveu no quinto século antes de Cristo. O livro conhecido pelo nome dele estabelece o contexto histórico dos 80 anos antes da história de Esdras. Durante estes anos, muitos judeus haviam voltado para reconstruir Jerusalém e seu templo. Durante 70 anos de sujeição aos babilônicos, um castigo divino por causa dos pecados da nação, especialmente a idolatria, estes judeus abandonaram seus falsos deuses e voltaram ao único verdadeiro Deus. Depois desta lição dura, a nação judaica nunca voltou à adoração de imagens. Mas outros problemas surgiram durante as primeiras décadas em Jerusalém. Negligência, ganância e falta de zelo contribuíram aos problemas do povo, e enfrentaram muita dificuldade em completar as obras necessárias no templo e na cidade. Durante este tempo, Deus usou grandes homens como Ageu, Zacarias, Zorobabel, Esdras, Neemias e Malaquias para estimular o povo no seu serviço ao Senhor. Quando Esdras voltou da Pérsia para Jerusalém em 458 a.C., ele queria contribuir ao acabamento do templo. Mas um outro aspecto da sua missão se tornou bem mais importante, e é o assunto de destaque dos últimos capítulos do livro. Esdras, como Neemias e Malaquias poucos anos depois, confrontou a cumplicidade dos judeus com o pecado. A linha de distinção entre o certo e o errado ficou embaçada. Especificamente, a separação que Deus sempre quis entre seu povo santo e os povos imundos estava sumindo cada vez mais. O povo andava perdendo a sua santidade diante de Deus. Para poder confrontar este problema, que atingia todos os escalões da sociedade em Jerusalém, Esdras precisou se preparar. Um versículo bem descreve sua preparação para conduzir o povo nas mudanças radicais necessárias para restaurar a comunhão com Deus. Diz Esdras 7:10: “Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos.”
Neste versículo, percebemos três sentidos nos quais Esdras se preparou para seu trabalho:
1) Ele tinha um coração disposto para buscar a Lei de Deus. Para Esdras, o estudo das Escrituras não foi um mero exercício acadêmico. Ele não olhava para os livros da Lei como regras de homens, nem como instruções impessoais. Ele respeitou a palavra revelada como a Lei do próprio Senhor.
2) Ele tinha um coração disposto para cumprir a Lei do Senhor. Séculos depois, Jesus criticaria pessoas que ensinam, mas não praticam (Mateus 23:3-4). Infelizmente, o problema não acabou com Esdras, nem com Jesus. Mas Esdras não se mostrou hipócrita. Ele se preocupava com sua obediência a Deus. Não era apenas ouvinte, mas praticante da palavra (Tiago 1:22).
3) Ele tinha um coração disposto a ensinar a palavra de Deus. Armado de conhecimento da Lei e do bom caráter de um homem fiel, Esdras estava preparado e disposto a ensinar a Lei aos outros. Quando ele enfrentou situações difíceis, ele não seguiu seus próprios sentimentos, nem a opinião popular. Ele agiu conforme a vontade de Deus. A conduta dele seria vista hoje como fanatismo e radicalismo, mas Esdras não procurava agradar a ninguém a não ser o próprio Senhor. Mais de 500 anos depois, outro servo de Deus disse: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” (Gálatas 1:10).
Precisamos ser pessoas de fé e convicção, guiadas pela palavra revelada por Deus nas Escrituras. A verdade não é o produto de um voto popular ou uma decisão de senadores ou juízes. Não cabe ao homem criar a verdade. Nós, como Esdras, devemos buscar, obedecer e ensinar a verdade que vem do Senhor. 150 anos antes de Esdras, o profeta Jeremias disse: “Eu sei, ó SENHOR, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos” (Jeremias 10:23).

sábado, 11 de maio de 2019

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Daniel.

O Caráter de Daniel e a Pureza Sincera
Milhares de jovens judeus foram levados para a Babilônia como escravos. Ao chegar ao novo lar, eles foram confrontados por uma cultura extremamente pecadora, perversa e sem temor ao Senhor. Logo de cara o cardápio foi determinado: a mesma comida que o rei comia (Daniel 1.5). O problema? O cardápio judaico é extremamente restritivo. Havia uma série de elementos que tornavam um judeu impuro e a comida era uma delas. A atitude de Daniel e seus amigos? “Não vamos nos contaminar! ”. O cardápio deles era só legumes. A atitude de Daniel e seus amigos agradou a Deus, e eles foram honrados (Daniel 1:8,9). Ao final dos três anos de preparação estavam mais saudáveis e eram dez vezes mais inteligentes que todos os seus concorrentes.
Daniel 1:8 “E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, [...] portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar”
VERDADE PRÁTICA
A integridade de caráter implica uma disposição interior para se manter fiel aos princípios da vida cristã.
TEXTO BÍBLICO: DANIEL 1:1-8,17,20.
INTRODUÇÃO:
A lição de hoje retrata a história de quatro jovens judeus levados cativos para a Babilônia. Dos quatro rapazes — Daniel, Hananias, Misael e Azarias — a pessoa de Daniel é quem tem maior ênfase nessa narrativa. A sua fidelidade a Deus e integridade moral são demonstradas em meio a uma cultura pagã. Fruto da formação moral e espiritual recebida de seus pais, as atitudes de Daniel fizeram-no desafiar a ordem do rei da Babilônia, a maior autoridade do mundo de outrora. Estamos no século 21, um tempo marcado pelo paganismo. Ao lermos a história de Daniel e a de seus amigos, somos desafiados a ter firmeza de caráter. Adotando uma postura moral que jamais negue a fé e a ética cristãs no mundo. A integridade moral de Daniel tem muito a nos ensinar.
I. UMA RESTROSPECTIVA HISTÓRICA
A situação moral e política de Judá. Após a deposição do seu irmão Jeoacaz, Jeoaquim (Dn 1.1) ascendeu ao trono de Judá por intermédio de Neco, o faraó do Egito (2Rs 23.34). Perversidades e rebeliões contra Deus fizeram parte do antecedente histórico do rei de Judá. No ano 606 a.C., Nabucodonosor invadiu e dominou a cidade de Jerusalém levando para a Babilônia os tesouros do Templo. Mas as pretensões de Nabucodonosor não eram somente de cunho material, e sim igualmente cultural, pois ele levou os nobres da casa real versados no conhecimento, dentre os quais estavam Daniel, Hananias, Misael e Azarias. A situação espiritual de Judá. Depois da grande reforma política e religiosa em Judá, promovida pelo rei Josias, os filhos deste se desviaram do Deus de Israel. Os sacerdotes, a casa real e todo o povo perverteram-se espiritualmente. O rei Zedequias, por exemplo, “endureceu a sua cerviz e tanto se obstinou no seu coração, que se não converteu ao Senhor, Deus de Israel” (2Cr 36.13). Judá permitiu que a casa de Deus fosse profanada pelas abominações gentílicas. O reino do Sul conseguiu entristecer o coração do Senhor! O império babilônico arrasa o reino de Judá. A sequência do texto do primeiro versículo diz: “veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, a Jerusalém e a sitiou” (v.1). Houve três incursões do rei da Babilônia contra Judá. Na primeira, o império babilônico levou os tesouros da casa do Senhor. Isto ocorreu no terceiro ano do reinado de Jeoaquim (ano 606 a.C.). Na segunda incursão, no oitavo ano do reinado de Jeoaquim, Nabucodonosor deportou os nobres da casa real (ano 597 a.C.). A última incursão deu-se no ano 586 a.C., quando o templo de Jerusalém foi saqueado, destruído e queimado, bem como os muros da cidade santa, derrubados (2Rs 25.8-21). Nabucodonosor levou os utensílios da Casa de Deus para o santuário da divindade babilônica, Marduque, chamado também de Bel, a quem o rei babilônico atribuía todas as conquistas imperiais.
II. A FORÇA DO CARÁTER
A tentativa de aculturamento dos jovens hebreus (1.3,4). Os teóricos da psicologia definem caráter como “a parte enrijecida da personalidade de uma pessoa”. Os jovens hebreus tinham um caráter ilibado, mediante a educação e o testemunho observado em seus pais. Para obter apoio daqueles jovens e usar a inteligência deles ao seu favor, Nabucodonosor sabia que, obrigatoriamente, teria de moldá-los, aculturando-os nas ciências dos caldeus. Porém, muito cedo os babilônios perceberam que a formação cultural e, sobretudo, religiosa dos jovens hebreus, era forte. Não seria fácil fazê-los esquecer de suas convicções de fé. Por isso, Nabucodonosor os submeteu a processo de aculturamento. Para esta finalidade, o imperador caldeu elaborou um programa cultural que fosse eficaz na extinção da cultura judaica: Os jovens hebreus participariam da mesa do rei (1.5).
O caráter colocado à prova (1.5-8). Daniel e os seus amigos foram colocados à prova em uma cultura diferente de uma terra igualmente estranha. A formação desses jovens chocava-se com a cultura babilônica. Em outras palavras, eles eram firmes em seu caráter! Em especial, no caso de Daniel, o seu caráter íntegro tinha a ver com a sua personalidade. Ele assentara em seu coração não se contaminar com as iguarias do rei que, como se sabe, eram oferecidas aos deuses de Babilônia. Daniel e os seus companheiros, apesar de serem bem jovens, demonstraram maturidade suficiente para reconhecer que o exílio babilônico era fruto do pecado cometido pelo povo de Judá e seus governantes. O mundo hoje oferece um banquete vistoso para contaminar os discípulos de Cristo. Entretanto, devemos nos ater ao exemplo de Daniel e dos seus amigos. Aprendamos com eles, pois as suas vidas não consistiam em meras tradições religiosas, mas em uma profunda comunhão com Deus. Eles eram fiéis ao Deus de Israel e guardavam a sua Palavra no coração para não pecar contra Ele (Sl 119.11).
III. A ATITUDE DE DANIEL E DE SEUS AMIGOS
Uma firme resolução: não se contaminar (Dn 1.8). Quando Aspenaz, chefe dos eunucos, recebeu ordens de Nabucodonosor para preparar os jovens hebreus, ele os reuniu e deu-lhes ordens quanto à dieta diária (1.5). Em seguida, trocou-lhes os nomes hebreus por outros babilônicos: Daniel foi chamado “Beltessazar”; Hananias, “Sadraque”; Misael, “Mesaque” e Azarias, “Abede-Nego”. Porém, cuidadosa e inteligentemente, Daniel propôs outra dieta a Aspenaz e o convenceu. Como as iguarias do rei da Babilônia eram oferecidas aos deuses, Daniel e seus amigos não quiseram se contaminar. Essa corajosa atitude representava muito e tinha um profundo significado na fé de Daniel e dos seus amigos. Eles sabiam que seriam protegidos do mal! Daniel, um modelo de excelência. Mesmo sendo levado muito jovem para o exílio babilônico, Daniel conhecia verdadeiramente o Deus do seu povo. Daniel tinha convicção de que alimento algum, por melhor que fosse, teria mais valor que o relacionamento entre ele e Deus. A exemplo de outros jovens descritos na Bíblia — Samuel (1Sm 3.1-11), José (Gn 39.2), Davi (1Sm 16.12) e Timóteo (2Tm 3.15) —, Daniel é um modelo de excelência para a juventude que busca uma vida de retidão e compromisso com o Evangelho e a sua ética. A devoção de Daniel é inspiradora para todos que desejam conciliar a vida cultural, em uma sociedade sem Deus, com uma vida de oração e de compromisso com o Evangelho (Dn 6.10).
Daniel: modelo de integridade x sociedade corrupta. A imponência dos templos babilônicos, o poder político do Estado e a classe sacerdotal dos caldeus escondiam o processo de corrupção sistemática que, mais tarde, culminaria na queda daquele império. Em meio a toda aquela cultura pagã, o jovem Daniel manteve-se íntegro, crente, honrando a Deus nas atividades políticas e respeitando as autoridades superiores. Ele cumpriu os deveres esperados de um bom cidadão babilônico. Todavia, quando Daniel foi desafiado pelos ministros do império a abandonar a fé, o profeta não se dobrou, antes, continuou perseverante na fé uma vez dada aos santos. Mesmo que isto custasse a sua integridade física. Daniel manteve-se fiel!
CONCLUSÃO
Como preservar um caráter puro em meio a uma sociedade corrompida? Esta pergunta pode ser respondida à luz da vida de Daniel e seus amigos. Elas estimulam-nos a ver a vida com o olhar de Deus, o nosso Pai. Fomos chamados por Deus a ser sal da terra e luz deste mundo. Para isso, precisamos guardar o nosso coração e viver uma vida de comunhão com Deus. Testemunhando o Evangelho para todos quantos necessitam desta verdade libertadora.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Caráter cristão: Aprendendo com o caráter de Abraão.

O Caráter Cristão de Abraão o Pacificador
O patriarca Abraão possuía um caráter pacifico e cheio de fé muito parecido com o de Barnabé. Quando ocorreu a discussão entre os pastores de Ló e os dele, Abraão deu a Ló a primazia da escolha para evitar conflito (Gênesis 13:8,9). Ao observar ao seu redor, Ló viu as Campina de Sodoma e Gomorra: verdes, bem-irrigadas, e como qualquer agricultor ele foi atraído até aquelas terras. No entanto, mais vale aliança com Deus do que qualquer vantagem terrena. Abraão ficou com a terra árida, seca de Canãa. Mas a sua grande vantagem era ter conservado uma aliança profunda com Deus (Gênesis 13:14,15). Mais tarde, quando os hebreus estão fazendo o trajeto: Egito – Canãa, Moisés envia espias a Canãa para ver como era a terra que o Senhor lhes havia prometido. E o relatório foi maravilhoso, a terra manava leite e mel, como o Senhor havia dito (Números 23,27). Não se deixe levar pela ira quando lhe afrontarem. Quando quiserem tirar vantagem de você. Faça como Abraão, dê o direito de escolha e desenvolva um relacionamento profundo com Deus. É certo que Ele tem o melhor para você ainda que os seus olhos não percebam.  Abraão foi um modelo de obediência e fé. A vida de Abraão foi marcada por mudanças e dificuldades. Para vencer os obstáculos, Abraão foi obediente por meio da fé. Fé para mudar-se para uma terra longínqua e desconhecida por ele. Fé para acreditar que Deus lhe daria um filho, apesar da idade avançada e do ceticismo de sua esposa. Fé para seguir os mandamentos de Deus, mesmo quando lhe foi pedida a vida de seu filho em sacrifício. A fé de Abraão foi tão marcante que o próprio Jesus disse: “Abrão, vosso pai, alegrou-se por ver o meu dia, viu-o e regozijou-se”. Hoje os desafios que o mundo nos lança também são marcados pelas mudanças e dificuldades. Com Abraão como exemplo, podemos nos preparar para enfrentar esses desafios e vencê-los pela obediência e fé.
Aprenda como Abraão:

  • Estava disposto a ouvir a voz de Deus
  • Foi obediente e mudou-se para uma terra que não conhecia
  • Foi fiel a ponto de quase sacrificar seu filho porque Deus lhe havia ordenado
  • Lutou com o medo
  • Venceu obstáculos
  • Foi abençoado
  • Tornou-se o patriarca do povo de Israel
  • Foi chamado de “amigo de Deus”

domingo, 23 de dezembro de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Abigail- part. 3 de 3.

III – O RESULTADO DO CARÁTER DE ABIGAIL
Davi foi aplacado por Abigail: Ao encontrar-se com Abigail, Davi foi vencido pela palavra sábia e prudente de uma verdadeira mulher de Deus. Cumpriu-se o que diz Salomão: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv 15:1). A atitude humilde e conciliadora de Abigail foi uma resposta à atitude agressiva de Davi. Certamente ele aprendeu uma grande lição para a sua vida. Ele era corajoso e provou isso quando enfrentou Golias. Mas faltava-lhe a lapidação do caráter para enfrentar situações adversas e oposições.
Deus feriu Nabal: Quando Abigail relatou os acontecimentos a Nabal, “[...] se amorteceu nele o coração, e ficou ele como pedra” (1 Sm 25:37). A bíblia diz de forma bem simples e direta: “E aconteceu que, passados quase dez dias, feriu o Senhor a Nabal, e este morreu” (1 Sm 25:38). Se Davi tivesse feito justiça com suas próprias mãos, as coisas teriam tomado outro rumo, imprevisível e perigoso. Mas como a sábia mulher agiu com presteza e eficiência, ele foi poupado de manchar suas mãos e sua história com o sangue Nabal. “Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo em que resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está próximo, e as coisas que lhes hão de suceder se apressam a chegar” (Dt 32:35).
Davi toma Abigail por sua esposa: Logo após a morte de Nabal, Davi agradeceu a Deus por ter-lhe livrado de cometer um grave erro diante do Senhor; “E mandou Davi falar a Abigail, para toma-la por sua mulher” (1 Sm 25:39). E o fez, mandando seus criados falar com Abigail, transmitindo o honroso convite, que ela aceitou com muita humildade (1 Sm 25:39-42). Ela se apressou, certamente mudou suas vestes, “montou num jumento com as suas cinco moças que seguiam as suas pisadas: e ela seguiu os mensageiros de Davi, e foi sua mulher” (1 Sm 25:42).
Conclusão: 
Nabal era um homem insensato, dotado de um temperamento duro e violento. Mas Deus permitiu que Davi dele precisasse, para que uma mulher sábia e prudente protagonizasse um exemplo marcante para seus servos e suas servas, em todo o mundo, ao longo dos séculos. Viúva de um homem irascível, que era bem-sucedido em suas atividades produtivas, mas um tolo e insensato, no relacionamento humano, Abigail jamais imaginou ser esposa do rei Davi, o mais afamado monarca de Israel. O Deus de Davi é o nosso Deus, que provê tudo para os que nEle confiam.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Abigail- part. 2 de 3.

II – ABIGAIL DEMONSTRA O SEU CARÁTER
1- Uma mulher prudente: o nome Abigail significa “pai da alegria” ou “exultação”. Seu nome também corresponde ao seu caráter pacificador e humilde. Ela era uma mulher dotada de beleza física e entendimento (1 Sm 25:3). Ao tomar conhecimento da terrível ameaça à sua casa, Abigail resolveu agir com prudência, sabedoria e diligência, para evitar um grande mal que seria perpetrado por Davi, o ungido de Deus. Diante de tamanho perigo, foi que Abigail teve oportunidade de demonstrar quem era ela. Abigail deu uma lição para todos os que servem a Deus: saber agir nos momentos de crises e ameaças.
2- O caráter diligente e sábio: Ao saber do mal que estava arquitetado contra seu esposo e sua casa, Abigail atuou de forma rápida e eficiente. Preparou uma carga de cereais, frutas e vinho e os colocou  sobre alguns jumentos, e os levou a Davi. Em sentido contrário, vinha Davi com seus quatrocentos homens, respirando raiva e sentimento de vingança, com desejo de não deixar com vida nem mesmo um menino (1 Sm 25:18-22). Que diferença do que Jesus ensinou com seu evangelho. Jesus mandou amar os próprios inimigos, bendizendo-os e orando por ele (Mt 5:44).
3- O caráter conciliador de Abigail: Davi cavalgava com a fúria dos homens de coração ferido. Mas em sentido contrário, vinha Abigail, montada em seu jumento. Em seu coração, ela levava sentimento de paz, de humildade, de amor e de perdão. Ao ver Davi, ela desceu de seu animal e prostrou-se com o rosto em terra, diante daquele que ia destruir sua família. “E lançou-se a seus pés e disse: Ah! Senhor meu, minha seja a transgressão; deixa pois, falar a tua serva aos teus ouvidos e ouve as palavra da tua serva” (1 Sm 25:24). Abigail exortou Davi para que não fizesse justiça com as próprias mãos, pois Deus haveria de julgar seus inimigos (1 Sm 25:25-31). Davi nunca imaginou que a sua sede de vingança e fúria contra um desafeto fossem anuladas pela sabedoria e pela força de uma mulher de caráter pacificador.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Abigail- part. 1 de 3.

Texto Bíblico: 1 Samuel 25:18-24,27 e 28.
Introdução: Abigail era esposa de Nabal, um rico fazendeiro, proprietário de grandes rebanhos de ovelhas e de cabras, que vivia nas proximidades do Carmelo, em Maom, não muito distante do deserto de Parã. Ali, os pastores de Davi travaram contato com os pastores de Nabal. Necessitando de alimento para seus homens, Davi mandou pedir víveres a Nabal. Ao ouvir o pedido, Nabal encolerizou-se e afrontou Davi diante dos mensageiros, negando qualquer apoio (1 Sm 25:10,11). Irado, Davi ajuntou homens para atacar Nabal e toda a sua casa. A tragédia foi evitada pela pronta intervenção de Abigail, que soube aplacar a ira de Davi.
I – ABIGAIL, UM POUCO DE SUA HISTÓRIA
1- Nabal, um homem de Belial: Nabal significa “insensato”, “tolo”. O texto bíblico diz que ele era “homem mui poderoso, e tinha três mil ovelhas e mil cabras” (1 Sm 25:2). Além de insensato, “era duro e maligno nas obras, e era da casa de Calebe” (1 Sm 25:3). Era um homem dominado por um espírito mal, arrogante, que não se relacionava bem, nem mesmo com sua esposa. Era considerado um “tal filho de Belial”, com o qual não se podia falar pacificamente (1 Sm 25:17). Seu coração estava focado em seus bens materiais. Era homem de mau relacionamento, principalmente com seus servos ou empregados.
2- Davi recorre a Nabal e é desconsiderado: Como a tropa de Davi dependia de ajuda para alimentar-se no deserto, ao saber que Nabal, um homem riquíssimo e muito próspero, estava tosquiando ovelhas, mandou Davi dez jovens para lhe saudar, desejando paz a ele e à sua casa, e solicitou que enviasse o que pudesse para seus homens. Com seu temperamento colérico, Nabal sequer agradeceu a saudação. E respondeu de forma grosseira e irônica aos criados de Davi: [...] “Quem é Davi, e quem é o filho de Jessé? [...] Tomaria eu, pois, o meu pão, e a minha água, e a carne das minhas reses que degolei para os meus tosquiadores, e o daria a homens que não sei de onde vêm?” (1 Sm 25:10,11).
3- Davi resolve vingar a afronta: A resposta dura de Nabal foi uma grande afronta a Davi e a seu grupo de guerreiros dispostos a lutar por Davi, por si próprios e por suas famílias. Ele tomou quatrocentos homens para ir em direção a Nabal. A intenção dele era atacar Nabal e tudo o que ele tinha, com extrema vingança, disposto a destruir tudo (1 Sm 25:22). A reação de Davi foi carnal, carregada de ressentimento e vingança, contrária à vontade de Deus (1 Sm 25:10-13, 21,22).

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Rute - part. 3 de 3.

III - Como Rute entrou na genealogia de Jesus: 
1- Rute chega a Belém: ao chegar a Belém, Rute viu a admiração do povo pela condição em que sua sogra retornou a sua terra. Diz o texto: “[...] e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-poderoso. Cheia parti, porém vazia Senhor me fez tornar; por que, pois, me chamareis Noemi? Pois o Senhor testifica contra mim, e o Todo-poderoso me tem afligido tanto” Rt 1:19-21. Noemi quer dizer “agradável”, enquanto Mara significa “amargurada”. Este era o sentimento que enchia o coração de Noemi. Elas chegaram a Belém “no principio da sega das cevadas” Rt 1:22.
2- Rute atrai a atenção de Boaz: Rute era uma mulher trabalhadora. Não comia “o pão da preguiça” (Pv 31:27. Ao chegar a Belém, não esperou que Noemi sugerisse algum trabalho para sua manutenção. Ela tomou a iniciativa de procurar um serviço (Rt 2:2). Por direção de Deus, Rute foi rebuscar espigas no campo de Boaz, “que era da geração de Elimeleque” Rt 2:3. Ao vê-la, Boaz perguntou ao chefe dos segadores quem era ela (Rt 2:5). O homem respondeu que era Rute, a moça moabita que voltou com Noemi (Rt 2:6). Encantado com a beleza da moça e admirado por sua história, Boaz falou benignamente a Rute; e disse que tomara conhecimento de seu gesto amoroso para com Noemi (Rt 2:8-13). Foi amor à primeira vista.
3- Rute casa com Boaz: Boaz procedeu de acordo com a lei, e diante das testemunhas e dos anciãos, casou-se com Rute. E declarou: “[...] também tomo por mulher a Rute, a moabita, que foi mulher de Malom, para suscitar o nome do falecido sobre a sua herdade, para que o nome do falecido não seja desarraigado dentre seus irmãos e da porta do seu lugar: disto sois hoje testemunhas” (Rt 4:10). O povo que compareceu à cerimônia ficou feliz com o casamento (Rt 4:11-12). Assim, ela entrou na genealogia de Jesus (Mt 1:5).
Conclusão: A história de Rute demonstra de forma clara como Deus criou o homem, na perspectiva de um plano de salvação para todas as pessoas, em todos os lugares, independente de sua nacionalidade, de sua cor ou condição social. Pela lógica humana, jamais uma mulher moabita faria parte da linhagem santa, da qual nasceu o Messias de Israel, o Salvador do mundo. O amor de Deus está além de toda a compreensão humana.
amém

domingo, 14 de outubro de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Rute - part. 2 de 3.

II - O CUIDADO DE NOEMI E O CARÁTER DE RUTE:
1- Um amor sincero e profundo: Noemi sugeriu que as duas noras voltassem às suas origens. Mostrou-lhes o quanto seria difícil estar com ela, e insistiu para que voltassem às suas famílias. “Então, levantaram a sua voz e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra; porém Rute se apegou a ela” Rt 1:14.
2- O caráter amoroso de Rute: Orfa, viúva de Quiliom, “beijou a sua sogra”, despediu-se, e foi embora para sua família, e “aos seus deuses” (Rt 1:15). Mas Rute demonstrou outra atitude. Preferiu acompanhar sua amada sogra.
a) um caráter amoroso e confiante. “Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares a noite, ali pousarei eu [...]” Rt 1:16a. Como verdadeira serva de Deus, Rute demonstrou ter um caráter agradecido e generoso. Ela tomou a decisão consciente de estar ao lado de Noemi, em qualquer lugar e em qualquer circunstancia. Ela amava de verdade.
b) um caráter fortalecido na fé em Deus. Com toda a certeza, Rute se converteu ao Senhor. Em sua declaração de amor a Noemi, ela disse com toda a convicção: “[...] o teu povo é o meu povo, o teu Deus e o meu Deus” Rt 1:16b. Essa decisão mostra a sua fé em Deus (Hb 11:1). Rute não imaginava o que poderia lhe acontecer, mas ficou ao lado de Noemi, como vendo o invisível, sob a mão de Deus.
c) um caráter decidido e firme. Rute afirmou diante da sua sogra, amiga e irmã de fé sua decisão consciente: “onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada; me faça assim o Senhor e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti. Vendo ela, pois, que de todo estava resolvida para ir com ela, deixou de lhe falar nisso” Rt 1:17,18. Uma lição de grande valor para os dias atuais, quando muitos que se dizem cristãos, desistem de seguir a Cristo por causa dos desafios, das lutas e provações.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Rute - part. 1 de 3.

Texto Bíblico: Rute 1:11, 14-18.
Introdução: Estudaremos o caráter de uma jovem estrangeira, que se tornou uma das mulheres mais admiráveis da Bíblia. Trata-se de Rute. Ela se recusou a abandonar sua sogra, viúva e sem nenhum recurso financeiro. Rute escolheu ajudar Noemi e seguir o seu Deus. Ela trabalhou nos campos recolhendo espigas para sustentar sua sogra e para sobreviver. Esse era um trabalho honesto, porém nada fácil para uma mulher sozinha. Sua história revela seu caráter bondoso e fiel ao Deus de Israel e à sua sogra. Aprendemos com seu perfil que o amor e a bondade são capazes de mudar a história de uma pessoa. Pois, essa gentia, que não fazia parte do povo de Deus, entrou na genealogia de Jesus. A narrativa do livro que tem o seu nome mostra que Deus é soberano, onipotente, e, ao mesmo tempo, misericordioso e amoroso. O livro de Rute é considerado uma das mais belas peças da literatura universal.
I – RUTE, UM RESUMO DE SUA ORIGEM.
1- Uma estrangeira: o nome Rute significa “amizade”. Ela era moabita. Um fato histórico tornou os moabitas adversários de Israel. Eles não permitiram ao povo de Deus passar pelo seu território quando deslocava-se em direção a Cannã, e precisava passar pelo território de Moabe, sob a liderança de Moisés (Nm 20:19). Eles foram hostis. Por isso, Deus determinou que nem moabitas nem amonitas poderiam fazer parte da “congregação do Senhor”, ou do povo de Israel, “nem ainda a sua décima geração” (Dt 23:3-6; Ne 13:2). Essa é a origem étnica de Rute. Se houvessem sido observados os preceitos da Lei, ela jamais poderia fazer parte da genealogia do povo de Israel.
2- Como Rute vinculou-se a uma família israelita: uma família judaica teve que sair de Belém para escapar da seca que assolava a região. Eram eles: Elimeleque, Noemi (ou Naomi, que significa “agradável”), sua esposa, e os dois filhos, Malom e Quiliom. Emigraram para a terra de Moabe, onde havia alimento. Contrariando os costumes da família, os dois filhos casaram com jovens moabitas. Malom casou-se com Rute; Quiliom casou-se com Orfa. Não se sabe quanto tempo viveram com suas esposas. Os três homens faleceram deixando três mulheres sem amparo (Rt 1:1-5). Uma seca e três óbitos mudaram a história dessas pessoas.
3- Em direção à terra de Judá: dez anos depois, Deus concedeu a Bênção da fartura de pão em Israel (Rt 1:6). E a viúva de Elimeleque convidou suas duas noras, também viúvas, para irem a Belém, onde havia pão (Rt 1:7). Belém (significa “Casa do Pão).

BELÉM: “situa-se a mais ou menos oito quilômetros a sudoeste de Jerusalém. A cidade era cercada por exuberantes campos de videira. Suas colheitas eram abundantes. A vinda de Rute e Noemi a Belém era certamente parte do plano de Deus porque nesta cidade nasceria Davi (1 Sm 16:1), e, como foi predito por Miqueias (5:2). Jesus Cristo também viria ao mundo lá.  Esta mudança, então, era mais do que mera conveniência para Rute e Noemi. Ela tinha como propósito o cumprimento das Escrituras”.

domingo, 9 de setembro de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Jônatas - part. 3 de 3.

III - O caráter de Jônatas e suas lições.
Há um proverbio popular que diz: “tal pai, tal filho”, sugerindo que os filhos tendem a demonstrar o mesmo comportamento de seus pais. Mas tal entendimento não pode ser generalizado. O exemplo de Jônatas é prova disso. Seu caráter praticamente era oposto ao do seu pai. Vejamos alguns aspectos do caráter de Jônatas.
1- Um homem de coragem: Saul era um homem inseguro e ciumento. Jônatas não herdou nem desenvolveu esse traço da personalidade do pai. Era corajoso. Em Micmás, ele lutou contra a guarnição dos filisteus, com seu pajem de armas, e os derrotou, confiando em Deus. Revelou-se um comandante de tropas, um herói e um homem de fé (1Sm 14:6). Mas sua coragem não era apenas física e emocional. Ele tinha a grandeza espiritual que lhe dava confiança (1Sm 14:1-4). Ele revelou firmeza diante dos inimigos, e lealdade diante dos amigos.
2- Um homem humilde: sua coragem moral fê-lo não ter medo de perder a posição, como herdeiro do trono para Davi. Soube reconhecer que seu amigo tinha a direção de Deus, e as condições humanas para substituir Saul no cargo de monarca de Israel (1Sm 16:1,12,13). Um exemplo para os dias presentes. Há muitos, em igrejas evangélicas, que brigam por cargos e posições, agindo, muitas vezes, com métodos carnais, seguindo o exemplo dos ímpios. São obreiros carnais, dominados por “torpe ganância” (1Tm 3:3). A humildade é qualidade que só possuem os que têm grandeza de alma. E Deus se agrada dos humildes (1Pe 5:6).
3- Um homem leal: em todas as ocasiões, depois que se tornou amigo de Davi, Jônatas demonstrou sua lealdade. Poderia ter ficado ao lado do seu pai, mas não cedeu aos caprichos de Saul, quando este, injustamente, quis eliminar a vida de Davi. Quando soube do plano de Saul para matar Davi, Jônatas procurou o amigo e lhe advertiu do perigo de morte (1Sm 19:1-3;20:11-17,32,33). Jônatas teve um último encontro com Davi, onde mais uma vez selaram o pacto de lealdade diante de Deus (1Sm 20:41-43). Até o dia da sua morte, Saul continuou perseguindo Davi. Jônatas também veio a morrer em Gilboa ao lado de seu pai (1Sm 31:8).
Conclusão: Deus não está sujeito às leis nem aos costumes dos povos. Ele estabelece sua vontade diretiva de forma implacável, contrariando todas as expectativas e previsões históricas ou politicas. Assim, em meio a um grave desafio contra o povo de Israel levantou o jovem Davi para derrotas o gigante filisteu. Assistindo a extraordinária vitória, Jônatas sentiu profunda admiração pelo jovem pastor de Belém, e compreendeu que ele seria o escolhido por Deus. Em lugar de inveja ou ciúme, Jônatas tornou-se o maior e mais leal amigo de Davi. 

domingo, 19 de agosto de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Jônatas - part. 2 de 3.

II - Uma amizade aprovada por Deus
1- Jônatas torna-se amigo de Davi: o povo de Israel jubilou diante da tremenda vitória. Saul ficou estupefato, e mandou o chefe do exército Abner, chamar Davi, que levou como troféu da batalha inusitada a cabeça do filisteu (1Sm 17:54). Porém Jônatas, filho de Saul, foi quem mais foi tocado em suas emoções e sentimentos em relação ao jovem pastor, que derrotou o gigante com o uso de uma simples funda e um tiro de pedra. De imediato, aquela admiração despertou em Jônatas um sentimento de amizade e de amor fraternal por Davi. Deus tem seus caminhos, e, quando Ele quer, cria circunstancias ou muda circunstâncias segundo seus propósitos amorosos e soberanos.
2 - Uma amizade fiel e duradoura: a bíblia registra com expressão tocante os sentimentos de Jônatas por Davi. Diz o texto bíblico: “E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma” e fizeram uma aliança diante de Deus (1 Sm 18:1,3,4). O texto registra expressões que significam que Jônatas não só admirou grandemente a coragem e a audácia de Davi, como sentiu no seu íntimo que deveria nutrir por ele profunda amizade fraternal.
3 - Uma aliança do Senhor: grupos homossexuais procuram distorcer o sentido desse texto quando a bíblia diz que Jônatas fez aliança com Davi, porque “o amava como à sua própria alma” e entregou a Davi suas vestes e equipamentos de combate (1 Sm 18:3,4). Eles o fazem de forma desonesta e tendenciosa, afirmando que Jônatas sentiu atração sexual por Davi, e que ambos deram início a uma relação homoafetiva. Nada mais incoerente com a verdade bíblica. Jônatas era casado e pai de um filho, cujo nome era Mefibosete (2 Sm 4:4). Em nenhum texto da bíblia se diz que Jônatas desobedeceu a Deus e a sua lei. Ele sabia que, se fosse homossexual, estaria cometendo “abominaçao ao Senhor” (Lv 18:22;20:13). Na verdade, aquela amizade calorosa foi inspirada por Deus, pois Jônatas haveria de ser, tempos depois, o amigo que iria livrar Davi da sanha ciumenta e sanguinária de Saul. Eles fizeram aliança espiritual, e não uma parceria abominável aos olhos do Senhor (1 Sm 18:3). Somente a ma fé de quem usa a Palavra de Deus para justificar seus pecados pode afirmar tamanha incoerência e disparate.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Jônatas - part. 1 de 3.

Textos Bíblicos: 1 Samuel 18:3,4;19:1,2;20:8,16,17;31,32.
Introdução: Jônatas entrou para a história à sombra do pai, mas pouca coisa herdou de seu genitor. Demonstrou ser um guerreiro cheio de coragem e determinação. E, ainda à sua coragem, está a sua humildade, sua fé e obediência ao Senhor, virtudes indispensáveis a um homem de Deus. Sua amizade por Davi nasceu de forma inesperada, quando assistiu, de perto, a vitória do jovem pastor de ovelhas sobre o imbatível gigante Golias, o campeão dos filisteus, que desafiava os exércitos israelitas, e afrontava o nome do Senhor.
I – Circunstâncias que uniram Jônatas e Davi: 
1- Quem era Jônatas: era o filho mais velho do rei Saul. Seu nome significa “dado por Deus” ou “presente de Deus”. Ele tinha todas as condições para ser o substituto do pai. Era valente e hábil no combate. Sua bravura já fora provada, quando, em Micmás, derrotou toda uma guarnição dos filisteus, contando apenas com a ajuda de seu fiel escudeiro, colocando sua fé em ação (! Sm 14:1-14). Entretanto, por direção de Deus, os rumos da história de Saul e de Jônatas foram mudados completamente. E isso ocorreu de forma surpreendente.
2- Uma batalha que mudou a história: Israel estava no campo de batalha contra os filisteus, num monte, “no vale do carvalho”, e os filisteus estavam do lado oposto do vale, também sobre um monte (1 Sm 17:1-3). Um gigante filisteu, de nome Golias, campeão de seu povo, desafiava os exércitos de Israel, mas ninguém tinha coragem de enfrentar o inimigo. O clima de medo prenunciava a provável derrota de Israel (1 Sm 17:10,11).
3- A presença de Davi: Jessé enviou Davi ao local da batalha para entregar víveres para seus irmãos e para o chefe do exército (1 Sm 17:12-21). Contrariando seus irmãos e o próprio rei, Davi se dispôs a enfrentar o filisteu. Com permissão do rei, e confiando em Deus, Davi foi ao encontro de Golias, com apenas uma funda e cinco pedras do ribeiro (1 Sm 17:40-47). E com uma única pedra derrubou o gigante, e o matou com a espada deste (1 Sm 17:48-58). Uma vitória de desfecho surpreendente. Um gigante vencido por um jovem pastor de ovelhas. Um exército inteiro posto em fuga após um combate inusitado e desigual. Assistindo ao duelo estava Jônatas, o filho de Saul, que ficou profundamente tocado pela vitória de Davi sobre Golias.


segunda-feira, 9 de julho de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Jacó - part. 3 de 3.

III - ASPECTOS DO CARÁTER DE JACO.
1- Antes do seu encontro com Deus: até o encontro com Deus em Betel, ele era apenas um “homem natural”, ou carnal (1 Co 2:14). Naquela fase de sua vida, podemos ver alguns aspectos negativos de seu caráter.
a) oportunista e egoísta: quando seu irmão chegou com fome e lhe pediu para comer do seu guisado, ele poderia ter-lhe oferecido de sua comida, compartilhado sua refeição. Mas, numa prova de oportunismo e ambição, disse logo: “Vende-me hoje a tua primogenitura” (Gn 25:31).
b) interesseiro e calculista: Jacó era frio, calculista e de temperamento fleumático. Alem de propor a troca da primogenitura ao irmão, exigiu que Esaú fizesse um juramento que lhe garantisse que a troca seria respeitada por toda a vida: “Então, disse Jacó: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jaco” (Gn 25:33; Hb 12:16). Ele só esquecia uma coisa. O que ele estava plantando em sua juventude haveria de colher mais tarde (Gl 6:7). Em proporção muito maior.
c) mentiroso e enganador: Com seu caráter fraco e leniente, concordou com a sua mãe em enganar o velho pai. Ao chegar à presença de Isaque, mentiu três vezes. Este perguntou: “Quem és tu, meu filho?”. Ele disse que era Esaú (Gn 27:19). A primeira mentira. Indagado porque chegara tão rápido com a caça, mentiu a segunda vez, dizendo: “Porque o Senhor, teu Deus, a mandou ao meu encontro” (Gn 27:20). Ao abraçar Jacó, Isaque repetiu que era Esaú - “Eu sou” (Gn 27:24). Mentiu pela terceira vez.
2- Depois do seu encontro com Deus: observe a transformação no caráter de Jaco:
a) um caráter agradecido: Jacó passou a ver as coisas numa perspectiva espiritual de um novo relacionamento com Deus, e lhe fez um voto, dizendo que se Deus não lhe deixasse faltar nada, levantaria um altar e daria o dizimo “de tudo” (Gn 28:20-22). Neste fato, vemos que Jacó tinha consciência do valor do dizimo, como expressão sincera de gratidão a Deus, a exemplo do que fizera seu avô, Abraão, perante Melquisedeque (Gn 14:18-20). Ele não prometeu dar o dizimo do que lhe sobrasse (da “renda líquida”), mas “de tudo” como seu avô fizera (Hb 7:2).
b) um caráter esforçado e sofredor: ao chegar à casa de Labão, seu tio, revelou-se um homem trabalhador. Ali, começou a colher o que semeara em engano e mentira. Na “lua de mel”, foi enganado pelo sogro. Em lugar de casar com Raquel, teve de casar com Leia. Só depois, casou com sua amada, e para tanto, trabalhou “outros sete anos” (Gn 29:21-30). Não foi apenas esse o preço que Jacó teve que pagar por sua vida de enganos e mentiras. Labão mudou o seu salario dez vezes, durante vinte anos (Gn 31:7). O que o homem semeia, isso e o que colhe (Gl 6:7).
c) um homem na direção de Deus: depois de ser enganado pelo sogro, Jaco reuniu sua família e fugiu de Harã. Mas não o fez apenas por medo do sogro. Sua saída de Harã foi por direção de Deus (Gn 31:3,13). Desse modo, Jacó empreendeu a fuga com a família, e logo foi perseguido pelo sogro. Este não pôde lhe fazer mal, porque Deus entrou em ação e lhe determinou que não falasse com Jacó “nem bem nem mal” Gn 31:24).
3- No seu encontro com Esaú: ao se aproximar de Seir, onde seu irmão vivia, Jacó enviou mensageiros a Esaú, anunciando seu retorno. Os mensageiros voltaram e disseram que Esaú vinha ao seu encontro com quatrocentos homens. Jaco temeu grandemente (Gn 32:7-12). Mas, no vale do Jaboque, teve um encontro que marcou o resto da sua vida. Seu nome foi mudado para Israel, e viu Deus “face a face” (Gn 32:22-30). Ao encontrar Esaú, reconciliou-se com ele e o abraçou com  perdão e amor.
Conclusão: Em suas experiencias com Deus, vemos que Jaco teve seu caráter transformado. De oportunista e enganador, passou a ser humilde, sofredor, paciente, longânimo, altruísta. Foi pela sua paciência e graça que Deus escolheu Jacó, em lugar de Esaú. Quando damos lugar ao Espírito Santo, Ele nos transforma radicalmente o caráter. Amém

domingo, 24 de junho de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Jacó - part. 2 de 3.


II - A DIREÇÃO DE DEUS NA VIDA DE JACO
1 - A visão da escada que tocava o céu: em sua fuga, no meio do deserto, Jaco teve um sonho dado por Deus. Ele viu uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela. E Deus reiterou a benção que lhe prometera (Gn 28:13-15). Deus não aprovou seus arranjos e enganos, mas também não retirou a bênção prometida a seus pais. Naquela noite, ele descobriu a presença de Deus, que se apresentou como o Deus de Abraão e de Isaque. Ele ouviu Deus reiterar suas promessas e descobriu que onde Deus está, ali é sua casa, “a porta dos céus” (Gn 28:13-17).
2 - A coluna em Betel: Jacó não buscou a Deus, mas Deus o buscou, e se revelou como o Deus de seus pais. Uma prova do quanto a graça de Deus é profunda. Sem dúvida alguma, a historia de Jaco se divide em dois períodos. Antes de Deus encontra-lo e depois daquele encontro especial. Tão impactante na sua vida foi aquele episódio, que ele chamou aquele lugar deserto de Betel, que significa “Casa de Deus”. Ali, naquela madrugada, Jacó ouviu Deus lhe falar: sentiu a presença divina e teve uma mudança extraordinária em sua vida.

"Jaco não buscou a Deus, mas Deus o buscou."

sábado, 2 de junho de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Jacó - part. 1 de 3.

Texto Bíblico: Gênesis 25:28-34; 32:24,27,28,30.
Introdução: Isaque teve dois filhos gêmeos. Esaú tinha uma inclinação para o campo, para vida pastoril e também para a caça. Jaco, ao contrário, pelo seu temperamento e por sua personalidade, voltou-se para a vida doméstica. Logo revelou ter um caráter oportunista e usurpador, que o levou a enganar o pai com apoio da mãe. As consequências foram duras em sua vida. O que plantou, colheu com grande sofrimento. Mas a misericórdia de Deus o alcançou e o Senhor o escolheu para ser o pai das doze tribos de Israel.
I - Quem era Jacó?
1- O filho mais novo de Isaque: seu nome, em hebraico, é Yakoov e significa “Deus protege”. Ele integra a lista dos três patriarcas hebreus, que marcaram a história de Israel: Abraão, Isaque e Jacó. Sua historia foi pontilhada de episódios dramáticos desde o seu nascimento. Deus ouviu as orações de Isaque, pois Rebeca era estéril Gn 25:21. O texto diz que, no ventre, havia uma luta entre os bebês Gn 25:22. Jacó nasceu agarrado ao calcanhar do seu irmão. Diante disso, o seu nome passou a ter o significado de “aquele que segura pelo calcanhar” ou “suplantador”.
2 - O preferido de sua mãe: Isaque tinha preferência por Esaú. por que gostava da caça. Mas Rebeca amava mais Jacó, por ser “varão simples, habitando em tendas” Gn 25:27,28. Quando Isaque quis dar a benção a Esaú, o primogênito Gn 27:1-5, Rebeca, numa demonstração clara do seu caráter astucioso, chamou Jacó e o induziu a enganar seu pai Gn 27:11,12,14,15. Enganado, Isaque abençoou Jacó Gn 27:27-29. Ao retornar da caça, Esaú descobriu que seu irmão tomara sua bênção. Desesperado, recebeu do pai uma benção menor Gn 27:39-40. Cheio de ódio, planejou matar seu irmão Gn 27:41. Jacó teve que fugir ameaçado por Esaú. Isaque percebeu que Deus tinha um plano na vida de Jaco, e o despediu com uma bênção profética de grande significado Gn 28:1-4.
3 - O preferido de Deus: a escolha de Jacó é um caso especial de presciência divina face aos desígnios de Deus. Deus não tem filhos privilegiados, nem escolhe uns para a salvação e outros para a condenação, pois tal atitude contraria frontalmente o Seu caráter Santo, Justo e Bom. Seria uma terrível discriminação por parte de Deus que condena quem faz acepção de pessoas Tg 2:9; 1 Pe 1:17. Mas, em sua soberania, em casos especiais, Ele escolhe pessoas para serem instrumentos de Sua vontade diretiva. Jaco foi um desses escolhidos, ainda no ventre Rm 9:9-13.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Caráter Cristão: Aprendendo com o caráter de Isaque - part. 3 de 3.

III – LIÇÕES DO CARÁTER DE ISAQUE
1 – Um homem esforçado e trabalhador: a prosperidade que Deus concedeu a Isaque chamou a atenção dos filisteus. A bênção de Deus era tão grande que incomodava os filisteus (Gn 26:15,16). Há pessoas a quem Deus abençoa e os adversários ficam com inveja, desejando o mal aos servos de Deus. Mas a maldição não alcança os que são fiéis a Deus. Balaão foi convocado para amaldiçoar os filhos de Israel. Mas não conseguiu. “Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa?” (Nm 23:8). Deus converteu a maldição em bênção (Ne 13:2b; Pv 10:22).
2 - O caráter pacifico de Isaque: Ao sofrer terrível oposição dos invejosos e ser aconselhado a sair do lugar onde prosperara, Isaque não fez questão alguma. Foi habitar “no vale de Gerar” Gn 26:17. Honrando o nome e a memória do seu pai, Isaque reabriu os poços que seu pai abrira e foram tapados pelos filisteus, e chamou os poços com os mesmos nomes dados por Abraão Gn 26:18. Os pastores de Gerar questionaram os outros poços que Isaque abrira, mas ele não os confrontou Gn 26:19,21.
3 - Um caráter resiliente: Após perder a posse de dois poços. Isaque não desistiu. Mais do que resistente, ele foi resiliente. Soube enfrentar as oposições sem se exasperar. Soube praticar a longanimidade Gl 5:22. Continuou mandando abrir poços: “E partiu dali e cavou outro poço; e não porfiaram sobre ele. Por isso, chamou o seu nome Reobote e disse: Porque agora nos alargou o Senhor, e crescemos nesta terra” Gn 26:22,23. Era o “poço do alargamento” concedido por Deus. Livre da contenda, Isaque “subiu dali a Berseba” Gn 26:28,29. Ali, Isaque e Abimeleque, rei de Gerar, fizeram um juramento de que seriam amistosos. Dai, Berseba significar “juramento”, ou “poço do juramento. Em meio a essas experiencias” [...] apareceu-lhe o SENHOR naquela mesma noite e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua semente por amor de Abraão, meu servo” Gn 26:24.
4 - Obediência e submissão: Certamente, esses são os aspectos mais marcantes do caráter de Isaque. Ele soube honrar seu pai e sua mãe, como manda o Senhor  Êx 20:12. A prova mais eloquente desse caráter foi demonstrada, quando Deus falou com Abraão e ordenou que ele oferecesse o seu filho em holocausto Gn 22:2. Isaque foi amarrado sobre o altar para o sacrifício, e não se rebelou. Mas obedeceu. Submeteu-se à vontade do pai. Deus não permitiu que Abraão o imolasse. E proveu um cordeiro para ser oferecido em seu lugar. Gn 22:11-13. Uma figura de Cristo oferecido em nosso lugar como “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” Jo 1:29. Deus aceitou o gesto de Abraão como realizado pela fé. Hb 11:17-19.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Caráter Cristão: Isaque, um homem abençoado por Deus - part. 2 de 3.

II – UM HOMEM ABENÇOADO POR DEUS
1 – A prosperidade espiritual: depois da morte de seu pai, já casado com Rebeca, e pai de Esaú e Jacó (Gn 25:19-23), Isaque foi buscar abrigo em Gerar, na terra dos filisteus, para escapar da fome que ocorreu onde morava. Ali, Deus lhe falou que não descesse ao Egito. “[...] em tua semente serão benditas todas as nações da terra, porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis. Assim, habitou Isaque em Gerar” (Gn 26:4-6).
2 – A bênção divina é passada de pai para filho: a bênção de Abraão foi transferida para Isaque, não pela hereditariedade em si, mas pela sua fidelidade a Deus. Seu caráter, demonstrado em sua conduta, agradou a Deus. E ele prosperou espiritualmente.
3 – A prosperidade material: “E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, porque o SENHOR o abençoava” (Gn 26:12). Este é o segredo da vida de Isaque. Ele era abençoado por Deus. Deus dá bênçãos espirituais e também materiais, quando o homem obedece à Sua voz. A produção dos seus campos lhe deu cem por cento de colheita (Gn 26:12). É preciso entender que a prosperidade material não é o objetivo da vida cristã, como propalam os adeptos da falsa “teologia da prosperidade”. Mas Deus promete abrir “as janelas do céu” e derramar grande abundância; repreender “o devorador” e fazer as nações perceberem que seu povo é bem aventurado, para quem é fiel nos dízimos e nas ofertas (Ml 3:10-12).

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Caráter Cristão: Isaque, um caráter pacífico - part. 1 de 3.

Texto Bíblico: Gênesis 26:12-25
Introdução: O caráter de uma pessoa é demonstrado por suas atitudes, testemunhos e práticas. Isaque é um personagem da Bíblia que tem grande significado para a história do povo de Israel. Seu nome foi dado por Deus mesmo antes do seu nascimento conforme Gênesis 17:19. O significado de seu nome é interessante: quer dizer “aquele que ri” ou “ele ri”, em alusão à reação de seu pai e de sua mãe, quando o anjo anunciou seu nascimento, sendo seus pais de idade avançadíssima.
I – ISAQUE, O FILHO DA PROMESSA
Promessa de Deus a Abrão: para entender o caráter de Isaque, é importante conhecer a história que moldou sua personalidade e forjou o seu caráter. A história de Isaque ocupa nada menos que nove capítulos do livro de Gênesis. Filho de Abraão e Sara, pela lógica humana seu nascimento seria absolutamente impossível. O “filho da promessa” teria nascido “fora de tempo”, na concepção dos homens. Quando Deus chamou Abrão para sair de sua terra e ir para uma terra estranha, fez-lhe promessas gloriosas. Uma delas era que ele seria “uma grande nação”, quando ele tinha 75 anos (Gn 12:2). Abraão já era idoso, e sua esposa estéril. Parecia impossível o casal ter um filho. Quanto mais serem pais de uma grande nação.
Seu nascimento, um verdadeiro milagre: ao ouvir que Sara seria “mãe de nações”, Abraão riu considerando coisa impossível para um homem de 100 anos e uma mulher de 90 (Gn 17:17). Percebendo Deus o pensamento de Abraão lhe fez saber que Ele é Fiel (Gn 17:19). Por ter rido, o nome do menino seria Isaque, que significa “riso” ou “aquele que ri”. Sua mãe, ao saber que teria um filho aos 90 anos (Gn 18:9,10), também não se conteve e, a exemplo do marido, também se riu no seu interior (Gn 18:12). Abraão aos 100 anos, e Sara com 90, foram pais de um lindo bebê, que causou espanto a todos que souberam daquele milagre.
Fonte: Revista Lições Bíblicas - CPAD